<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Clima Rentável]]></title><description><![CDATA[Plataforma de conteúdo e inteligência sobre descarbonização e investimentos sustentáveis.]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JOPY!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F966b5ffc-3b87-4128-b02a-ac43997faec1_377x377.png</url><title>Clima Rentável</title><link>https://www.climarentavel.com.br</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 29 Apr 2026 11:18:47 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.climarentavel.com.br/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Ramon de Oliveira Junior e Felipe Figueiredo de Andrade]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[contato@climarentavel.com.br]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[contato@climarentavel.com.br]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Ramon de Oliveira]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Ramon de Oliveira]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[contato@climarentavel.com.br]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[contato@climarentavel.com.br]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Ramon de Oliveira]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Crusoe: de Energytech a AI Cloud]]></title><description><![CDATA[Como a startup Crusoe se transformou rapidamente para entrar na corrida do ouro da IA]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/crusoe-da-energia-para-ia</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/crusoe-da-energia-para-ia</guid><dc:creator><![CDATA[Felipe Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 11 Sep 2025 10:37:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!epPF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2a7105f-9d22-4e29-82f2-1fb2a4a760d5_1400x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p><p>Hoje estamos publicando um artigo diferente no Clima Rent&#225;vel. Vamos contar a hist&#243;ria de uma empresa espec&#237;fica, a Crusoe, que come&#231;ou em energia e migrou para IA. Boa leitura!</p><p>No mundo fren&#233;tico da IA, o ritmo de constru&#231;&#227;o e transforma&#231;&#227;o de empresas &#233; extremamente acelerado. E isso n&#227;o apenas no mundo do software (de modelos e aplica&#231;&#245;es), mas tamb&#233;m no mundo da infraestrutura f&#237;sica que suporta a tecnologia. Hoje vamos falar sobre a Crusoe, empresa de infraestrutura para IA, que executou um <em>pivot</em> radical em apenas dois anos, saindo de um mercado relativamente nichado de aproveitamento de g&#225;s de <em>flare</em> para competir no bilion&#225;rio mercado de servidores de IA. &#201; uma li&#231;&#227;o sobre capacidade de transforma&#231;&#227;o: n&#227;o para se recuperar de algo que n&#227;o deu certo (como &#233; comum em muitas <em>startups</em>), mas para capturar uma oportunidade grande demais para ser ignorada.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><p><strong>As origens da Crusoe</strong></p><p><a href="https://www.linkedin.com/in/chase-lochmiller-604483341/">Chase Lochmiller</a> (CEO) e <a href="https://www.linkedin.com/in/ccavness/">Cully Cavness</a> (COO) fundaram a Crusoe em 2018 em Denver, Colorado. Colegas de escola, eles trouxeram bagagens complementares para a nova empreitada: enquanto Chase tinha forma&#231;&#227;o em IA e trabalhado como <em>trader</em> quantitativo e investidor em <em>blockchain</em>, Cully havia dedicado a sua carreira ao setor de energia.</p><p>O problema inicial que a Crusoe se prop&#244;s a atacar &#233; o desperd&#237;cio de energia na ind&#250;stria de petr&#243;leo. Em geral, campos de petr&#243;leo cont&#234;m g&#225;s natural associado. Em regi&#245;es com infraestrutura de escoamento de g&#225;s, esse g&#225;s pode ser uma importante fonte de receita complementar para os produtores de petr&#243;leo. No entanto, em regi&#245;es mais remotas, pode n&#227;o ser econ&#244;mico desenvolver gasodutos ou terminais de liquefa&#231;&#227;o de g&#225;s natural. Os produtores ent&#227;o ou reinjetam esse g&#225;s no reservat&#243;rio (como ocorre em geral em campos <em>offshore</em> no Brasil), ou simplesmente queimam o g&#225;s de forma controlada, o <em>flaring </em>na terminologia da ind&#250;stria. O <em>flaring</em> &#233; respons&#225;vel por cerca de 0,6% das emiss&#245;es globais de carbono equivalente, com mais de 70% dessas emiss&#245;es vindo do metano (a principal mol&#233;cula do g&#225;s natural) liberado pela combust&#227;o incompleta do g&#225;s (lembrando que o metano tem um impacto 80x maior no aquecimento global do que o CO<sub>2</sub> nos primeiros 20 anos).</p><p>A solu&#231;&#227;o da Crusoe para o <em>flaring</em> foi desenvolver uma solu&#231;&#227;o de gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica a partir do g&#225;s de<em> flare</em> e utilizar essa energia para rodar servidores de minera&#231;&#227;o de Bitcoin. Com a combust&#227;o completa do g&#225;s natural, a empresa consegue praticamente zerar as emiss&#245;es de metano, al&#233;m de monetizar uma energia que seria desperdi&#231;ada. Um aspecto interessante e importante da solu&#231;&#227;o &#233; a modularidade: as unidades de gera&#231;&#227;o e os data centers desenvolvidos pela Crusoe podem ser transportados com facilidade, o que &#233; importante em uma ind&#250;stria din&#226;mica como a do<em> fracking</em> nos EUA, em que um mesmo <em>site</em> n&#227;o produz petr&#243;leo por muito tempo. A Crusoe batizou esse modelo de<em> Digital Flaring Mitigation</em> (DFM).</p><p>A empresa captou 500 milh&#245;es de d&#243;lares de investidores especializados em tecnologia e clima para escalar esse neg&#243;cio. Com o tempo a empresa come&#231;ou a desenvolver solu&#231;&#245;es para mercados adjacentes, como o aproveitamento de energia renov&#225;vel sem capacidade de escoamento para a rede (o chamado <em>curtailment</em>) com a mesma solu&#231;&#227;o de data centers modulares. Em meados de 2022, a empresa adquire os primeiros GPUs da Nvidia e come&#231;a a oferecer tamb&#233;m servi&#231;os de Computa&#231;&#227;o de Alto Desempenho (<em>High-Performance Computing</em>) a partir de seus data centers modulares abastecidos por g&#225;s de <em>flare</em> em Montana. Todavia, h&#225; pouco mais de dois anos, o DFM ainda era o modelo de neg&#243;cio principal da empresa, como mostra a apresenta&#231;&#227;o do fundador Cully Cavness no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0CerPYbKx78">TEDx em janeiro de 2023</a>.</p><p><strong>IA: o game changer</strong></p><p>Ap&#243;s o lan&#231;amento do chatGPT em novembro de 2022 se inicia uma corrida de grandes propor&#231;&#245;es para treinar e lan&#231;ar modelos de IA generativa cada vez mais avan&#231;ados. E essa corrida se traduz em uma demanda n&#227;o projetada e gigantesca por capacidade computacional. Come&#231;a assim uma corrida sem precedentes pelos chips mais avan&#231;ados (especialmente os GPUs, <em>Graphic Processing Units</em> da Nvidia) e pelo desenvolvimento de novos <em>data centers</em> para hosped&#225;-los. Rapidamente essa nova demanda come&#231;a a esbarrar nas limita&#231;&#245;es da infraestrutura f&#237;sica. Por exemplo, uma nova conex&#227;o na escala de MW &#224; rede el&#233;trica nos Estados Unidos leva entre quatro e oito anos entre estudos de interconex&#227;o e obras de refor&#231;o da rede el&#233;trica, um prazo incompat&#237;vel com a velocidade da ind&#250;stria de tecnologia. Al&#233;m disso, com a explos&#227;o da demanda, surgem gargalos na cadeia de suprimentos de equipamentos diversos necess&#225;rios para o funcionamento de um data center, como os sistemas de resfriamento e os geradores de <em>backup</em>.</p><p>A vantagem competitiva no setor de data centers passa a ser a velocidade em se colocar um projeto de p&#233; e isso explica os pr&#243;ximos movimentos da Crusoe. Vendo a demanda por capacidade computacional explodir, a empresa passa a alavancar a sua expertise no fornecimento de energia e constru&#231;&#227;o de data centers para construir um servi&#231;o de cloud para IA oferecendo uma alternativa aos chamados <em>Hyperscalers</em> como a Amazon e a Microsoft. Sendo eficiente no fornecimento de energia e na constru&#231;&#227;o dos data centers, a empresa passa a ser capaz de competir em custo com esses gigantes. A Crusoe tamb&#233;m se beneficia da estrat&#233;gia da Nvidia de desenvolver clientes alternativos para os seus GPUs e ser menos dependente dos <em>Hyperscalers </em>(no 2T de 2025, 39% da receita da Nvidia veio de apenas 2 clientes!). A Nvidia passa assim a direcionar parte dos seus GPUs para as chamadas <em>Neoclouds</em> como a Crusoe e a CoreWeave (do qual &#233; investidora).</p><p><strong>O grande pivot da Crusoe</strong></p><p>Para competir com os gigantes de computa&#231;&#227;o em nuvem, a Crusoe adotou uma estrat&#233;gia de verticaliza&#231;&#227;o, passando a fabricar componentes cr&#237;ticos dos data centers. A empresa iniciou o movimento em 2022 ao adquirir uma fabricante de sistemas el&#233;tricos e data centers modulares. Com o pivot para IA, a empresa desenvolveu um projeto propriet&#225;rio de data centers modulares especializados em IA, dos quais fabrica as estruturas met&#225;licas, os quadros el&#233;tricos e os sistemas de distribui&#231;&#227;o de energia e de controle industrial. Esse controle da cadeia de suprimentos permitiu &#224; empresa escalar rapidamente a sua opera&#231;&#227;o de data centers de IA, atacando um dos principais gargalos da ind&#250;stria.</p><p>Ap&#243;s lan&#231;ar o seu servi&#231;o de cloud em 2022, a Crusoe passa por uma r&#225;pida transforma&#231;&#227;o, mostrando bastante flexibilidade para adaptar a sua estrat&#233;gia. Com o aumento da demanda por clouds de IA, a empresa passa a alugar espa&#231;o para os seus GPUs em data centers de terceiros. Ao mesmo tempo, investe em um grande data center pr&#243;prio abastecido com energia renov&#225;vel (hidrel&#233;trica e geot&#233;rmica) na Isl&#226;ndia, inaugurado em abril de 2025. E finalmente, a Cruose participa como desenvolvedor e operador de um dos maiores projetos de data centers dos Estados Unidos em Abilene no Texas, com capacidade total projetada de 1,2 GW.</p><p>Neste projeto, o seu papel &#233; bem diferente do seu posicionamento at&#233; ent&#227;o, j&#225; que a empresa &#233; respons&#225;vel pela constru&#231;&#227;o e opera&#231;&#227;o da infraestrutura dos data centers e n&#227;o pela aquisi&#231;&#227;o e opera&#231;&#227;o dos GPUs. Em Abilene, a empresa de <em>cloud</em> &#233; a Oracle, a qual tem como cliente principal a OpenAI como parte do projeto Stargate (esse posicionamento da Oracle levou a uma r&#225;pida <a href="https://braziljournal.com/oracle-dispara-42-e-a-demanda-por-nuvem-de-ai/">valoriza&#231;&#227;o da empresa recentemente</a>). O projeto &#233; estruturado como um grande <em>project finance, </em>em que um contrato de aluguel de longo prazo com a Oracle permitiu atrair grandes investidores de <em>equity</em> (Blue Owl) e d&#237;vida (JP Morgan) para viabilizar um plano de investimento de cerca de 15 bilh&#245;es de d&#243;lares (apenas na infraestrutura, n&#227;o incluindo os servidores). A constru&#231;&#227;o da primeira fase do projeto (200 MW) se iniciou em junho de 2024 e estava prevista para entrar em opera&#231;&#227;o no segundo semestre deste ano. J&#225; a segunda fase, que vai levar a capacidade total para 1,2 GW, se iniciou em mar&#231;o de 2025 com expectativa de in&#237;cio das opera&#231;&#245;es em meados de 2026.</p><p>Do ponto de vista energ&#233;tico, o projeto assegurou uma rara conex&#227;o de larga escala &#224; rede do Texas (ERCOT) em uma regi&#227;o com grande disponibilidade de energia e&#243;lica. Al&#233;m disso, o projeto conta com gera&#231;&#227;o local de g&#225;s natural como <em>backup</em>. Baterias e gera&#231;&#227;o fotovoltaica local tamb&#233;m fazem parte do projeto assim como a sua qualifica&#231;&#227;o como <em>Controllable Load Resource, </em>ou seja, um recurso que pode ser utilizado pelo operador para aumentar ou reduzir o seu consumo rapidamente contribuindo para a estabiliza&#231;&#227;o da rede el&#233;trica.</p><p>Os movimentos da Crusoe nos &#250;ltimos dois anos posicionam a empresa em diferentes segmentos da Value Chain de IA ilustrada abaixo. A empresa &#233; uma <em>AI Cloud</em> em alguns casos, um desenvolvedor e operador de data centers no projeto de Abilene, um propriet&#225;rio de data center no projeto da Isl&#226;ndia e at&#233; um fornecedor de equipamentos industriais via a Crusoe Industries. Essa flexibilidade estrat&#233;gica demonstra que quando a oportunidade &#233; muito grande pode fazer sentido para uma<em> startup</em> redefinir v&#225;rias vezes o seu papel e apostar de forma agressiva em ser uma refer&#234;ncia em uma nova ind&#250;stria. A nova tese e a ambi&#231;&#227;o da Crusoe foram validadas na capta&#231;&#227;o de um Series D de 600 milh&#245;es de d&#243;lares, liderado pelo Founders Fund de Peter Thiel no final do ano passado, sendo a empresa avaliada em $ 2,8 bilh&#245;es.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!epPF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2a7105f-9d22-4e29-82f2-1fb2a4a760d5_1400x900.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!epPF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2a7105f-9d22-4e29-82f2-1fb2a4a760d5_1400x900.png 424w, 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><blockquote><p>Cadeia de Valor de Data Centers de AI</p></blockquote><p><em>Fonte: https://www.generativevalue.com/p/a-primer-on-ai-data-centers</em></p><p>E o neg&#243;cio de minera&#231;&#227;o de bitcoins e Digital Flaring Mitigation como ficaram depois do <em>pivot</em>? A oportunidade de focar em data centers para IA levou a Crusoe a desinvestir do seu neg&#243;cio original, vendendo seus 425 data centers modulares (270 MW de capacidade) de minera&#231;&#227;o de Bitcoin e a tecnologia de Digital Flaring Mitigation para a NYDIG, um minerador de Bitcoin, em mar&#231;o de 2025.</p><p><strong>O futuro do neg&#243;cio</strong></p><p>O mercado onde a Crusoe atua continuar&#225; crescendo de forma acelerada. O BCG projeta que a capacidade total de data centers no mundo (excluindo China) crescer&#225; de 71 GW para 127 GW nos quatro anos entre 2024 e 2028 (como vimos no <a href="https://www.climarentavel.com.br/p/a-nova-industria-eletrointensiva">nosso artigo sobre data centers</a>). Grande parte desse crescimento vir&#225; de data centers especializados em IA. Neste contexto, n&#227;o faltar&#225; demanda para as solu&#231;&#245;es da Crusoe, mas provavelmente a empresa precisar&#225; tomar decis&#245;es sobre o melhor modelo de neg&#243;cio para capturar a oportunidade.</p><p>Ser&#225; que a empresa focar&#225; nas suas capacidades mais estabelecidas de infraestrutura para data centers ou continuar&#225; investindo para competir no multibilion&#225;rio mercado de <em>cloud</em> para IA? A primeira parece ser o caminho mais sensato, pois &#233; menos sujeito &#224; competi&#231;&#227;o das super capitalizadas<em> big techs </em>e alavanca capacidades provadas da empresa. No segundo, a empresa entra em um jogo arriscado de investir massivamente em GPUs para servi&#231;os de cloud se deparando com perguntas de dif&#237;cil resposta como: por quanto tempo a demanda continuar&#225; crescendo de forma explosiva jogando para cima o valor da capacidade computacional? Qual a vida &#250;til dos GPUs sendo lan&#231;ados no momento? Haver&#225; espa&#231;o para competir com as <em>Hyperscalers</em>? Mas no fim provavelmente seus investidores v&#227;o preferir esse jogo de alto risco e alto retorno, caracter&#237;stico desse momento de r&#225;pida transforma&#231;&#227;o tecnol&#243;gica que estamos vivendo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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O foco aqui n&#227;o &#233; contratar megawatts-hora (MWh) de energia, mas sim megawatts (MW) de pot&#234;ncia dispon&#237;vel, aquela &#8220;for&#231;a de resposta&#8221; que o sistema precisa para segurar a carga nos momentos mais cr&#237;ticos.</p><p>O LRCAP de 2025 prometia ser hist&#243;rico: muita oferta, expectativa de pre&#231;os competitivos e a chance de agregar previsibilidade &#224; nossa matriz el&#233;trica. Mas, no setor, a gente sabe bem que nem sempre pol&#237;tica, regula&#231;&#227;o e interesses se alinham no tempo esperado. E o resultado? O certame foi cancelado antes mesmo do primeiro lance.</p><p>Hoje vamos conversar sobre como esse leil&#227;o surgiu e porque ele &#233; t&#227;o importante; o que travou o processo e gerou tanta discuss&#227;o; o papel do g&#225;s natural na flexibilidade do sistema el&#233;trico; e como, l&#225; na frente, g&#225;s e baterias devem disputar espa&#231;o na entrega dessa flexibilidade.<br></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h2><strong>De onde vem o LRCAP e por que ele &#233; t&#227;o necess&#225;rio</strong></h2><p>A ideia de ter um leil&#227;o focado em capacidade firme ganhou for&#231;a depois da crise h&#237;drica de 2021. Ficou claro que n&#227;o bastava ter energia contratada, era preciso garantir pot&#234;ncia dispon&#237;vel para segurar o sistema mesmo com a varia&#231;&#227;o de n&#237;vel dos reservat&#243;rios e da gera&#231;&#227;o das renov&#225;veis.</p><p>Em julho de 2021 foi sancionada a lei 14.182/2021. Ela ficou conhecida por tratar da desestatiza&#231;&#227;o da Eletrobras e da prorroga&#231;&#227;o do Proinfa, da qual j&#225; falamos por aqui. Mas o texto tamb&#233;m estabeleceu as bases para o formato atual do Leil&#227;o de Reserva de Capacidade (LRCAP). Foi prevista a contrata&#231;&#227;o obrigat&#243;ria de 8 GW de novas usinas termel&#233;tricas a g&#225;s natural entre 2026 e 2030, localizadas em estados sem infraestrutura de g&#225;s (regi&#245;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste). E essas t&#233;rmicas deveriam ser contratadas via leil&#245;es espec&#237;ficos de capacidade.</p><p>Em 2022, um primeiro leil&#227;o focado em estados sem infraestrutura teve apenas 3 usinas contratadas, sendo todas no Amazonas. Pela sua caracter&#237;stica regional e ainda pelo pouco tempo para desenvolvimento de &#225;reas de produ&#231;&#227;o de g&#225;s ap&#243;s a lei de 2021, houve baixa concorr&#234;ncia no leil&#227;o.</p><p>Para o LRCAP de 2025 com maior planejamento, o MME estabeleceu diretrizes visando aumentar a seguran&#231;a el&#233;trica, dando ao ONS recursos para atender a demanda de ponta, contratar com maior anteced&#234;ncia e diversificar a oferta de flexibilidade, trazendo principalmente t&#233;rmicas a g&#225;s, biocombust&#237;veis e amplia&#231;&#245;es de hidrel&#233;tricas existentes.</p><p>No novo modelo foi considerada maior abertura nacional para cadastramento de projetos e o volume de ofertas superou amplamente o que se pretendia contratar, indicando um elevado interesse do mercado e concorr&#234;ncia potencial acirrada. Foram 327 projetos registrados totalizando 74 GW de pot&#234;ncia, sendo 83% de termel&#233;tricas a g&#225;s natural, 9% de termel&#233;tricas a biocombust&#237;veis e 8% de amplia&#231;&#227;o de hidrel&#233;tricas. Geograficamente, o apetite ficou concentrado em S&#227;o Paulo (~40%), seguido por Pernambuco (~23%), Cear&#225; (~11%), Esp&#237;rito Santo (~10%) e Rio de Janeiro (~7%) do total de pot&#234;ncia cadastrada, um retrato de onde j&#225; h&#225; g&#225;s, infraestrutura e carga.</p><h2><strong>O que travou tudo: o fator &#8220;A&#8221; e a judicializa&#231;&#227;o</strong></h2><p>Tudo corria para um leil&#227;o competitivo at&#233; que surgiu um ingrediente inesperado: o Fator A. Esse par&#226;metro foi inclu&#237;do para valorar melhor a flexibilidade das t&#233;rmicas, em outras palavras, para dar vantagem &#224;s usinas capazes de ligar e desligar r&#225;pido e modular sua gera&#231;&#227;o conforme a necessidade.</p><p>A ideia n&#227;o &#233; absurda. O problema &#233; que foi colocado no edital sem consulta ampla, beneficiava mais alguns tipos de usinas (por exemplo, ciclo aberto a g&#225;s) e penalizava outras (ciclo combinado mais eficiente, mas menos &#225;gil), mexendo diretamente na competitividade dos lances.</p><p>Resultado? Parte dos agentes se sentiu prejudicada, foi &#224; justi&#231;a e o MME decidiu cancelar o leil&#227;o para refazer as regras. Oficialmente, o discurso &#233; de aperfei&#231;oamento, mas na pr&#225;tica &#233; um recuo para evitar um certame marcado por disputas judiciais.</p><p>Desde ent&#227;o, uma nova consulta p&#250;blica vem sendo preparada, mas os temas sens&#237;veis do leil&#227;o n&#227;o possuem ainda consenso da equipe do MME e v&#225;rias empresas j&#225; possuem d&#250;vidas sobre a possibilidade da realiza&#231;&#227;o do leil&#227;o ainda esse ano. Por outro lado, o Operador Nacional do Sistema (ONS) e entidades de consumidores alertam que, sem o leil&#227;o, o atendimento &#224; ponta em 2025 e 2026 depender&#225; de medidas paliativas, como acionar contratos tempor&#225;rios de emerg&#234;ncia para usinas t&#233;rmicas atualmente sem contrato, a fim de assegurar margem de reserva at&#233; que um novo leil&#227;o aconte&#231;a, obviamente aumentando a conta a ser paga pelos consumidores.</p><p>Entre outros temas que mais seguram a nova consulta p&#250;blica, est&#225; a modelagem do custo de transporte de g&#225;s natural. O MME ainda n&#227;o decidiu como os custos dos gasodutos ser&#227;o tratados, se entram no pre&#231;o do lance ou s&#227;o repassados &#224; parte. Em resumo, transportadoras e termel&#233;tricas conectadas &#224; malha defendem um modelo de &#8220;<em>pass-through</em>&#8221;, em que o custo do transporte sairia do lance e seria repassado como encargo do setor el&#233;trico (pago pelos consumidores). Por outro lado, projetos n&#227;o conectados (que usam GNL ou g&#225;s direto do po&#231;o) recha&#231;am a ideia: eles temem perder competitividade ao pagar, indiretamente, um encargo de uma infraestrutura que n&#227;o utilizam. Esse debate anda junto da revis&#227;o tarif&#225;ria das transportadoras NTS e TAG, em discuss&#227;o na ANP (metodologia de valoriza&#231;&#227;o de ativos, par&#226;metros de WACC, etc.). A nova metodologia pode elevar a tarifa de transporte e isso muda o c&#225;lculo de quem defende incluir o custo no lance (assumindo risco) versus socializar via encargo (tirando o risco do proponente, mas diluindo no setor).</p><h2><strong>O g&#225;s natural e a flexibilidade do sistema</strong></h2><p>Se tem um combust&#237;vel que saiu dessa hist&#243;ria ainda mais relevante, &#233; o g&#225;s natural. O motivo &#233; simples: nossa matriz est&#225; cada vez mais renov&#225;vel e intermitente. Solar e e&#243;lica crescem r&#225;pido, mas n&#227;o entregam pot&#234;ncia firme. Algu&#233;m precisa segurar a ponta e as t&#233;rmicas a g&#225;s fazem isso bem. Al&#233;m disso, as regras do LRCAP favorecem a fonte, a qual &#233; competitiva, mas precisa de contratos longos e modelos de remunera&#231;&#227;o mais seguros.</p><p>Falando de cen&#225;rio global, o g&#225;s natural continua crescendo. O mercado de GNL (G&#225;s Natural Liquefeito) acelerou uma nova onda de projetos nos EUA, no Qatar e em outros polos produtores, com entrada em opera&#231;&#227;o gradual entre meados desta d&#233;cada e o in&#237;cio da pr&#243;xima. Essa expans&#227;o amplia a oferta e d&#225; mais flexibilidade contratual. Na pr&#225;tica: mais mol&#233;cula dispon&#237;vel e menos depend&#234;ncia de um &#250;nico fornecedor resultam em um pre&#231;o global de g&#225;s mais competitivo para quem compra bem.</p><p>O custo final para gerar energia com g&#225;s natural soma tr&#234;s blocos: a mol&#233;cula (produ&#231;&#227;o dom&#233;stica ou GNL), o escoamento/processamento (do campo de produ&#231;&#227;o at&#233; unidade de processamento) e o transporte at&#233; a usina (al&#233;m de tributos). O que pode baratear essa conta? Tr&#234;s movimentos combinados: 1) a nova capacidade global de GNL pressionando para baixo o pre&#231;o da mol&#233;cula, 2) mais competi&#231;&#227;o e transpar&#234;ncia nas etapas de <em>midstream</em> (acesso &#224; malha, revis&#227;o tarif&#225;ria de gasodutos, contrata&#231;&#227;o de capacidade mais flex&#237;vel) e 3) pol&#237;ticas do governo como o G&#225;s para Empregar para reduzir inefici&#234;ncias, atritos regulat&#243;rios e tribut&#225;rios. Quando esses fatores andam juntos, a curva de lances em leil&#245;es de capacidade melhora, mesmo para usinas que rodam poucas horas por ano.</p><p>A lei do g&#225;s de 2021, que tamb&#233;m j&#225; abordamos em outro artigo, abriu espa&#231;o para mais agentes no transporte e na comercializa&#231;&#227;o, e a monetiza&#231;&#227;o do g&#225;s associado do pr&#233;-sal vem ganhando prioridade, o que ajuda a reduzir a queima em plataforma e amplia a oferta dom&#233;stica ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, terminais de GNL espalhados pelo litoral aumentam a &#8220;opcionalidade&#8221; de suprimento, permitindo arbitrar entre produ&#231;&#227;o nacional e importa&#231;&#227;o conforme mercado e c&#226;mbio.</p><p>Outra pe&#231;a crucial &#233; o papel do g&#225;s na flexibilidade de ciclos mais longos. Baterias est&#227;o sendo cada vez mais vi&#225;veis em janelas de 1 a 4 horas, e o g&#225;s entra quando a necessidade dura um per&#237;odo superior a este. Usinas de partida r&#225;pida (aeroderivativas e motores a g&#225;s) respondem em minutos e encaixam bem no servi&#231;o de ponta; j&#225; ciclos combinados entregam efici&#234;ncia elevada quando precisamos de pot&#234;ncia por muitas horas seguidas. Essa combina&#231;&#227;o de resposta r&#225;pida e efici&#234;ncia &#233; exatamente o que o sistema brasileiro procura enquanto solar e e&#243;lica seguem escalando e ainda n&#227;o temos uma pol&#237;tica favor&#225;vel para projetos de armazenamento.</p><p>Quando se fala sobre sustentabilidade e emiss&#245;es de CO2 do g&#225;s natural comparado a fontes renov&#225;veis, a discuss&#227;o costuma ser fria e n&#227;o leva em considera&#231;&#227;o que, para expans&#227;o de renov&#225;veis, &#233; necess&#225;rio seguran&#231;a energ&#233;tica e, enquanto n&#227;o temos a capacidade de suprir com baterias ou outras fontes, o g&#225;s tem um papel essencial via mecanismos de capacidade que o utiliza apenas quando necess&#225;rio. Al&#233;m disso, dentre as fontes t&#233;rmicas ele possui benef&#237;cios claros em rela&#231;&#227;o ao carv&#227;o, com 3x menos emiss&#245;es, e ao &#243;leo, com 2x menos emiss&#245;es. Biocombust&#237;veis tamb&#233;m podem ter um papel importante nessa cadeia, mas dada sua menor viabilidade financeira e complexidade da cadeia de suprimento, levam menos vantagem a curto prazo.</p><h2><strong>Outras fontes de flexibilidade est&#227;o chegando</strong></h2><p>O Brasil tem buscado alternativas para gest&#227;o de flexibilidade e as baterias devem ser uma das principais fontes para esse papel. Em outros pa&#237;ses elas j&#225; competem com t&#233;rmicas para atender picos curtos de 1 a 4 horas e por isso o governo j&#225; estrutura um leil&#227;o espec&#237;fico e que deve ser publicado em 2026. A lei 14.182/2021 buscou desenvolver o LRCAP para regi&#245;es sem infraestrutura de g&#225;s, mas dada a complexidade de interliga&#231;&#227;o da malha, projetos de g&#225;s natural tem limita&#231;&#245;es claras. E a&#237; entram as baterias, que podem ser colocadas na ponta da carga (subesta&#231;&#245;es urbanas, corredores congestionados ou junto a projetos solares ou e&#243;licos), aliviando restri&#231;&#245;es de rede, evitando refor&#231;os caros e reduzindo perdas.</p><p>J&#225; o Programa de Resposta a Demanda (RD) vem crescendo no Brasil com mais empresas aderindo e sendo remuneradas diretamente por redu&#231;&#227;o de pot&#234;ncia. No m&#234;s passado ocorreu o segundo leil&#227;o do produto disponibilidade organizado pela CCEE e ONS, onde os consumidores (ou agregadores representando conjuntos de consumidores) fazem uma oferta para receber um valor fixo por m&#234;s para ficarem dispon&#237;veis para quando o operador requisitar em dois "produtos": estar dispon&#237;vel por at&#233; 6 dias ou 4 dias. Foram mais de 200 MW contratados, o que j&#225; mostra que o programa &#233; real e pode trazer benef&#237;cios claros. Falaremos mais em detalhe sobre o programa em outros artigos.</p><p>O Programa de Resposta da Demanda (RD) finalmente ganhou tra&#231;&#227;o por aqui. Cada vez mais empresas est&#227;o topando ser pagas para ficar dispon&#237;veis e, quando o ONS precisar, reduzir consumo por algumas horas para aliviar a ponta. No segundo mecanismo competitivo realizado em 16/jul/2025, o ONS abriu a compra de dois produtos de disponibilidade, um com at&#233; 6 acionamentos por m&#234;s e outro com at&#233; 4 acionamentos por m&#234;s, sempre em janelas de 4 horas. Os consumidores (ou agregadores que re&#250;nem v&#225;rios consumidores) deram seus lances em R$/MW e passar&#227;o a receber uma receita fixa de disponibilidade e uma parcela vari&#225;vel ao PLD quando s&#227;o efetivamente acionados. Foram 229 MW contratados nessa rodada, com des&#225;gios de at&#233; 32,5%, um sinal claro de que o programa &#233; real, competitivo e traz benef&#237;cios concretos para a confiabilidade do sistema.</p><p>Se as regras valorizarem o que resolve o problema f&#237;sico &#8212; pot&#234;ncia r&#225;pida nas horas certas e cobertura adequada para os eventos longos &#8212;, veremos baterias e RD deslocando parte do uso do g&#225;s nos picos di&#225;rios, enquanto o g&#225;s permanece como seguro estrutural para janelas prolongadas e conting&#234;ncias. No Brasil, isso significa desenhar um LRCAP que aceite portf&#243;lios h&#237;bridos (solar/vento + bateria, t&#233;rmica + RD), crie produtos por dura&#231;&#227;o e permita agregadores competirem de igual para igual.</p><h2><strong>Conclus&#227;o</strong></h2><p>O LRCAP &#233; uma pe&#231;a estrat&#233;gica para garantir que o Brasil consiga crescer sua matriz renov&#225;vel sem abrir m&#227;o da seguran&#231;a el&#233;trica. O g&#225;s natural ganha relev&#226;ncia contratual como seguro de confiabilidade nos pr&#243;ximos anos, especialmente via mecanismos de capacidade. Se a regula&#231;&#227;o reconhecer bem a flexibilidade (pagando por disponibilidade e desempenho) e der previsibilidade ao custo de transporte, veremos projetos mais competitivos disputando espa&#231;o com solu&#231;&#245;es de armazenamento, que tamb&#233;m v&#227;o crescer. O caminho vencedor n&#227;o &#233; &#8220;g&#225;s ou baterias&#8221;, e sim &#8220;g&#225;s e baterias&#8221;, cada um no seu papel.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O futuro das baterias]]></title><description><![CDATA[O que esperar das bateriais na rede el&#233;trica no futuro? E como estamos no Brasil?]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-das-baterias</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-das-baterias</guid><dc:creator><![CDATA[Felipe Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Mon, 04 Aug 2025 14:35:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p><p>No artigo passado, vimos que as baterias s&#227;o recursos flex&#237;veis, confi&#225;veis e de resposta r&#225;pida, que podem capturar diferentes tipos de receita como as de contratos de capacidade, arbitragem temporal de pre&#231;os e servi&#231;os ancilares. E por isso mesmo est&#227;o sendo implementadas em larga escala pelo mundo e devem ultrapassar hidrel&#233;tricas revers&#237;veis este ano como principal fonte de armazenamento de sistemas el&#233;tricos pelo mundo. Mas como esse mercado est&#225; se desenvolvendo no Brasil? E quais as perspectivas futuras de evolu&#231;&#227;o da tecnologia e suas aplica&#231;&#245;es? S&#227;o perguntas que vamos explorar nesse artigo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p><strong>Baterias no Brasil</strong></p><p>Enquanto em pa&#237;ses como China e Estados Unidos, projetos de dezenas ou centenas de MW de baterias se tornaram comuns, no Brasil implementa&#231;&#245;es nesta escala ainda n&#227;o s&#227;o uma realidade. Existe o potencial, especialmente de projetos colocalizados com grandes usinas solares e e&#243;licas que est&#227;o sofrendo com o <em>curtailment </em>(assunto abordado em outros artigos do Clima Rent&#225;vel). As baterias permitem armazenar a energia que seria &#8220;jogada fora&#8221; pela restri&#231;&#227;o de inje&#231;&#227;o imposta pelo ONS, e injet&#225;-la na rede quando existe capacidade dispon&#237;vel, mantendo a receita prevista inicialmente com os projetos. Ainda assim, a conta fecha com dificuldade e o mercado ainda espera regras mais claras para tirar esses projetos da gaveta<strong>.</strong></p><p>Em paralelo, diante da press&#227;o do setor, o regulador est&#225; se movimentando. O MME publicou diretrizes para um Leil&#227;o de Reserva de Capacidade (pot&#234;ncia) com baterias em 2025, o primeiro do tipo, com contratos propostos de 10 anos, in&#237;cio em 1&#186; de julho de 2029 e 4 horas/dia de despacho. Dado o atraso em outros leil&#245;es previstos para este ano, a chance desse leil&#227;o ser viabilizado ainda em 2025 parece baixa, mas empresas seguem se estruturando e refinando seus projetos. Esse tipo de leil&#227;o/requisitos direcionados foram fundamentais para o desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia em outros lugares do mundo.</p><p>J&#225; no mercado de sistemas de pequena escala junto ao ponto de consumo (<em>behind the meter </em>no jarg&#227;o da ind&#250;stria), o movimento &#233; mais n&#237;tido, em aplica&#231;&#245;es que combinam energia solar e baterias. H&#225; alguns anos, vender sistemas solares junto a carga era sin&#244;nimo de margem alta e ciclo de venda curto. Mas nos &#250;ltimos anos, o pre&#231;o dos pain&#233;is despencou, a concorr&#234;ncia aumentou e as margens foram muito espremidas. Resultado? Integradores solares correram atr&#225;s das baterias para buscar uma diferencia&#231;&#227;o de mercado e recuperar o resultado financeiro por terem <em>tickets</em> mais altos (em projetos t&#237;picos o <em>ticket</em> m&#233;dio vai de R$ 20.000 para R$ 60.000). Por&#233;m, quem apostou nisso, rapidamente percebeu que n&#227;o era t&#227;o simples assim. Vender baterias n&#227;o &#233; como vender pain&#233;is solares. O cliente tem d&#250;vidas t&#233;cnicas mais profundas, o financiamento n&#227;o &#233; t&#227;o simples, e a viabilidade financeira que todo mundo prometia, muitas vezes n&#227;o &#233; real. &#201; preciso dimensionar bem, entender perfil de consumo, ciclos de carga/descarga, tarifas, e ainda explicar tudo isso de forma simples para o cliente. Resumindo, a venda de baterias &#233; t&#233;cnica, complexa e ainda n&#227;o explodiu como os mais animados previram.</p><p>J&#225; para empresas de maior porte e com acesso a capital, a busca est&#225; sendo para consumidores industriais e comerciais com impacto relevante de redu&#231;&#227;o do uso da rede no hor&#225;rio de ponta (aqueles hor&#225;rios em que a energia fica mais cara) e para os consumidores na fronteira agr&#237;cola onde em geral o sol brilha forte, mas a energia n&#227;o chega. Apesar de nesses casos a viabilidade financeira ser maior, cada projeto precisa de uma an&#225;lise profunda e sob medida. Tem lugar em que funciona bem, como em <em>shopping centers</em> e hospitais em locais espec&#237;ficos, onde a economia em hor&#225;rios de ponta paga o investimento em poucos anos, ou em regi&#245;es como o MATOPIBA (regi&#227;o formada por parte dos estados da Bahia, Piau&#237;, Maranh&#227;o e Tocantins) em plena expans&#227;o agr&#237;cola e com infraestrutura el&#233;trica insuficiente. Ent&#227;o, com nichos bem espec&#237;ficos e com consumidores aguardando para ver aplica&#231;&#245;es reais em funcionamento, o jogo ainda &#233; de paci&#234;ncia e escala menor por aqui.</p><p><strong>Um Futuro Promissor mas com Obst&#225;culos pelo Caminho</strong></p><p>Se olharmos apenas os direcionadores de demanda, o futuro das baterias na rede el&#233;trica no mundo &#233; extremamente promissor. Primeiramente, o aumento da demanda de energia el&#233;trica &#233; praticamente uma realidade incontorn&#225;vel. A BNEF (Bloomberg New Energy Finance) projeta um aumento global de demanda por energia el&#233;trica de 75% at&#233; 2050 no seu cen&#225;rio de Transi&#231;&#227;o Econ&#244;mica, explicado pelo aumento da penetra&#231;&#227;o de ve&#237;culos el&#233;tricos, demanda crescente por ar-condicionados e crescimento acelerado da ind&#250;stria de data centers. E com a inexor&#225;vel queda de custos de energia solar e e&#243;lica, estas fontes devem representar grande parte dessa expans&#227;o passando de 33% da gera&#231;&#227;o em 2024 para 67% em 2050.</p><p>Mesmo com redes mais inteligentes e demanda responsiva, um sistema com tantas fontes intermitentes precisar&#225; de fontes flex&#237;veis e despach&#225;veis como as baterias para evitar o seu colapso f&#237;sico e econ&#244;mico. Como vimos no <a href="https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-da-energia-solar">artigo 3 - O futuro da energia solar</a>, o valor da energia solar &#233; decrescente &#224; medida que a sua penetra&#231;&#227;o aumenta na rede el&#233;trica. As baterias s&#227;o a forma mais direta de atacar essa &#8220;defla&#231;&#227;o de valor&#8221; permitindo que a energia solar seja injetada na rede nos momentos de maior demanda. Assim, a BNEF projeta por exemplo que a capacidade agregada de baterias estacion&#225;rias atingir&#225; mais de 2.000 GW em 2035, crescendo mais de 20 vezes em rela&#231;&#227;o &#224; capacidade instalada no final de 2023 (90 GW). O gr&#225;fico abaixo mostra como boa parte do crescimento da energia solar na Europa nos pr&#243;ximos anos ser&#225; acompanhado por baterias.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png" width="663" height="348" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:348,&quot;width&quot;:663,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OfiW!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F97551b85-3d1e-4d87-9bb4-b20fe6d996c2_663x348.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Crescimento da capacidade instalada de baterias vs. gera&#231;&#227;o solar na Europa</em></p><p><em>Fonte: S&amp;P</em></p><p>No entanto, do lado da oferta, h&#225; obst&#225;culos significativos para que essa realidade se materialize. Primeiramente a produ&#231;&#227;o de materiais utilizados nas baterias de &#237;on-l&#237;tio precisa escalar de forma acelerada. Os materiais mais cr&#237;ticos s&#227;o o pr&#243;prio l&#237;tio, o n&#237;quel e o cobalto. Felizmente, n&#237;quel e cobalto n&#227;o s&#227;o utilizados na configura&#231;&#227;o de baterias mais comum para usos estacion&#225;rios (baterias de fosfato de ferro-l&#237;tio). Mas o l&#237;tio &#233; incontorn&#225;vel e as reservas s&#227;o concentradas em poucos locais (especialmente Chile e Austr&#225;lia) e a sua extra&#231;&#227;o e refino exigem grandes quantidades de &#225;gua e geram subprodutos t&#243;xicos que podem contaminar aqu&#237;feros. Al&#233;m disso, existe incerteza quanto &#224; capacidade da ind&#250;stria de acompanhar o ritmo de crescimento da demanda.</p><p>Outro desafio &#233; a concentra&#231;&#227;o da fabrica&#231;&#227;o de baterias. Atualmente 80% das c&#233;lulas de baterias do mundo s&#227;o fabricadas na China por gigantes como a CATL e a BYD. Essa concentra&#231;&#227;o, semelhante &#224; que ocorre no mercado de pain&#233;is solares, tem preocupado governos de diversos pa&#237;ses, especialmente dos EUA, o segundo maior mercado do mundo para baterias estacion&#225;rias. No governo Biden, a legisla&#231;&#227;o chamada de Inflation Reduction Act j&#225; havia criado incentivos fiscais para a fabrica&#231;&#227;o de baterias nos EUA, al&#233;m de muitos outros incentivos para energias limpas. A lei or&#231;ament&#225;ria aprovada recentemente no governo Trump cortou muitos desses incentivos, mas manteve os incentivos para fabrica&#231;&#227;o de baterias nos EUA e os cr&#233;ditos para novos projetos de armazenamento de energia. Com essas e outras pol&#237;ticas semelhantes, a S&amp;P projeta que a participa&#231;&#227;o da China na fabrica&#231;&#227;o de baterias no mundo deve cair para 61% em 2030.</p><p>Finalmente, apesar de &#243;timas para armazenamento de curto prazo, as baterias de &#237;on-l&#237;tio n&#227;o s&#227;o as mais indicadas para armazenamento de m&#233;dio/longo prazo. Para entender esse conceito, precisamos explicar que as baterias s&#227;o definidas por duas grandezas: a sua pot&#234;ncia, medida em MW, e a sua capacidade de armazenamento, medida em MWh. A divis&#227;o da capacidade de armazenamento pela pot&#234;ncia indica por quantas horas uma bateria pode ser descarregada na sua pot&#234;ncia m&#225;xima. Baterias de &#237;on-l&#237;tio normalmente t&#234;m uma dura&#231;&#227;o de 2 a 4 horas, mas se tornam pouco econ&#244;micas para aplica&#231;&#245;es que exigem mais tempo de armazenamento. Isso as torna menos indicadas para armazenar energia por v&#225;rios dias ou at&#233; entre esta&#231;&#245;es. Para aplica&#231;&#245;es de longa dura&#231;&#227;o (a partir de 8 horas), outras tecnologias est&#227;o sendo desenvolvidas como veremos a seguir.</p><p><strong>Alternativas Tecnol&#243;gicas</strong></p><p>Al&#233;m de varia&#231;&#245;es na tecnologia de &#237;on-l&#237;tio, outras composi&#231;&#245;es qu&#237;micas est&#227;o sendo avaliadas para baterias. Uma das mais promissoras s&#227;o as baterias com &#237;ons de s&#243;dio, um material muito mais abundante e barato do que o l&#237;tio. Al&#233;m disso, estas baterias t&#234;m a vantagem de serem menos inflam&#225;veis do que as de &#237;on-l&#237;tio (a maior preocupa&#231;&#227;o de seguran&#231;a em projetos de baterias de &#237;on-l&#237;tio &#233; o risco de inc&#234;ndio).</p><p>Outra tecnologia promissora &#233; a de metal-ar que apesar de desafios, como a efici&#234;ncia de carga e descarga, tem a vantagem de permitir armazenamento por longos per&#237;odos, chegando at&#233; a 100 horas, a custos potencialmente competitivos. Uma das startups desenvolvendo essa tecnologia &#233; a Form Energy, que recebeu um aporte da Breakthrough Energy, fundo criado por Bill Gates.</p><p>Outra solu&#231;&#227;o s&#227;o as baterias de fluxo que armazenam energia em eletr&#243;litos l&#237;quidos guardados em tanques externos que circulam por uma c&#233;lula eletroqu&#237;mica onde ocorrem as rea&#231;&#245;es de carga e descarga; como a pot&#234;ncia (tamanho da c&#233;lula) e a capacidade (volume dos tanques) s&#227;o dimensionadas separadamente, elas permitem ampliar o tempo de armazenamento de poucas horas para v&#225;rios dias a um custo marginalmente baixo, algo dif&#237;cil para baterias de &#237;on-l&#237;tio. Al&#233;m da escalabilidade, estas baterias oferecem vida &#250;til mais longa (dezenas de milhares de ciclos), baixos riscos de inc&#234;ndio e facilidade de reciclagem. As composi&#231;&#245;es qu&#237;micas comerciais ou em est&#225;gio avan&#231;ado incluem van&#225;dio-van&#225;dio (van&#225;dio redox), zinco-bromo, ferro-ferro e f&#243;rmulas org&#226;nicas ou h&#237;bridas em desenvolvimento.</p><p>Finalmente h&#225; outras formas de armazenar energia el&#233;trica que n&#227;o envolvem baterias. A op&#231;&#227;o mais consagrada s&#227;o as hidrel&#233;tricas revers&#237;veis em que a &#225;gua &#233; bombeada para um reservat&#243;rio para armazenar energia e &#233; utilizada para girar a turbina de uma usina hidroel&#233;trica no momento da descarga. O mundo contava com 179 GW de capacidade instalada desta tecnologia em 2023. As hidrel&#233;tricas revers&#237;veis permitem armazenar energia por longos per&#237;odos, at&#233; mesmo entre esta&#231;&#245;es do ano em alguns casos. O Brasil tem um potencial significativo para uso dessa solu&#231;&#227;o no seu parque hidroel&#233;trico, mas ainda n&#227;o h&#225; uma regula&#231;&#227;o espec&#237;fica que estimule o seu desenvolvimento.</p><p>Outras formas de armazenar energia por longos per&#237;odos s&#227;o comprimindo ar em reservat&#243;rios subterr&#226;neos e at&#233; empilhando grandes blocos s&#243;lidos, solu&#231;&#227;o curiosa que ainda n&#227;o atingiu (e talvez nunca atinja) a maturidade comercial, apesar de ser conceitualmente elegante (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=dQSOj-LfaSE">Energy Vault: Gravity Energy Storage</a>)</p><p><strong>Vehicle-to-grid (V2G)</strong></p><p>A tecnologia de armazenamento estacion&#225;rio de energia est&#225; em crescimento acelerado, mas ainda representa uma fra&#231;&#227;o pequena do total de baterias de &#237;on-l&#237;tio produzidas no mundo &#8212; a maior parte vai para ve&#237;culos el&#233;tricos (EVs). Como vimos no artigo passado, em 2022, 550 GWh de baterias foram produzidas para a ind&#250;stria de ve&#237;culos el&#233;tricos, comparados a &#8220;apenas&#8221; 35 GWh para sistemas estacion&#225;rios.</p><p>Essa disparidade levanta uma pergunta interessante: seria poss&#237;vel aproveitar a imensa capacidade de armazenamento dos EVs, conectando-os &#224; rede el&#233;trica para operar como uma bateria estacion&#225;ria? Esse &#233; o conceito de Vehicle-to-Grid (V2G), no qual ve&#237;culos el&#233;tricos devolvem energia &#224; rede quando demandados, funcionando como parte de uma grande bateria virtual. V2G pode oferecer grandes benef&#237;cios: evita os custos de conex&#227;o de novas usinas, utiliza baterias j&#225; existentes e oferece resili&#234;ncia por ser descentralizado.</p><p>No entanto, h&#225; desafios t&#233;cnicos importantes. A maioria dos carregadores e ve&#237;culos ainda n&#227;o suporta recarga bidirecional, e h&#225; poucos modelos compat&#237;veis (como o Nissan Leaf e o Ford F-150 Lightning). Al&#233;m disso, o comportamento dos usu&#225;rios precisa ser considerado: os donos dos ve&#237;culos geralmente querem manter um n&#237;vel m&#237;nimo de carga para evitar ficarem na m&#227;o quando precisam do carro. Tamb&#233;m &#233; dif&#237;cil prever quantos EVs estar&#227;o dispon&#237;veis para fornecer energia em determinado momento, o que limita a previsibilidade para contratos com a rede. A pr&#243;pria mensura&#231;&#227;o da contribui&#231;&#227;o de tantas baterias dispersas &#224; rede el&#233;trica &#233; igualmente desafiadora.</p><p>Apesar disso, o potencial &#233; enorme. Se apenas 10% dos EVs produzidos em 2022 fossem conectados via V2G, ter&#237;amos 50 GWh adicionais de armazenamento &#8212; o que poderia transformar a forma como a rede el&#233;trica opera. Poder&#225; existir, em um futuro n&#227;o muito distante, uma oportunidade de neg&#243;cio relevante de agregar esse volume gigantesco de baterias e faz&#234;-las trabalhar de forma orquestrada, em um modelo chamado de <em>Virtual Power Plan</em>t (VPP).</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>Me dei conta que nestes dois artigos, ainda n&#227;o mostramos a &#8220;cara&#8221; de um projeto de baterias estacion&#225;rias. Ent&#227;o a&#237; vai. Basicamente um projeto de baterias de larga escala s&#227;o uma s&#233;rie de cont&#234;ineres customizados um pouco maiores do que cont&#234;ineres de transporte que armazenam as baterias, os equipamentos de prote&#231;&#227;o e resfriamento e, em alguns casos, os sistemas de convers&#227;o de energia (no projeto da foto abaixo estes ficam em compartimentos separados). A fia&#231;&#227;o &#233; geralmente subterr&#226;nea e o projeto se conecta &#224; rede em uma subesta&#231;&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png" width="1024" height="731" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:731,&quot;width&quot;:1024,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!esH9!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46605afa-a653-4f82-9ab5-19d255d0f14e_1024x731.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Crimson Energy Storage 350MW/1,400MWh na Calif&#243;rnia</em></p><p><em>Fonte: Recurrent Energy</em></p><p>Projetos de larga escala como o mostrado na imagem est&#227;o se tornando cada vez mais comuns no mundo. A maior bateria em constru&#231;&#227;o, por exemplo, a Warratah Super Battery na Austr&#225;lia conta com 850 MW de pot&#234;ncia (mais do que Angra 1 que tem 640 MW) e 1680 MWh de capacidade de armazenamento. Como vimos no artigo, veremos cada vez mais projetos desse tipo conectados &#224; rede, em alguns casos integrados a usinas solares ou e&#243;licas e em outros casos como projetos isolados. &#201; uma tecnologia vers&#225;til e capaz de atacar diferentes desafios da rede el&#233;trica como integra&#231;&#227;o de renov&#225;veis, balanceamento da rede, redu&#231;&#227;o de curtailment, aumento da confiabilidade e at&#233; substitui&#231;&#227;o de investimentos na rede de transmiss&#227;o e distribui&#231;&#227;o (como &#233; o caso da Warratah Super Battery).</p><p>J&#225; no Brasil, vimos que mesmo com toda a expectativa gerada, as baterias ainda n&#227;o estouraram como se esperava. Os custos da tecnologia continuam caindo, mas ainda n&#227;o o suficiente para viabilizar aplica&#231;&#245;es em larga escala por aqui. Impostos, log&#237;stica, taxa de juros s&#227;o obst&#225;culos relevantes. E mais importante: falta um modelo de neg&#243;cio claro, regulamenta&#231;&#227;o firme e empilhamento de receitas (ou seja, mais de uma fonte de receita com a mesma bateria, tal como acontece em mercados mais maduros).</p><p>Para quem quer investir ou j&#225; est&#225; nesse mercado, prevalece a paci&#234;ncia, foco e an&#225;lise detalhada de cada caso. O cen&#225;rio indica que o armazenamento tem um papel importante no portf&#243;lio de investidores e desenvolvedores de projetos, mas pode ser um risco elevado para quem aposta como linha de neg&#243;cio principal. O posicionamento assertivo desde j&#225; perante a cadeia de suprimentos e aproxima&#231;&#227;o de nicho de clientes com maior potencial de aplica&#231;&#227;o, ser&#225; um grande diferencial &#224; medida que o custo das baterias continua a cair e novas fontes de receita s&#227;o desenvolvidas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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A ind&#250;stria de baterias estacion&#225;rias se desenvolveu pegando carona no avan&#231;o da tecnologia de baterias de &#237;on-l&#237;tio, desenvolvidas inicialmente para eletr&#244;nicos e depois para ve&#237;culos el&#233;tricos. Por serem ativos flex&#237;veis, confi&#225;veis e de resposta r&#225;pida, as baterias podem capturar diferentes tipos de receita como as de contratos de capacidade, arbitragem temporal de pre&#231;os e servi&#231;os ancilares.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p><strong>Introdu&#231;&#227;o</strong></p><p>As redes el&#233;tricas foram constru&#237;das com base em duas premissas b&#225;sicas: 1. gera&#231;&#227;o e consumo devem se igualar a cada instante; 2. como o consumo n&#227;o &#233; control&#225;vel (pelo menos sem causar impactos nos consumidores), &#233; a gera&#231;&#227;o que deve reagir a mudan&#231;as de consumo e n&#227;o o contr&#225;rio. Esse modelo funcionou bem por muito tempo, j&#225; que praticamente toda a gera&#231;&#227;o (termel&#233;tricas e hidrel&#233;tricas essencialmente) era despach&#225;vel, ou seja, um operador podia decidir a cada momento quanto cada usina deveria gerar para manter o sistema equilibrado.</p><p>No entanto, isso come&#231;a a mudar quando usinas e&#243;licas e solares fotovoltaicas s&#227;o introduzidas na equa&#231;&#227;o. Essas usinas t&#234;m a caracter&#237;stica de serem intermitentes, isto &#233;, a gera&#231;&#227;o n&#227;o est&#225; dispon&#237;vel de forma cont&#237;nua, sofrendo varia&#231;&#245;es ao longo do dia, e n&#227;o s&#227;o despach&#225;veis, ou seja, o operador pode at&#233; deslig&#225;-las, mas n&#227;o for&#231;&#225;-las a gerar quando n&#227;o h&#225; recursos solares ou e&#243;licos dispon&#237;veis. Enquanto renov&#225;veis intermitentes representavam uma pequena parcela da gera&#231;&#227;o, as usinas despach&#225;veis conseguiam absorver tranquilamente essas varia&#231;&#245;es, mas equilibrar o sistema come&#231;a a ficar complicado &#224; medida que a penetra&#231;&#227;o das renov&#225;veis aumenta nas redes el&#233;tricas.</p><p>A&#237; &#233; que entram os sistemas de armazenamento de energia. Eles n&#227;o s&#227;o exatamente uma novidade: h&#225; d&#233;cadas se estoca energia em hidrel&#233;tricas revers&#237;veis. No entanto, a sua necessidade e escala aumentaram muito na &#250;ltima d&#233;cada. E a tecnologia dominante mudou: as baterias (BESS na sigla em ingl&#234;s <em>Battery Energy Storage Systems</em>) se tornaram dominantes em novas instala&#231;&#245;es por motivos que veremos ao longo deste artigo. No final de 2023 j&#225; havia 90 GW (praticamente toda a capacidade hidroel&#233;trica brasileira) de BESS instalados no mundo, sendo que 42 GW foram instalados apenas em 2023. O que explica esse crescimento e como essas baterias est&#227;o sendo utilizadas? Neste artigo vamos apresentar uma vis&#227;o global do neg&#243;cio de baterias conectadas &#224; rede el&#233;trica (chamadas tamb&#233;m de baterias estacion&#225;rias) e, em um pr&#243;ximo artigo, cobriremos perspectivas para o futuro, especialmente no mercado brasileiro.</p><p><strong>A Evolu&#231;&#227;o da Tecnologia</strong></p><p>Baterias s&#227;o sistemas que convertem energia qu&#237;mica em energia el&#233;trica. Uma bateria tem dois terminais, sendo um positivo (c&#225;todo) e um negativo (&#226;nodo) que, ao serem conectados, trocam el&#233;trons como parte de uma rea&#231;&#227;o qu&#237;mica envolvendo as subst&#226;ncias presentes nos terminais. As baterias modernas foram inventadas em 1799 pelo cientista italiano Alessandro Volta (1745-1827) que criou uma corrente entre discos de cobre e zinco separados por um tecido banhado em salmoura. No s&#233;culo XX, baterias passaram a ser produzidas em larga escala para aplica&#231;&#245;es como fonte de energia auxiliares de autom&#243;veis e dispositivos eletr&#244;nicos. No entanto, tais baterias eram caras e de baixa densidade energ&#233;tica (quantidade de energia armazenada por unidade de massa ou volume), sendo pouco utilizadas para aplica&#231;&#245;es estacion&#225;rias na rede el&#233;trica ou como a principal fonte de energia para ve&#237;culos el&#233;tricos.</p><p>Na d&#233;cada de 1970, baterias usando &#237;ons de l&#237;tio come&#231;aram a ser pesquisadas e mostraram potencial por terem alta densidade energ&#233;tica e se deteriorarem pouco ap&#243;s sucessivos ciclos de carga e descarga. Na d&#233;cada de 1990, baterias de &#237;ons de l&#237;tio passaram a ser amplamente utilizadas em eletr&#244;nicos. A tecnologia ganhou aten&#231;&#227;o e continuou a evoluir para atender aos mercados de laptops e celulares. Como atestado da sua relev&#226;ncia, em 2019, os cientistas Stanley Whittingham, John Goodenough e Akira Yoshino ganharam um pr&#234;mio Nobel pelo seu trabalho pioneiro em baterias de &#237;on-l&#237;tio.</p><p>A evolu&#231;&#227;o da tecnologia e a queda de custo das baterias de &#237;on-l&#237;tio tornaram novos usos vi&#225;veis, especialmente a produ&#231;&#227;o em massa de ve&#237;culos el&#233;tricos a partir da d&#233;cada de 2010. Impulsionada pela gigantesca escala de produ&#231;&#227;o de ve&#237;culos el&#233;tricos, os custos de baterias de &#237;on-l&#237;tio ca&#237;ram de forma acentuada na &#250;ltima d&#233;cada, vivenciando uma curva de experi&#234;ncia semelhante &#224; da energia solar fotovoltaica (ver <a href="https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-da-energia-solar">O Futuro da Energia Solar</a>). Estudo da Bloomberg New Energy Finance aponta por exemplo uma queda real de 82% no custo de baterias de &#237;on-l&#237;tio nos dez anos entre 2013 e 2023.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AbIq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff0ea7802-5a00-463f-aaaf-7fe3f86eea66_681x364.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AbIq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff0ea7802-5a00-463f-aaaf-7fe3f86eea66_681x364.png 424w, 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x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Custos globais de baterias de &#237;on-l&#237;tio entre 2013-2023</em></p><p><em>Fonte: <a href="https://about.bnef.com/insights/clean-energy/lithium-ion-battery-pack-prices-hit-record-low-of-139-kwh/">Bloomberg New Energy Finance</a></em></p><p>Essa evolu&#231;&#227;o da tecnologia combinada com o aumento da penetra&#231;&#227;o de renov&#225;veis nas redes el&#233;tricas come&#231;a a viabilizar usos de baterias estacion&#225;rias. No per&#237;odo de 2009-2014 esse movimento come&#231;a de forma t&#237;mida e experimental na forma de projetos-piloto apoiados por subs&#237;dios. Entretanto, na segunda metade da d&#233;cada de 2010, o mercado cresce de forma exponencial e as baterias se tornam recursos fundamentais para o balanceamento da rede el&#233;trica em alguns mercados, como o da Calif&#243;rnia. O gr&#225;fico abaixo mostra a contribui&#231;&#227;o de cada fonte para o sistema el&#233;trico da Calif&#243;rnia em um dia de abril deste ano. Podemos ver claramente como as baterias (<em>Storage</em> no gr&#225;fico) se tornaram fundamentais para compensar a interrup&#231;&#227;o da gera&#231;&#227;o solar no final da tarde.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jy7a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa0b6b75-b81b-4228-a543-f952cdf72c6b_703x424.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jy7a!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa0b6b75-b81b-4228-a543-f952cdf72c6b_703x424.png 424w, 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Gera&#231;&#227;o na rede da Calif&#243;rnia (&#225;rea de opera&#231;&#227;o da CAISO) em 21 e 22 de abril de 2025</em></p><p><em>Fonte: https://blog.gridstatus.io/caiso-solar-storage-spring-2025/</em></p><p><strong>Os Business Cases de Baterias</strong></p><p>Mas como ativo de investimento, como as baterias estacion&#225;rias se viabilizam? Obviamente para al&#233;m de projetos-piloto financiados com recursos de P&amp;D, investidores v&#227;o buscar fontes de receita que viabilizem o investimento nestes sistemas. Estas podem ser garantidas por contratos de longo prazo ou dependentes da atua&#231;&#227;o di&#225;ria em mercados din&#226;micos. Vamos explorar as principais fontes de receita de baterias.</p><p><em>Contratos de Capacidade</em></p><p>Em muitas redes el&#233;tricas, alguns ativos s&#227;o remunerados simplesmente por estarem dispon&#237;veis e poderem ser rapidamente acionados pelo operador quando h&#225; demanda. Esse papel tradicionalmente &#233; desempenhado por usinas termel&#233;tricas, como &#233; o caso do sistema el&#233;trico brasileiro. Assim o ativo passa a contar com uma fonte de receita fixa, paga pela distribuidora de energia ou pelo operador do sistema, o que facilita a obten&#231;&#227;o de financiamento, j&#225; que os credores passam a contar com uma fonte de gera&#231;&#227;o de caixa est&#225;vel para cobrir o servi&#231;o da d&#237;vida. Na Calif&#243;rnia, por exemplo, foram os contratos de capacidade que viabilizaram grande parte da expans&#227;o das baterias estacion&#225;rias. No Brasil, leil&#245;es de capacidade especificamente voltados para baterias est&#227;o nos planos da ANEEL, mas o certame que estava planejado para esse ano foi adiado.</p><p>Na sua forma mais extrema, o projeto &#233; operado pela contraparte do contrato, ou seja, o desenvolvedor &#233; respons&#225;vel apenas por manter a bateria dispon&#237;vel, mas n&#227;o pela decis&#227;o e custos de carregar e descarregar as baterias. Esses contratos se assemelham assim a contratos de transmiss&#227;o de energia no Brasil.</p><p><em>Arbitragem de Pre&#231;os</em></p><p>Em muitos mercados de energia, os pre&#231;os variam de forma din&#226;mica ao longo do tempo para refletir as condi&#231;&#245;es de oferta e demanda de energia em um determinado momento. Isso representa uma oportunidade para baterias que podem ser carregadas em momentos de pre&#231;o baixo e descarregadas em momentos de pre&#231;os altos, capturando a margem da diferen&#231;a de pre&#231;o. Essa margem deve ser suficientemente grande para compensar as perdas do sistema (uma bateria perde entre 10 a 20% da energia ao ser carregada e descarregada) e os custos de investimento no sistema e sua manuten&#231;&#227;o. Assim, mercados com altas flutua&#231;&#245;es di&#225;rias de pre&#231;o s&#227;o os mais indicados para esse tipo de uso.</p><p>Esse &#233; o caso por exemplo do mercado de energia do Texas: um mercado altamente din&#226;mico sem pisos ou tetos para o pre&#231;o em que o equil&#237;brio entre oferta e demanda &#233; definido pelo mercado, custe o que custar. Isso tornou o Estado atrativo para projetos de baterias que se beneficiam dessa volatilidade. Para reduzir parcialmente o risco do projeto e facilitar a obten&#231;&#227;o de financiamento, surgiram instrumentos de <em>hedge</em> financeiro que garantem uma receita m&#237;nima ao operador da bateria.</p><p>Uma estrat&#233;gia de arbitragem de pre&#231;os tamb&#233;m pode viabilizar baterias acopladas a usinas solares, permitindo que parte da energia do sistema solar seja armazenada na bateria ao longo do dia para ser comercializada no hor&#225;rio de pico (usualmente no in&#237;cio da noite), em que os pre&#231;os s&#227;o mais altos. Em alguns casos, baterias nos pontos de consumo como com&#233;rcios ou resid&#234;ncias (chamada, no jarg&#227;o da ind&#250;stria, de <em>behind the meter)</em> tamb&#233;m exercem fun&#231;&#227;o semelhante, reduzindo o consumo de energia e pot&#234;ncia demandada da rede em momentos em que pre&#231;os s&#227;o mais altos.</p><p><em>Preven&#231;&#227;o de curtailment</em></p><p>Como vimos em artigos anteriores, sistemas com alta penetra&#231;&#227;o de renov&#225;veis muitas vezes n&#227;o conseguem absorver toda a energia gerada e for&#231;am usinas solares / e&#243;licas a reduzirem a sua gera&#231;&#227;o, efetivamente desperdi&#231;ando parte da energia gerada. Com uma bateria localizada junto &#224; gera&#231;&#227;o, essa energia pode ser armazenada para ser utilizada em um momento oportuno. A China, por exemplo, se tornou o maior mercado para instala&#231;&#227;o de baterias no mundo em parte pela decis&#227;o do governo de obrigar projetos solares e e&#243;licos a terem baterias integradas, de modo a reduzir o desafio do <em>curtailment</em>. Vale notar que essa decis&#227;o vai al&#233;m da l&#243;gica de otimiza&#231;&#227;o do sistema el&#233;trico sendo tamb&#233;m parte da pol&#237;tica industrial de tornar a China l&#237;der na ind&#250;stria de baterias. Hoje o pa&#237;s produz 75% das baterias do mundo e abriga a l&#237;der incontest&#225;vel da ind&#250;stria (CATL).</p><p><em>Servi&#231;os Ancilares</em></p><p>Al&#233;m do atendimento a demanda, ativos de gera&#231;&#227;o s&#227;o chamados a fornecer determinados servi&#231;os ao operador da rede el&#233;trica, de modo a manter o equil&#237;brio fino entre gera&#231;&#227;o e consumo e a qualidade da energia. Em muitos mercados, por exemplo, os geradores recebem uma receita adicional para regula&#231;&#227;o de frequ&#234;ncia, ou seja, para ajustar rapidamente a gera&#231;&#227;o para que a frequ&#234;ncia do sistema n&#227;o desvie do seu alvo (60 Hz no Brasil por exemplo), o que acontece quando gera&#231;&#227;o e consumo n&#227;o est&#227;o balanceados.</p><p>Baterias s&#227;o conectadas a redes por sistemas de convers&#227;o de energia (PCS na sigla em ingl&#234;s) que convertem a energia em corrente alternada na rede em corrente cont&#237;nua para carregar as baterias e vice-versa para descarregar as baterias. Os PCS s&#227;o ideais para executar servi&#231;os ancilares devido ao seu r&#225;pido tempo de rea&#231;&#227;o (menos de um segundo ap&#243;s serem acionados). O mercado de regula&#231;&#227;o de frequ&#234;ncia em especial tem sido importante para baterias, sendo a maior fonte de receitas no Reino Unido, por exemplo.</p><p><em>Combina&#231;&#227;o de Receitas</em></p><p>Frequentemente, uma bateria estacion&#225;ria vai gerar receita por mais de uma das vias acima. Por exemplo, um projeto pode garantir uma receita fixa com um contrato de capacidade e gerar receitas adicionais por meio da arbitragem de pre&#231;os, aumentando o seu retorno. A combina&#231;&#227;o de receitas precisa ser, no entanto, permitida pelo regulador.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>Baterias certamente vieram para ficar no sistema el&#233;trico. Elas s&#227;o uma das principais solu&#231;&#245;es para os problemas criados pela intermit&#234;ncia de renov&#225;veis (que s&#243; tendem a crescer &#224; medida que mais usinas solares e e&#243;licas entram em opera&#231;&#227;o) e est&#227;o surfando a onda da gigantesca ind&#250;stria de ve&#237;culos el&#233;tricos, que est&#225; em pleno crescimento. Em 2022, por exemplo, 550 GWh de baterias foram produzidas para a ind&#250;stria de ve&#237;culos el&#233;tricos, comparados a &#8220;apenas&#8221; 35 GWh para sistemas estacion&#225;rios.</p><p>Contudo, o desenvolvimento de um mercado pujante de baterias estacion&#225;rias dificilmente acontece de forma espont&#226;nea: o papel do desenho de mercado e da regula&#231;&#227;o s&#227;o fundamentais. Como ativos com caracter&#237;sticas &#250;nicas (s&#227;o consumo ou gera&#231;&#227;o, dependendo do momento), baterias muitas vezes n&#227;o se encaixam nas &#8220;caixinhas&#8221; existentes na regula&#231;&#227;o, sendo necess&#225;rio uma adapta&#231;&#227;o das regras do jogo ou cria&#231;&#227;o de mercados e contratos espec&#237;ficos para baterias. No Brasil, por exemplo, esse movimento ainda est&#225; para acontecer, como veremos no pr&#243;ximo artigo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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A demanda gigantesca por capacidade computacional da Intelig&#234;ncia Artificial (AI daqui em diante) se traduz em uma demanda igualmente gigantesca por energia el&#233;trica. Afinal, os servidores precisam de energia para operar e para n&#227;o fritarem com o calor que produzem. Pela primeira vez na hist&#243;ria da computa&#231;&#227;o, a disponibilidade de energia pode ser o grande gargalo para o avan&#231;o da tecnologia. Mas se energia para data centers &#233; uma poss&#237;vel dor de cabe&#231;a para empresas de tecnologia, para empresas do setor el&#233;trico surge uma grande oportunidade. Fornecer energia confi&#225;vel, relativamente barata e, de prefer&#234;ncia, renov&#225;vel para data centers pode ser um grande neg&#243;cio. Al&#233;m disso, os pr&#243;prios data centers t&#234;m caracter&#237;sticas t&#233;cnicas que permitem que eles sejam utilizados como recursos flex&#237;veis na rede el&#233;trica e prestem servi&#231;os como regula&#231;&#227;o de frequ&#234;ncia e resposta da demanda. Neste artigo, vamos detalhar o impacto dos data centers na rede el&#233;trica e destrinchar as oportunidades para empresas de energia.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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Ele tamb&#233;m armazena e gerencia os dados associados a essas aplica&#231;&#245;es e servi&#231;os.&#8221;</p><p>Os data centers surgiram juntamente com a computa&#231;&#227;o nos anos 1940. Os primeiros data centers foram espa&#231;os dedicados para abrigar grandes computadores utilizados pelas for&#231;as armadas na segunda guerra mundial. Se inicialmente computadores exigiam edif&#237;cios inteiros para abrig&#225;-los, com o tempo, o aumento da densidade computacional permitiu que computadores passassem a caber em salas dentro das empresas (&#8220;computer rooms&#8221;). Nos anos 1990, o advento dos microcomputadores reduziu drasticamente o espa&#231;o necess&#225;rio para opera&#231;&#245;es de TI. Esses microcomputadores que substitu&#237;ram os antigos mainframes passaram a ser chamados de servidores e as salas que os abrigavam de data centers.</p><p>Nos anos 1990, surge o modelo de neg&#243;cio de aluguel de espa&#231;o (e infraestrutura associada) em data centers, chamado de colocation no jarg&#227;o da ind&#250;stria. Nos anos 2000, a ind&#250;stria passa uma nova transforma&#231;&#227;o, com provedores de cloud computing oferecendo capacidade computacional por assinatura. Nos anos 2010, algumas grandes empresas passaram a dominar a opera&#231;&#227;o de grandes data centers para as suas pr&#243;prias opera&#231;&#245;es e para prestar servi&#231;os de cloud. Empresas como Amazon, Google, Microsoft e Meta s&#227;o chamadas de Hyperscalers no setor. Em alguns casos elas s&#227;o propriet&#225;rias dos seus data centers e em outros elas alugam as instala&#231;&#245;es em contratos de longo prazo, liberando espa&#231;o no balan&#231;o e ganhando em flexibilidade e em velocidade de expans&#227;o.</p><p><strong>Uma nova ind&#250;stria eletrointensiva</strong></p><p>O &#8220;tamanho&#8221; de um data center &#233; medido pela sua demanda de energia em kW, o que mostra o papel fundamental do fornecimento de eletricidade para a opera&#231;&#227;o. O consumo de energia de um data center se divide em duas parcelas: (i) o consumo de energia dos equipamentos de TI (a atividade fim dos data centers); (ii) o consumo de energia para resfriamento dos servidores e do espa&#231;o e outras demandas de suporte como as perdas el&#233;tricas do sistema que garante um fornecimento ininterrupto de eletricidade (UPS - Uninterruptible Power Supply). A raz&#227;o entre o consumo total e o consumo dos equipamentos de TI (PUE - Power Usage Effectiveness) &#233; a m&#233;trica chave de efici&#234;ncia energ&#233;tica de um data center, variando de 1,1 para instala&#231;&#245;es altamente eficientes at&#233; 2,0 para as mais ineficientes (um PUE de 2,0 quer dizer que apenas 50% da energia &#233; direcionada para os equipamentos de TI).</p><p>A capacidade instalada de data centers no mundo era de 60 GW em 2023 (excluindo a China), mas esse n&#250;mero deve mais do que dobrar, atingindo 127 GW em 2028, segundo <a href="https://www.bcg.com/publications/2025/breaking-barriers-data-center-growth">an&#225;lise do BCG</a>. 60% dessa capacidade est&#225; nos Estados Unidos pela proximidade com as opera&#231;&#245;es das empresas de tecnologia levando a baixa lat&#234;ncia (tempo para resposta a uma chamada externa), pre&#231;o competitivo de energia e preocupa&#231;&#245;es com seguran&#231;a de dados e soberania nacional.</p><p>Em termos de consumo, segundo <a href="https://www.energy.gov/articles/doe-releases-new-report-evaluating-increase-electricity-demand-data-centers">estudo do Departamento de Energia</a>, data centers representaram 4,4% do consumo de eletricidade nos Estados Unidos em 2023 ou algo pr&#243;ximo de 5,4% se adicionarmos a demanda de minera&#231;&#227;o de bitcoins, cujos dados s&#227;o mais incertos. Em 2028 segundo esse mesmo estudo esses n&#250;meros podem chegar a 6,7%-12,0% (sem considerar a demanda por minera&#231;&#227;o de bitcoins) ou 8,3%-15,2% adicionando a demanda de minera&#231;&#227;o de bitcoins.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png" width="726" height="532" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:532,&quot;width&quot;:726,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fds9!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b077b28-583a-4c9d-9ae2-d6812a44d9d0_726x532.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Demanda de energia de data centers nos EUA - Hist&#243;rico e Proje&#231;&#245;es</em></p><p><em>Fonte: DOE</em></p><p>S&#227;o n&#250;meros impressionantes que est&#227;o alterando uma trajet&#243;ria de quase 15 anos em que o consumo de energia el&#233;trica praticamente n&#227;o cresceu nos Estados Unidos. Esse aumento da demanda est&#225; levando a uma corrida de investimentos em gera&#231;&#227;o de energia de praticamente todas as fontes dispon&#237;veis (solar, e&#243;lica, g&#225;s natural e at&#233; nuclear). Como colocou o ex-CEO do Google Eric Schmidt em sess&#227;o do Congresso americano: &#8220;n&#243;s precisamos de energia em todas as formas, renov&#225;veis, n&#227;o renov&#225;veis, e n&#243;s precisamos rapidamente!&#8221;</p><p>E acho que todos j&#225; sabem o que est&#225; puxando essa demanda: AI. De um erro de arredondamento h&#225; 10 anos atr&#225;s, servidores especializados em AI j&#225; consomem cerca de 20% da energia de data centers nos EUA e a previs&#227;o do DOE &#233; de que cheguem a 39% a 58% at&#233; 2028, representando a maior parte do crescimento do setor.</p><p>Servidores de AI tem caracter&#237;sticas pr&#243;prias, como a utiliza&#231;&#227;o de GPUs (Graphics Processing Units) para permitir ao servidor rodar mais c&#225;lculos em paralelo. Esses servidores t&#234;m uma densidade de consumo de energia muito maior (30-100 kW por rack vs. 5-10 kW de servidores tradicionais). Para dar conta dessa alta densidade, necessitam de sistemas de resfriamento mais eficientes como resfriamento com l&#237;quidos que circulam pr&#243;ximos aos chips (<em>direct-to-chip liquid cooling</em>). As demandas de energia da AI se dividem em treinamento dos modelos e infer&#234;ncia (uso do modelo para fornecer respostas). Grande parte da demanda por servidores de AI vem dos Hyperscalers que devem representar 60% do crescimento da ind&#250;stria de data centers at&#233; 2028.</p><p>Esse crescimento acelerado coloca desafios relevantes para as redes el&#233;tricas. A conex&#227;o de novas instala&#231;&#245;es com alta demanda, chegando at&#233; a 200 MW, exige estudos detalhados de conex&#227;o e refor&#231;o da infraestrutura, o que pode levar um tempo incompat&#237;vel com as demandas dos desenvolvedores de data centers. Escalar a gera&#231;&#227;o de energia em tempo h&#225;bil tamb&#233;m &#233; um desafio: nos Estados Unidos o crescimento acelerado do consumo &#233; algo com que os geradores n&#227;o t&#234;m de lidar h&#225; 15 anos. Finalmente, limitar as emiss&#245;es de carbono dos data centers sem aumentar custos pode ser desafiador j&#225; que a combina&#231;&#227;o de renov&#225;veis com baterias para garantir o suprimento ininterrupto de eletricidade do qual os data centers precisam tende a ser mais caro do que usinas a g&#225;s.</p><p><strong>E no Brasil?</strong></p><p>No Brasil o impacto dos data centers na rede el&#233;trica e a oportunidade para empresas de energia s&#227;o ordens de grandeza menor, mas a ind&#250;stria est&#225; acelerando.O consumo de energia de data centers partiu de 0,51 TWh em 2021 para 1,62 TWh em 2023, quando representou 0,3% do consumo total do pa&#237;s.</p><p>No entanto, esses n&#250;meros ainda t&#237;midos escondem um pipeline relevante de novos projetos em planejamento e constru&#231;&#227;o. O desafio de conex&#227;o &#233; semelhante ao observado nos EUA como veremos a seguir.</p><p><strong>Conex&#227;o el&#233;trica como desafio</strong></p><p>Nunca houve tanta gente na fila do Operador Nacional do Sistema (ONS). S&#243; em 2025 h&#225; 40 pedidos de acesso para data centers que somam 16 GW, sendo 6 GW em S&#227;o Paulo, 5 GW no Rio Grande do Sul e mais 2 GW espalhados pelo Nordeste, al&#233;m de outros pedidos de conex&#227;o que est&#227;o sob acordo de confidencialidade. Esses volumes j&#225; for&#231;aram o ONS a negar ou postergar solicita&#231;&#245;es porque a rede de transmiss&#227;o local n&#227;o comporta essa capacidade sem refor&#231;os estruturais. A ANEEL, pressionada, abriu processos para investigar a transpar&#234;ncia do crit&#233;rio de fila e o governo incluiu as cargas de TI no Plano Decenal de Expans&#227;o de Energia pela primeira vez.</p><p>E a competi&#231;&#227;o ainda cresce com projetos de Hidrog&#234;nio Verde. Ao mesmo tempo que os data centers batem na porta do ONS, projetos de H&#8322; Verde somam investimentos anunciados de US$ 90 bi no Cear&#225; e Piau&#237; e pedem gigawatts de acesso para eletrolisadores. O governo estuda reservar 1 GW extra de escoamento apenas para quem comprovar a decis&#227;o de investimento em 2026. A corrida cria um leil&#227;o impl&#237;cito por capacidade de rede: quem trouxer contratos firmes, modelo de autoprodu&#231;&#227;o e benef&#237;cio ao sistema (demanda flex&#237;vel ou armazenamento) ganha prioridade.</p><p>&#8203;&#8203;Mesmo com o cronograma recorde de leil&#245;es de transmiss&#227;o, a expans&#227;o anual do Sistema Interligado Nacional (SIN) gira em torno de 6&#8211;7 GW de capacidade de escoamento. Apesar de relevante j&#225; est&#225; quase todo j&#225; comprometido por renov&#225;veis, Hidrog&#234;nio Verde e eletrointensivos tradicionais, como minera&#231;&#227;o. Sem solu&#231;&#245;es de gest&#227;o de flexibilidade, armazenamento ou gera&#231;&#227;o dedicada on-site, a ind&#250;stria de data centers pode enfrentar um entrave relevante para o seu crescimento. Investidores atentos est&#227;o desenvolvendo projetos que trazem sua pr&#243;pria infraestrutura. Um dos exemplos mais recentes &#233; o projeto da Casa dos Ventos em parceria com a Comerc Energia, que anunciou a constru&#231;&#227;o de um gigantesco campus de data centers no Complexo Industrial e Portu&#225;rio do Pec&#233;m (CIPP), no Cear&#225;, com conex&#227;o inicial de 300 MW j&#225; aprovada pelo ONS e possibilidade de expans&#227;o para at&#233; 900 MW.</p><p><strong>Data Centers como recurso na rede</strong></p><p>Em 2024, as usinas solares e e&#243;licas do Nordeste perderam 330 mil horas de gera&#231;&#227;o por falta de capacidade de escoamento, com preju&#237;zo estimado em R$ 1,6 bi. Colocar um mega-consumidor est&#225;vel pr&#243;ximo aos parques reduz o efeito do <em>curtailment</em> e alivia a tens&#227;o na rede. O pr&#243;prio ONS j&#225; sinaliza que dar&#225; prioridade a projetos que combinem demanda 24&#215;7 com gera&#231;&#227;o renov&#225;vel local, justamente como estrat&#233;gia para reduzir os cortes de gera&#231;&#227;o e otimizar o uso da infraestrutura existente. Os data centers, portanto, passam a ter oportunidades locacionais muito relevantes no Brasil, especialmente em regi&#245;es com alto potencial de energia renov&#225;vel e, paradoxalmente, desafios de escoamento e infraestrutura de transmiss&#227;o.</p><p>Al&#233;m de consumidores vorazes de energia, os data centers podem atuar como recursos inteligentes e flex&#237;veis para a rede el&#233;trica, funcionando, em alguns casos, como verdadeiras baterias virtuais. Por padr&#227;o, todo data center de grande porte possui sistemas de energia redundantes para garantir opera&#231;&#227;o ininterrupta baseados em gera&#231;&#227;o pr&#243;pria de energia, baterias de l&#237;tio e/ou geradores a diesel/g&#225;s natural capazes de manter o site operando por horas em caso de falha no grid. Essa infraestrutura, originalmente pensada para seguran&#231;a operacional, come&#231;a a ser integrada de forma ativa ao sistema el&#233;trico, oferecendo servi&#231;os como resposta r&#225;pida de demanda, regula&#231;&#227;o de frequ&#234;ncia, e at&#233; suporte emergencial ao grid.</p><p>Na pr&#225;tica, isso significa que, em momentos de estresse na rede (como picos de demanda ou queda repentina na gera&#231;&#227;o e&#243;lica/solar), o data center pode desligar temporariamente parte de suas cargas n&#227;o cr&#237;ticas, transferir sua opera&#231;&#227;o para geradores pr&#243;prios ou at&#233; injetar energia na rede via suas baterias, recebendo por isso remunera&#231;&#227;o atrav&#233;s de programas de servi&#231;os ancilares ou resposta da demanda. Em mercados maduros como Calif&#243;rnia e Europa, j&#225; existem contratos espec&#237;ficos onde os operadores de data centers s&#227;o remunerados por fornecer estabilidade ao grid.</p><p>Outro vetor relevante de flexibilidade energ&#233;tica nos data centers est&#225; no pr&#243;prio sistema de resfriamento, que representa entre 30% e 40% do consumo total dessas instala&#231;&#245;es. A opera&#231;&#227;o inteligente desses sistemas permite reduzir temporariamente a carga el&#233;trica, ajustando a temperatura ambiente dentro dos limites operacionais dos servidores ou utilizando estrat&#233;gias como free-cooling (resfriamento com ar externo) e liquid cooling. Startups como ZutaCore, Submer e AlfaTech est&#227;o desenvolvendo tecnologias que n&#227;o s&#243; tornam o resfriamento mais eficiente, mas tamb&#233;m permitem que ele funcione como carga flex&#237;vel, ajustando o consumo em resposta &#224;s condi&#231;&#245;es do grid. Esse tipo de solu&#231;&#227;o, que j&#225; recebe investimentos robustos nos Estados Unidos e Europa, deve come&#231;ar a ser observado tamb&#233;m como uma alavanca para aumentar a sustentabilidade e rentabilidade dos data centers no Brasil.</p><p><strong>Regi&#245;es com elevado potencial</strong></p><p>Com 17 cabos submarinos de dados (um dos maiores &#237;ndices de conectividade do mundo), Fortaleza se consolidou como a principal porta de entrada digital do Brasil, oferecendo lat&#234;ncia inferior a 60 ms at&#233; Miami e menos de 100 ms at&#233; Lisboa. Esse n&#237;vel de conectividade coloca a capital cearense no mesmo mapa global de hubs como Lisboa, Marselha e Virg&#237;nia, tornando-a extremamente atrativa para opera&#231;&#245;es de nuvem, AI e streaming. Mas a atratividade vai al&#233;m da fibra &#243;tica. O Cear&#225; combina fatores energ&#233;ticos &#250;nicos: energia e&#243;lica e solar entre as mais baratas do pa&#237;s, disponibilidade de terrenos dentro da Zona de Processamento de Exporta&#231;&#227;o (ZPE) do Porto do Pec&#233;m, com incentivos fiscais relevantes, al&#233;m de fornecimento de &#225;gua industrial e log&#237;stica consolidadas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aVcU!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3a17fe03-10e5-46c8-80c8-eefce0afbc67_639x623.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aVcU!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3a17fe03-10e5-46c8-80c8-eefce0afbc67_639x623.png 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Mapa de cabos submarinos de dados, mostrando a alta conectividade de Fortaleza</em></p><p><em>Fonte: https://www.submarinecablemap.com/</em></p><p>No entanto, Fortaleza n&#227;o &#233; um caso isolado. Outros p&#243;los est&#227;o surgindo, cada um com seus fatores locacionais espec&#237;ficos. Em S&#227;o Paulo, que concentra a maior densidade de data centers da Am&#233;rica Latina, o gargalo n&#227;o est&#225; na demanda, mas na infraestrutura el&#233;trica. Subesta&#231;&#245;es operam no limite, obrigando novos projetos a migrarem para regi&#245;es perif&#233;ricas ou at&#233; para o Rio de Janeiro, que hoje oferece folga de capacidade.</p><p>O Rio Grande do Sul desponta como uma aposta emergente, especialmente pela combina&#231;&#227;o de temperaturas m&#233;dias mais baixas, ideais para reduzir o consumo de resfriamento (free cooling), e forte desenvolvimento de energia e&#243;lica local. Contudo, o estado j&#225; soma 5 GW de pedidos de acesso s&#243; para data centers, cuja viabiliza&#231;&#227;o depende diretamente da constru&#231;&#227;o da nova linha de 525 kV Candiota-Novo Hamburgo, hoje em fase de licenciamento.</p><p>No Distrito Federal, o movimento &#233; liderado por interesse governamental em criar um cluster soberano de AI, seguran&#231;a cibern&#233;tica e dados sens&#237;veis, concentrando cargas de minist&#233;rios, autarquias e for&#231;as armadas. O entrave local, por&#233;m, &#233; duplo: escassez de energia renov&#225;vel na regi&#227;o e pre&#231;os de energia historicamente mais altos, o que compromete a competitividade energ&#233;tica dos projetos.</p><p>Olhando o mapa como um todo, fica clara a equa&#231;&#227;o que rege essa nova corrida digital: onde h&#225; margem de transmiss&#227;o dispon&#237;vel, abund&#226;ncia de energia renov&#225;vel, proximidade com consumidores ou a redes internacionais de transmiss&#227;o de dados e incentivos fiscais ou locacionais, h&#225; maior atratividade.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>Data centers s&#227;o o novo setor eletrointensivo e em algum tempo podem vir a ser a maior ind&#250;stria consumidora de eletricidade. Esse aumento da demanda &#233; explicado tanto por tend&#234;ncias hist&#243;ricas de aumento da digitaliza&#231;&#227;o quanto pelo crescimento de novas tecnologias, especialmente AI (e em segundo plano blockchain).</p><p>Para empresas de energia, data centers representam uma oportunidade de celebrar contratos de longo prazo de fornecimento de energia ininterrupta, assim como solu&#231;&#245;es energ&#233;ticas mais completas para garantir a conex&#227;o &#224; rede, aumentar a confiabilidade do sistema e utilizar data center como recursos na rede el&#233;trica, reduzindo custos e gerando receitas adicionais. Grandes empresas de energia como a Nextera j&#225; tem &#225;reas dedicadas a oferecer solu&#231;&#245;es para data centers.</p><p>No limite podemos ver no futuro uma converg&#234;ncia dos setores: com empresas de data centers/tecnologia investindo em gera&#231;&#227;o de energia para garantir a oferta e reduzir custos (como ocorre hoje em dia em ind&#250;strias eletrointensivas como as do a&#231;o e alum&#237;nio) e empresas de energia construindo e operando data centers (a infraestrutura, n&#227;o os servidores) para empresas de tecnologia.</p><p>No Brasil, apesar de ainda ser uma ind&#250;stria t&#237;mida comparada aos grandes centros globais, a demanda vem crescendo de forma acelerada. Com demandas relativamente flex&#237;veis e a possibilidade de localiza&#231;&#227;o pr&#243;xima a p&#243;los de gera&#231;&#227;o renov&#225;vel, data centers podem ajudar a resolver problemas estruturais do setor descritos em artigos anteriores. O desafio de conex&#227;o &#224; rede el&#233;trica &#233; o principal obst&#225;culo, assim como ocorrem em outros mercados.</p><p>PS: usamos AI para nos apoiar com a pesquisa e reflex&#245;es para esse post. Foram em torno de 20 queries no ChatGPT-o3. Segundo Sam Altman, cada query consome 0,34 Wh de energia, mas considerando que o modelo de racioc&#237;nio o-3 tem um consumo bem maior do que a m&#233;dia (vamos assumir 10x), estimamos que esse artigo consumiu 68 Wh, ou o equivalente a uma l&#226;mpada LED t&#237;pica acesa por 8 horas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[As Petroleiras e o vai e vém da transição energética]]></title><description><![CDATA[As grandes empresas internacionais de &#243;leo e g&#225;s est&#227;o de fato se tornando "empresas de energia integradas"?]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/as-petroleiras-e-o-vai-e-vem-da-transicao</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/as-petroleiras-e-o-vai-e-vem-da-transicao</guid><dc:creator><![CDATA[Felipe Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 04 Jun 2025 10:05:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p><p>As grandes empresas de petr&#243;leo t&#234;m uma rela&#231;&#227;o conturbada com a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, alternando historicamente posi&#231;&#245;es diversas, que v&#227;o do negacionismo p&#250;blico e distanciamento &#224; empolga&#231;&#227;o e promessas ambiciosas. A recente virada de chave da BP e de outras grandes empresas direcionando mais recursos para os neg&#243;cios tradicionais de &#243;leo e g&#225;s parece indicar um novo afastamento do mundo da descarboniza&#231;&#227;o. Neste artigo, vamos entender como evolu&#237;ram ao longo do tempo as posi&#231;&#245;es e investimentos das petroleiras na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica e no que est&#227;o apostando para o futuro.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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O petr&#243;leo foi, por exemplo, um grande motivador da Segunda Guerra Mundial (na medida em que Alemanha e Jap&#227;o buscavam garantir acesso ao recurso) e uma das grandes vantagens estrat&#233;gicas dos aliados para obterem a vit&#243;ria, j&#225; que EUA e URSS eram grandes produtores enquanto os pa&#237;ses do eixo sofreram com a escassez de combust&#237;vel na segunda metade da guerra.</p><p>Em particular, Yergin conta a hist&#243;ria das &#8220;Oil Majors&#8221;, as empresas ocidentais que dominaram a ind&#250;stria durante boa parte do S&#233;culo XX, lista que inclui Exxon Mobil, Chevron (essas duas formadas por &#8220;filhas&#8221; da antiga Standard Oil de John Rockefeller), Shell e BP. As Oil Majors estiveram entre as maiores empresas do mundo ao longo do s&#233;culo XX, tendo um poder e influ&#234;ncia compar&#225;vel a estados nacionais. At&#233; hoje, mesmo ap&#243;s terem perdido espa&#231;o para empresas estatais como a Saudi Aramco na produ&#231;&#227;o de petr&#243;leo e a ind&#250;stria de energia ter perdido relev&#226;ncia globalmente, Exxon, Shell e Chevron (assim como Saudi Aramco e PetroChina) ainda est&#227;o entre as maiores 100 empresas do mundo em <em>market cap</em>, acompanhadas por apenas duas empresas ligadas diretamente &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica (Tesla e CATL).</p><p>Neste artigo, vamos entender como as Oil Majors est&#227;o se posicionando em rela&#231;&#227;o &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, considerando a sua influ&#234;ncia no mercado global de energia. Elas se apresentam agora como &#8220;empresas de energia integradas&#8221; e salientam a sua atua&#231;&#227;o em renov&#225;veis e outras tecnologias de baixo carbono como prova do compromisso com o combate &#224;s mudan&#231;as clim&#225;ticas. Ao mesmo tempo, n&#227;o h&#225; d&#250;vida de que o seu neg&#243;cio mais lucrativo ainda &#233; (e ser&#225; por um bom tempo) a explora&#231;&#227;o e produ&#231;&#227;o de petr&#243;leo e g&#225;s, o que leva &#224; press&#227;o de investidores por maior foco e &#8220;disciplina de capital&#8221;, levando a reviravoltas estrat&#233;gicas como a <a href="https://capitalreset.uol.com.br/transicao-energetica/petroleo-e-gas/reviravolta-na-estrategia-verde-da-bp-leva-a-nova-queda-de-bracos-de-acionistas/">recentemente anunciada pela BP</a>. Neste artigo, vamos analisar a atua&#231;&#227;o de Exxon, Chevron, Shell, BP, Total e Petrobras em rela&#231;&#227;o &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, tentando separar os fatos da publicidade das empresas.</p><p><strong>Uma perspectiva hist&#243;rica</strong></p><p>Na d&#233;cada de 1970, os institutos de pesquisa das grandes empresas de petr&#243;leo estiveram entre os primeiros a identificar a conex&#227;o entre as emiss&#245;es de gases de efeito estufa e o aquecimento global. Em 1978, num conjunto de slides hoje p&#250;blicos, o cientista James Black da Exxon, advertia a diretoria de que duplicar o CO&#8322; na atmosfera elevaria em 2-3 &#176;C a temperatura global. A francesa Total recebeu alertas semelhantes em relat&#243;rios de 1971-79, os quais previam &#8220;cat&#225;strofes&#8221; se a produ&#231;&#227;o de petr&#243;leo continuasse no ritmo ent&#227;o previsto,<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0959378021001655?utm_source=chatgpt.com"> </a>e a Shell financiou modelagem clim&#225;tica no final dos anos 1970, chegando a produzir o filme educativo Climate of Concern (1991) explicando os riscos do aquecimento global.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!20B9!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccf82603-fd18-4d31-b9cd-1b5546903e45_799x669.png 1456w" sizes="100vw"><img 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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Em 1989, grandes produtores e consumidores de petr&#243;leo, incluindo o American Petroleum Institute e empresas como a Exxon, se juntaram para formar o Global Climate Coalition (GCC), grupo de lobby que disseminou uma posi&#231;&#227;o c&#233;tica em rela&#231;&#227;o &#224; nascente ci&#234;ncia do clima e op&#244;s regula&#231;&#245;es como o protocolo de Quioto de 1997, o qual os EUA terminaram por n&#227;o ratificar.</p><p>Essa posi&#231;&#227;o abertamente contra o combate &#224;s mudan&#231;as clim&#225;ticas come&#231;ou a se tornar politicamente mais dif&#237;cil de manter nos anos 2000, &#224; medida que a opini&#227;o p&#250;blica come&#231;ava a se conscientizar sobre os perigos do efeito estufa. O GCC se dissolveu em 2001 e as Oil Majors passam a adotar posi&#231;&#245;es mais equilibradas (ou c&#237;nicas na vis&#227;o de alguns) sobre o aquecimento global. Especialmente as empresas europeias como BP, Shell e Total come&#231;aram a se posicionar como atores da transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, com a BP lan&#231;ando o slogan &#8220;Beyond Petroleum&#8221; em 2000, s&#237;mbolo dessa ambi&#231;&#227;o de ir al&#233;m de combust&#237;veis f&#243;sseis.</p><p><strong>Net Zero: um grande desafio</strong></p><p>No s&#233;culo XXI, de forma inicialmente t&#237;mida, as Oil Majors iniciam investimentos na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica. A Shell, por exemplo, aposta em biocombust&#237;veis com a forma&#231;&#227;o da JV com a Cosan para criar a Ra&#237;zen em 2011, a Total adquire a SunPower (empresa pioneira em energia solar) tamb&#233;m em 2011 e a BP investe na empresa de energia solar Lightsource em 2017. At&#233; 2019, esses investimentos representam apostas bem limitadas: em 2019, as atividades de baixo carbono representaram apenas 3% do CAPEX da BP e 4-8% da Shell (n&#250;meros ainda n&#227;o eram divulgados separadamente, pois n&#227;o existia uma unidade de neg&#243;cio dedicada &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica). At&#233; aquele momento era amplamente justificada a cr&#237;tica de que os investimentos na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica eram puro &#8220;<em>greenwashing</em>&#8221;, uma jogada de marketing para reduzir a press&#227;o da sociedade.</p><p>Mais recentemente, no entanto, alinhadas com as metas de diversos governos de zerar as emiss&#245;es l&#237;quidas de carbono em 2050 (&#8220;net zero&#8221;), as Oil Majors passaram a anunciar suas pr&#243;prias metas net zero, formando inclusive uma alian&#231;a da ind&#250;stria com esse prop&#243;sito (&#8220;<a href="https://www.ogdc.org/about/#commitments">Oil &amp; Gas Decarbonization Charter</a>&#8221;). Mas neste momento surge uma bifurca&#231;&#227;o gigantesca: enquanto as europeias Shell, BP e Total anunciam uma meta de <em>net zero </em>em 2050 incluindo escopos 1, 2 e 3, as americanas Exxon e Chevron anunciam a mesma meta apenas para os escopos 1 e 2. Precisamos fazer uma pausa aqui para entender a escala dessa diferen&#231;a de posicionamento.</p><p>Emiss&#245;es de escopo 1 vem de fontes que pertencem ou s&#227;o controladas pela empresa, ou seja, emiss&#245;es diretas do pr&#243;prio processo produtivo, o que, no caso de uma empresa de O&amp;G, inclui queima de g&#225;s e &#243;leo nos motores, turbinas e caldeiras de plataformas, refinarias e unidades petroqu&#237;micas e emiss&#245;es fugitivas de metano (lembra delas?), por exemplo. J&#225; as emiss&#245;es de escopo 2 s&#227;o emiss&#245;es geradas fora do &#8220;port&#227;o&#8221; da empresa para produzir eletricidade, vapor, calor ou refrigera&#231;&#227;o adquiridos, como a eletricidade comprada por refinarias. Finalmente, as emiss&#245;es de escopo 3 incluem emiss&#245;es relacionadas &#224; fabrica&#231;&#227;o de insumos utilizados na opera&#231;&#227;o (como o a&#231;o das plataformas) e, crucialmente no caso de empresas de O&amp;G, as emiss&#245;es relacionadas ao uso dos produtos vendidos, ou seja, as emiss&#245;es da queima de combust&#237;veis fornecidos por elas como gasolina, g&#225;s natural, querosene de avia&#231;&#227;o&#8230;</p><p>As emiss&#245;es de escopo 1 e 2 de uma Oil Major s&#227;o relevantes: relembrando o artigo 1, as emiss&#245;es diretas do setor de energia representam 12% das emiss&#245;es globais. No entanto, o elefante na sala s&#227;o as emiss&#245;es de escopo 3. Na Shell, por exemplo, as emiss&#245;es de escopos 1 e 2 somavam, em 2016, 83 milh&#245;es de toneladas de CO<sub>2</sub>e anuais, enquanto somando o escopo 3, as emiss&#245;es eram 20 vezes maiores chegando a 1.615 milh&#245;es de CO<sub>2</sub>e anuais. Para se ter uma ideia, esse n&#250;mero representa cerca de 3% das emiss&#245;es de GHG globais e estamos falando de apenas uma empresa.</p><p>Enquanto zerar as emiss&#245;es de escopo 1 e 2 &#233; poss&#237;vel com ajustes na opera&#231;&#227;o como eletrifica&#231;&#227;o de plataformas, redu&#231;&#227;o de <em>flaring</em> e compensa&#231;&#227;o de emiss&#245;es remanescentes, zerar as emiss&#245;es de escopo 3 exige uma mudan&#231;a radical no neg&#243;cio de uma empresa de &#243;leo e g&#225;s. Significa comercializar outros produtos como energia renov&#225;vel, hidrog&#234;nio verde e biocombust&#237;veis, capturar e sequestrar carbono das opera&#231;&#245;es, compensar emiss&#245;es em grande escala com iniciativas como reflorestamento e remo&#231;&#227;o de carbono atmosf&#233;rica e, inevitavelmente, reduzir a escala das opera&#231;&#245;es de produ&#231;&#227;o de &#243;leo e g&#225;s.</p><p>A escala da transforma&#231;&#227;o nos leva &#224; pergunta: ser&#225; que esses compromissos v&#227;o se manter diante da press&#227;o de investidores por rentabilidade e das dificuldades de se operar uma transforma&#231;&#227;o desse tamanho? Vamos ver o que essas empresas est&#227;o fazendo hoje e que papel est&#227;o tendo na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica.</p><p><strong>Onde Estamos: Oil Majors e Transi&#231;&#227;o Energ&#233;tica</strong></p><p>No caminho para o <em>net zero 2050, </em>a Shell tem como principal estrat&#233;gia de curto prazo um maior foco no seu neg&#243;cio de g&#225;s integrado (especialmente &#8220;g&#225;s natural liquefeito&#8221; - LNG), como combust&#237;vel de transi&#231;&#227;o para uma economia de baixo carbono. A divis&#227;o de g&#225;s j&#225; representa quase metade do lucro da empresa, mostrando que est&#227;o juntando o &#250;til ao agrad&#225;vel nesta estrat&#233;gia. J&#225; em tecnologias de baixo carbono, os investimentos da empresa cresceram nos &#250;ltimos anos (chegando a US$2,4 bilh&#245;es em 2024) mas ainda representam apenas 11% do CAPEX da empresa. O foco dos investimentos e apostas na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica mudou recentemente: a empresa tem investido menos em gera&#231;&#227;o de renov&#225;veis como e&#243;lica e solar, passando a apostar mais em armazenamento de energia, gera&#231;&#227;o flex&#237;vel e comercializa&#231;&#227;o de energia el&#233;trica. Para o m&#233;dio/longo prazo a empresa aposta no hidrog&#234;nio e combust&#237;veis verdes, captura e sequestro de carbono (<em>carbon capture &amp; storage - CCS)</em> e carregamento de ve&#237;culos el&#233;tricos, com mais de 73 mil carregadores j&#225; instalados globalmente.</p><p>J&#225; a BP, ap&#243;s um ano em que 19% do CAPEX foi direcionado para neg&#243;cios de baixo carbono (2024), passou por uma revis&#227;o importante da sua estrat&#233;gia, anunciando um aumento de 20% nos investimentos anuais em explora&#231;&#227;o e produ&#231;&#227;o de &#243;leo e g&#225;s, combinados com uma redu&#231;&#227;o de US$ 6,5-7,0 bilh&#245;es anuais para US$ 1,5-2,0 bilh&#245;es anuais nos investimentos planejados para a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica nos pr&#243;ximos anos. Com esse movimento, a empresa est&#225; respondendo &#224; press&#227;o de investidores ativistas (financeiros n&#227;o ambientais) como a Elliott Management. Entre os neg&#243;cios da empresa relacionados &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica est&#227;o a Lightsource (energia solar), uma JV de e&#243;licas offshore (JERA Nex BP) e a BP Bioenergia, o terceiro maior produtor de etanol do Brasil. A empresa tamb&#233;m tem investimentos em usinas de hidrog&#234;nio, CCS e carregamento de ve&#237;culos el&#233;tricos (39 mil carregadores instalados globalmente).</p><p>Por sua vez, a francesa Total investiu 27% do seu CAPEX em renov&#225;veis em 2025 e &#233; a &#250;nica das Oil Majors que est&#225; se posicionando como uma grande geradora de energia renov&#225;vel (e&#243;lica e solar). A empresa tem o objetivo de gerar 100 TWh de eletricidade em 2030 (cerca de 1/6 do consumo do Brasil), sendo 70% de energias renov&#225;veis. A sua meta &#233; que 20% do volume de energia vendido pela empresa em 2030 seja de energia el&#233;trica. No caminho de se tornar <em>net zero </em>em 2050, a empresa tamb&#233;m tem investimentos selecionados em biocombust&#237;veis, biog&#225;s, hidrog&#234;nio e combust&#237;veis avan&#231;ados como os SAFs (Sustainable Aviation Fuels).</p><p>As americanas Exxon Mobil e Chevron, que t&#234;m apenas metas de <em>net zero </em>de escopo 1 e 2 em 2050, t&#234;m compromissos mais limitados com a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica. A Exxon chegou a anunciar planos de US$ 30 bilh&#245;es em investimentos em oportunidades de baixo carbono at&#233; 2030, mas parte desses investimentos est&#225; amea&#231;ada pelo prov&#225;vel fim dos incentivos do Inflation Reduction Act, um grande programa de infraestrutura criado pelo governo Biden. Em termos de &#225;reas de foco, a estrat&#233;gia da Exxon &#233; focada em mol&#233;culas, n&#227;o el&#233;trons, atuando em &#225;reas com maior sinergia com os neg&#243;cios atuais da companhia. A empresa v&#234; um grande potencial no CCS, especialmente na regi&#227;o intensiva em emiss&#245;es da Costa do Golfo do M&#233;xico, onde conta com infraestrutura para transportar e armazenar CO<sub>2</sub>. O hidrog&#234;nio azul (produzido com combust&#237;veis f&#243;sseis mas acoplado ao CCS) tamb&#233;m &#233; uma parte chave da sua estrat&#233;gia, complementada por biocombust&#237;veis, combust&#237;veis avan&#231;ados e at&#233; mesmo extra&#231;&#227;o e refino de l&#237;tio para baterias. A Chevron tem focado em diesel renov&#225;vel, hidrog&#234;nio e CCS, mas com um ritmo de investimentos limitado.</p><p>Finalmente, a Petrobras, ap&#243;s ter pouco sucesso nos seus investimentos em renov&#225;veis e biocombust&#237;veis nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas, novamente anunciou, no seu Plano de Neg&#243;cios 2025-29, investimentos relevantes na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, incluindo US$ 10 bilh&#245;es em &#8220;diversifica&#231;&#227;o rent&#225;vel&#8221; como energia de baixo carbono e bioprodutos. No entanto, grande parte desses investimentos est&#227;o em fase de avalia&#231;&#227;o. De fato a empresa tem anunciado parcerias para desenvolver energias renov&#225;veis e testes de novas tecnologias como o coprocessamento de biocombust&#237;veis em refinarias, mas estas iniciativas ainda n&#227;o se traduzem em investimentos significativos que sinalizem uma mudan&#231;a de dire&#231;&#227;o de longo prazo. Os objetivos estrat&#233;gicos da empresa continuam firmemente assentados no desenvolvimento das gigantescas reservas do pr&#233;-sal.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tKET!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7fa2bc11-5acc-49e3-a63c-05fd70ac8c6a_1152x517.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tKET!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7fa2bc11-5acc-49e3-a63c-05fd70ac8c6a_1152x517.png 424w, 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Carteira de Investimentos na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica da Petrobras</em></p><p><em>Fonte: Divulga&#231;&#227;o Plano de Neg&#243;cios 2025-2029</em></p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>O vai e vem do t&#237;tulo parece ser mais uma quest&#227;o de discurso e mudan&#231;as conjunturais de estrat&#233;gia do que de vis&#227;o de longo prazo. Fica claro que, de alguns anos para c&#225;, as Oil Majors perceberam a necessidade de reinventar os seus neg&#243;cios para continuarem relevantes e manterem a &#8220;licen&#231;a social para operar&#8221;. No entanto, h&#225; diverg&#234;ncias importantes no ritmo dessa transforma&#231;&#227;o, enquanto a Total, por exemplo, j&#225; est&#225; se tornando uma empresa relevante em renov&#225;veis nessa d&#233;cada, outras veem a descarboniza&#231;&#227;o como uma oportunidade/necessidade de longo prazo e v&#227;o dosando os investimentos nos novos neg&#243;cios, adiando transforma&#231;&#245;es mais profundas.</p><p>&#201; interessante notar finalmente que a maioria dessas empresas direcionou sua estrat&#233;gia de baixo carbono para &#225;reas com maior sinergia com os seus neg&#243;cios atuais como o CCS e o hidrog&#234;nio, que alavancam as suas capacidades de perfura&#231;&#227;o de po&#231;os, gest&#227;o de reservat&#243;rios, transporte e armazenamento de gases e l&#237;quidos e opera&#231;&#227;o de unidades industriais em larga escala. Realmente o mundo dos renov&#225;veis como solar e e&#243;lico e de recursos energ&#233;ticos descentralizados parece ser menos a praia dessas gigantes acostumadas a grandes projetos de infraestrutura. Al&#233;m da menor escala dos projetos, o n&#237;vel de retorno de projetos de energia renov&#225;vel (7%-12% de TIR em pa&#237;ses desenvolvidos) &#233; baixo se comparado aos retornos da explora&#231;&#227;o e produ&#231;&#227;o de &#243;leo e g&#225;s (TIR frequentemente acima de 20%).</p><p>Veremos nas pr&#243;ximas d&#233;cadas qual estrat&#233;gia far&#225; mais sentido. As Oil Majors navegam em um ambiente incerto em que a demanda do seu principal produto pode estar amea&#231;ada: o mundo vai continuar precisando do petr&#243;leo, mas a eletrifica&#231;&#227;o acelerada pode levar a um ambiente de pre&#231;os estruturalmente baixos. O mix de solu&#231;&#245;es de descarboniza&#231;&#227;o que v&#227;o dominar o mundo da energia no futuro tamb&#233;m pode recompensar diferentes estrat&#233;gias com tecnologias como o CCS e o hidrog&#234;nio se encaixando melhor nos neg&#243;cios das Oil Majors. J&#225; um mundo muito mais eletrificado pode ser um desafio para empresas acostumadas a lidar com mol&#233;culas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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Conclu&#237;mos que o uso do biog&#225;s para gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica tende a se restringir cada vez mais, especialmente diante dos incentivos e do enorme potencial do Brasil para a produ&#231;&#227;o e comercializa&#231;&#227;o de biometano.</p><p>Neste texto, vamos mostrar por que o biometano est&#225; ganhando for&#231;a, apresentar um estudo de viabilidade financeira com dados atuais e explicar como a nova regula&#231;&#227;o pode acelerar ainda mais esse mercado. Vamos juntos!</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><h2>O que &#233; o biometano</h2><p>O biometano &#233; o biog&#225;s purificado at&#233; atingir qualidade equivalente ao g&#225;s natural. Ele virou protagonista na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica brasileira: substitui o g&#225;s f&#243;ssil por uma alternativa renov&#225;vel, &#233; local e de menor impacto ambiental.</p><p>A produ&#231;&#227;o come&#231;a com a captura do biog&#225;s gerado na decomposi&#231;&#227;o de res&#237;duos org&#226;nicos, como os de biodigestores ou aterros sanit&#225;rios. Depois, o g&#225;s passa por processos de purifica&#231;&#227;o que removem CO&#8322;, &#225;gua e impurezas. A estrutura da planta inclui sistemas de coleta, esta&#231;&#227;o de purifica&#231;&#227;o, compressores e, em alguns casos, equipamentos para liquefa&#231;&#227;o ou inje&#231;&#227;o em redes de g&#225;s.</p><p>Hoje, o Brasil tem 11 projetos em opera&#231;&#227;o com produ&#231;&#227;o total de 1,5 milh&#227;o de m&#179;/dia. Outros 36 projetos em constru&#231;&#227;o ou homologa&#231;&#227;o devem adicionar mais 1,6 milh&#227;o de m&#179;/dia, ou seja, mais do que dobrar a produ&#231;&#227;o atual. Ainda assim, representar&#225; apenas 3% do mercado nacional de g&#225;s natural.</p><p>Entre os que est&#227;o em constru&#231;&#227;o, destaca-se o projeto do Ecoparque de Paul&#237;nia. Com investimento total previsto de R$ 450 milh&#245;es, o projeto &#233; uma joint venture entre o Grupo Orizon e a Compass e prev&#234; um investimento total de at&#233; R$ 450 milh&#245;es, com capacidade inicial de produ&#231;&#227;o de 180 mil m&#179;/dia, podendo alcan&#231;ar at&#233; 300 mil m&#179;/dia no futuro, passando a ser o maior projeto do Brasil.</p><h2>O Marco Legal do G&#225;s</h2><p>A publica&#231;&#227;o do Marco Legal do G&#225;s (Lei 14.134/2021) foi um divisor de &#225;guas, criando mais seguran&#231;a jur&#237;dica para a inje&#231;&#227;o do biometano na rede e viabilizando novos modelos de comercializa&#231;&#227;o.</p><p>O marco veio para destravar o setor de g&#225;s natural no Brasil. Antes, s&#243; era poss&#237;vel construir e operar gasodutos por meio de concess&#227;o. Agora, com o regime de autoriza&#231;&#227;o, a lei garante que todos os agentes do setor tenham acesso igual a dutos e unidades de tratamento, o que ajuda a aumentar a concorr&#234;ncia e deve levar a uma queda no pre&#231;o do g&#225;s ao longo do tempo.</p><p>Na pr&#225;tica, isso quer dizer que teremos mais investimentos no setor, mais gasodutos sendo constru&#237;dos e, com o tempo, g&#225;s chegando a mais regi&#245;es do pa&#237;s. Outro ponto importante foi a tentativa de alinhar melhor as regras estaduais e a regula&#231;&#227;o nacional institu&#237;da pela ANP. Isso evita que cada lugar tenha uma regra diferente e cria um ambiente mais previs&#237;vel para quem quer investir.</p><p>Uma das grandes mudan&#231;as do Marco Legal do G&#225;s foi liberar a venda direta para o cliente final. Agora, produtores e comercializadores podem fechar contratos diretamente com grandes consumidores, sem depender das distribuidoras estaduais. Isso traz mais liberdade para negociar pre&#231;os e formatos, al&#233;m de abrir espa&#231;o para o mercado de <em>trading</em> de g&#225;s, que passa a ser cada vez mais semelhante ao mercado livre de energia.</p><p>Com essas mudan&#231;as, na teoria o biometano passaria a jogar quase de igual para igual com o g&#225;s natural convencional. Isso poderia ser suficiente para viabilizar mais projetos, atrair investimento e tornar o biometano uma solu&#231;&#227;o competitiva. Mas, dada a curva de maturidade do biometano, incentivos s&#227;o necess&#225;rios e instrumentos do governo v&#234;m sendo importantes como linhas de financiamento e fontes de receita adicionais como cr&#233;ditos de carbono.</p><h2>CBIOs, CGOBs e a nova regula&#231;&#227;o</h2><p>Os CBIOs (Cr&#233;ditos de Descarboniza&#231;&#227;o) surgiram em 2017 com o RenovaBio, uma pol&#237;tica nacional criada para incentivar o uso de combust&#237;veis renov&#225;veis no Brasil. A ideia &#233; simples: produtores de biocombust&#237;vel (como etanol, biodiesel, biometano ou bioquerosene) que conseguem comprovar, por certifica&#231;&#227;o, que est&#227;o evitando emiss&#245;es de gases de efeito estufa ao substituir combust&#237;veis f&#243;sseis, ganham CBIOs como recompensa.</p><p>Esses cr&#233;ditos s&#227;o emitidos na B3 e vendidos para distribuidoras de combust&#237;veis, que t&#234;m metas obrigat&#243;rias de descarboniza&#231;&#227;o estabelecidas pelo governo. Esse modelo se aplica, sobretudo, a combust&#237;veis utilizados no transporte rodovi&#225;rio e a&#233;reo, como:</p><ul><li><p>Etanol substituindo a gasolina;</p></li><li><p>Biodiesel substituindo o diesel;</p></li><li><p>Biometano substituindo GNV ou diesel em frotas de caminh&#245;es ou &#244;nibus;</p></li><li><p>Bioquerosene de avia&#231;&#227;o.</p></li></ul><p>J&#225; os CGOBs (Certificados de Garantia de Origem do Biometano) foram criados na Lei do Combust&#237;vel do Futuro em 2024, e funcionam como um selo que garante que o g&#225;s vendido &#233; 100% renov&#225;vel. Enquanto os CBIOs servem como cr&#233;dito ambiental, os CGOBs v&#227;o ser usados para cumprir metas obrigat&#243;rias de descarboniza&#231;&#227;o pelas empresas de g&#225;s natural (produ&#231;&#227;o e comercializa&#231;&#227;o).</p><p>Resumindo:</p><ul><li><p>CBIO = RenovaBio (mercado de combust&#237;veis)</p></li><li><p>CGOB = Mandato do biometano (mercado de g&#225;s natural)</p></li></ul><p>Se o projeto de biometano estiver inserido nos dois mercados (por exemplo, vender para mobilidade urbana via distribuidoras, cumprindo os crit&#233;rios dos dois programas), pode gerar tanto CBIO quanto CGOB, mas para volumes diferentes ou momentos distintos, sempre evitando dupla contagem de carbono.</p><p>A tend&#234;ncia &#233; que atrav&#233;s da evolu&#231;&#227;o da regula&#231;&#227;o e pol&#237;ticas de incentivos, o mercado se organize via contratos bilaterais e venda de certificados, seja em mercado regulado ou volunt&#225;rio. Projetos bem estruturados tendem a se posicionar para vender tanto a mol&#233;cula de g&#225;s quanto os certificados, maximizando receitas. E sempre que poss&#237;vel capturando valor adicional atrav&#233;s da venda de biofertilizantes e do CO2 capturado no processo.</p><h2>Nova regula&#231;&#227;o, novas oportunidades</h2><p>Com a Lei do Combust&#237;vel do Futuro, o biometano ganha um novo patamar como estrat&#233;gia nacional de descarboniza&#231;&#227;o. A nova legisla&#231;&#227;o prev&#234; para as produtoras e comercializadoras de g&#225;s uma obriga&#231;&#227;o de descarboniza&#231;&#227;o inicial de 1% a partir de 2026, que poder&#225; ser cumprida com uso de biometano ou aquisi&#231;&#227;o de CGOBs. Isso cria demanda garantida para produtores certificados, impulsionando o mercado, principalmente porque a obriga&#231;&#227;o percentual pode aumentar nos anos seguintes &#224; medida que o biometano se desenvolve e aumenta a liquidez dos certificados para os produtores e comercializadores de g&#225;s realizarem a compensa&#231;&#227;o de suas emiss&#245;es.</p><p>A regula&#231;&#227;o est&#225; sendo estruturada para viabilizar esse novo mercado de forma simples e escal&#225;vel. A ANP atuar&#225; com duas resolu&#231;&#245;es: uma para disciplinar a distribui&#231;&#227;o das metas entre agentes e outra para regular a certifica&#231;&#227;o dos produtores e emiss&#227;o de CGOBs. Tamb&#233;m ser&#227;o previstas chamadas p&#250;blicas para compra da mol&#233;cula com CGOB. A audi&#234;ncia p&#250;blica para ouvir os agentes do setor foi realizada na &#250;ltima semana e teve repercuss&#227;o favor&#225;vel entre os envolvidos.</p><p>Estados como SP, RJ, PR e RS j&#225; estudam incentivos fiscais e planos regionais para apoiar a produ&#231;&#227;o e consumo de biometano. O plano &#233; que essa estrutura regulat&#243;ria d&#234; previsibilidade ao mercado, facilitando acesso a financiamentos e contratos de venda de longo prazo.</p><p>Com o novo marco, o biometano pode sair do status de solu&#231;&#227;o de nicho para ocupar um papel central na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica brasileira.</p><h2>An&#225;lise de viabilidade financeira</h2><p>Agora, vamos aos n&#250;meros! Dessa vez, tivemos acesso ao <a href="https://elogroup.com/insights/biometano-e-amonia-verde-venda/">estudo de viabilidade recente da EloGroup</a> realizado em Outubro de 2024, analisando projetos de biometano com capacidade entre 15,6 e 26 milh&#245;es de m&#179;/ano, que j&#225; possuem uma escala considerada grande e podem ter como fonte a ind&#250;stria sucroalcooleira ou aterros sanit&#225;rios, com possibilidade de comercializa&#231;&#227;o por transporte rodovi&#225;rio ou inje&#231;&#227;o na rede.</p><p>Esses projetos exigem investimentos entre R$200 e R$325 milh&#245;es, e a viabilidade depende de fatores como valor do CAPEX por metro c&#250;bico produzido, pre&#231;o do biometano no mercado e receita com CBIOs.</p><p>O estudo mostra que plantas integradas a cadeias industriais com grande consumo de g&#225;s e localizadas pr&#243;ximas da demanda t&#234;m melhores condi&#231;&#245;es. A redu&#231;&#227;o dos custos log&#237;sticos e de transporte pela malha de g&#225;s (o custo de uso de gasodutos depende da dist&#226;ncia entre o ponto de entrada e do ponto de sa&#237;da) e a garantia de contratos de longo prazo s&#227;o determinantes para a atratividade. A receita com CBIOs pode representar uma parcela relevante e funcionar como complemento de rentabilidade.</p><p>De forma pr&#225;tica, em uma an&#225;lise n&#227;o espec&#237;fica, projetos com compress&#227;o do g&#225;s e distribui&#231;&#227;o rodovi&#225;ria possuem maior custo log&#237;stico, mas possuem maior rentabilidade. A depender do pre&#231;o de venda do g&#225;s a TIR real desalavancada pode superar 20%aa. J&#225; nos projetos conectados &#224; rede de g&#225;s, mesmo antes da publica&#231;&#227;o da nova regula&#231;&#227;o que valoriza os CGOBs, a TIR real pode superar 15%aa.</p><p>No transporte por gasoduto, o g&#225;s precisa ser comprimido em press&#245;es mais elevadas e com maior estabilidade para atender aos padr&#245;es t&#233;cnicos da rede, o que exige equipamentos mais robustos e investimentos maiores em sistemas de compress&#227;o, filtragem e medi&#231;&#227;o. Isso gera custo inicial e operacional mais alto na compress&#227;o.</p><p>J&#225; no modelo de distribui&#231;&#227;o rodovi&#225;ria, a compress&#227;o ocorre geralmente at&#233; press&#245;es suficientes para carregar o g&#225;s nos cilindros dos caminh&#245;es. Esse processo, embora demande energia, costuma ser mais simples e barato em termos de CAPEX e OPEX quando comparado &#224; infraestrutura exigida para injetar na rede de transporte ou distribui&#231;&#227;o, compensando na maioria das vezes o custo log&#237;stico. Al&#233;m disso, pela maior flexibilidade, esses projetos conseguem negociar pre&#231;os de venda mais elevados e atrair perfis mais espec&#237;ficos, como frotas de transporte.</p><p>Resumindo, a aplica&#231;&#227;o rodovi&#225;ria do biometano deve continuar crescendo, impulsionada pela sua viabilidade financeira atual e pelo avan&#231;o na convers&#227;o de frotas de ve&#237;culos para esse combust&#237;vel. No entanto, &#224; medida que a malha de gasodutos se expanda, os rec&#233;m-criados CGOBs ganhem valor e novos incentivos estaduais ao biometano sejam implantados, os projetos conectados &#224; rede tendem a se tornar mais rent&#225;veis e devem assumir protagonismo no setor.</p><p>Na pr&#225;tica, o sucesso financeiro de um projeto est&#225; ligado &#224; capacidade de reduzir custos operacionais (OPEX), conseguir um bom pre&#231;o de venda da mol&#233;cula e monetizar os certificados ambientais. &#201; um modelo que exige planejamento fino e boa articula&#231;&#227;o com o mercado comprador.</p><h2>Aplica&#231;&#245;es do Biometano</h2><p>As oportunidades s&#227;o muitas. Uma das mais promissoras para diferentes escalas &#233; a substitui&#231;&#227;o do diesel em frotas pesadas, como caminh&#245;es, &#244;nibus e tratores. Grandes produtores rurais j&#225; est&#227;o testando o uso de biometano gerado a partir de res&#237;duos da pr&#243;pria fazenda para abastecer ve&#237;culos, o que reduz o custo com combust&#237;vel e as emiss&#245;es. E a aplica&#231;&#227;o com maior potencial para projetos de maior escala &#233; a inje&#231;&#227;o na rede de g&#225;s natural, o que permite vender o biometano para qualquer consumidor atendido pela malha, inclusive via contratos no mercado livre.</p><p>Mas o biometano tamb&#233;m possui um importante papel na descarboniza&#231;&#227;o dos setores que utilizam g&#225;s natural em seus processos produtivos. No caso da am&#244;nia, o biometano pode ser utilizado em substitui&#231;&#227;o ao g&#225;s natural sem necessidade de altera&#231;&#227;o dos processos industriais, reduzindo a emiss&#227;o de GEE. A am&#244;nia a partir de biometano ainda n&#227;o &#233; produzida no Brasil, entretanto an&#225;lises por grupos do setor indicam viabilidade do seu uso na ind&#250;stria.</p><h2>Conclus&#227;o e o que vem por a&#237;</h2><p>Apesar do avan&#231;o regulat&#243;rio, o setor ainda enfrenta gargalos. Um dos principais &#233; a infraestrutura: muitas usinas est&#227;o distantes das redes de g&#225;s natural, exigindo solu&#231;&#245;es log&#237;sticas caras como G&#225;s Natural Comprimido (GNC) rodovi&#225;rio. Tamb&#233;m h&#225; incertezas quanto &#224; real disponibilidade do biometano em escala, principalmente nos primeiros anos de aplica&#231;&#227;o do mandato.</p><p>Projetos de biometano na ind&#250;stria sucroalcooleira t&#234;m um alto potencial de retorno financeiro. Como a maioria dessas usinas est&#225; concentrada no estado de S&#227;o Paulo, h&#225; uma combina&#231;&#227;o interessante de volume de mat&#233;ria-prima dispon&#237;vel, mercado consumidor pr&#243;ximo e, em teoria, menores custos log&#237;sticos quando se pensa em escoamento por gasodutos. Por&#233;m, a viabilidade depende muito da proximidade com as redes principais de transporte de g&#225;s. Se o projeto estiver distante dessas linhas, os custos com infraestrutura podem inviabilizar a opera&#231;&#227;o. Mesmo em regi&#245;es pr&#243;ximas &#224;s redes, pode ser necess&#225;ria a constru&#231;&#227;o de uma planta de purifica&#231;&#227;o do biog&#225;s e sua compress&#227;o em n&#237;veis adequados para inje&#231;&#227;o, o que eleva o investimento inicial. Caso a alternativa seja a rede de distribui&#231;&#227;o (em vez da rede de transporte), o projeto poder&#225; ficar limitado &#224; capacidade dessa malha local, al&#233;m de depender de eventuais expans&#245;es que podem levar tempo para acontecer.</p><p>A previs&#227;o &#233; que o mercado chegue a quase 2 milh&#245;es m&#179;/dia de capacidade instalada at&#233; 2027, mas parte dessa oferta est&#225; concentrada em unidades de autoconsumo e ainda n&#227;o aparece nas estat&#237;sticas oficiais. Outro ponto cr&#237;tico &#233; como o mercado volunt&#225;rio ser&#225; tratado: empresas que j&#225; compram biometano fora da obriga&#231;&#227;o regulat&#243;ria temem n&#227;o ter suas iniciativas reconhecidas.</p><p>Apesar dos desafios, o setor tem mobilizado investimentos e a nova regula&#231;&#227;o indica um ambiente com bons incentivos. Estimativas da Abiog&#225;s apontam para mais de 200 plantas operacionais at&#233; 2032, com capacidade de 8 milh&#245;es de m&#179;/dia. A consolida&#231;&#227;o desse mercado vai depender de estabilidade regulat&#243;ria, valoriza&#231;&#227;o dos incentivos ambientais, pre&#231;os competitivos e acesso a financiamento. A janela de oportunidade &#233; agora.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Biogás para geração de energia]]></title><description><![CDATA[Potencial, desafios e futuro no Brasil]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/biogas-para-geracao-de-energia</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/biogas-para-geracao-de-energia</guid><dc:creator><![CDATA[Ramon de Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 21 May 2025 16:57:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Resumo</h2><p>Hoje vamos falar de um g&#225;s que &#233; verde de verdade: o biog&#225;s. Ele nasce da decomposi&#231;&#227;o de res&#237;duos org&#226;nicos, &#233; concentrado em metano e vira energia. Ao inv&#233;s de deixar o metano ir direto para a atmosfera, aproveitamos esse g&#225;s para gerar eletricidade, calor ou at&#233; transformar em biometano, com qualidade equivalente ao g&#225;s natural. O metano &#233; 28 a 34x mais nocivo para a atmosfera que o g&#225;s carb&#244;nico gerado na sua queima. Resultado? Menos emiss&#227;o de gases de efeito estufa e mais efici&#234;ncia no uso dos nossos res&#237;duos.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><p>O biog&#225;s pode vir de v&#225;rias fontes: dejetos animais, res&#237;duos agr&#237;colas, esgoto, res&#237;duos urbanos... tudo o que normalmente descartar&#237;amos. E h&#225; v&#225;rias formas de us&#225;-lo: gera&#231;&#227;o de energia em fazendas e aterros, substitui&#231;&#227;o do diesel em caminh&#245;es ou inje&#231;&#227;o na rede de g&#225;s natural. Dado o extenso territ&#243;rio brasileiro, a forte agropecu&#225;ria e o modelo de tratamento de res&#237;duos baseado em aterros sanit&#225;rios, somos um dos pa&#237;ses com maior potencial para o desenvolvimento do biog&#225;s no mundo. Vamos focar hoje no seu uso para gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica e, em um pr&#243;ximo artigo, abordar seu uso para produ&#231;&#227;o de biometano e, ent&#227;o, comparar os dois usos finais, al&#233;m de explorar novas alternativas em desenvolvimento.</p><p>O Brasil j&#225; investe em biog&#225;s para gera&#231;&#227;o de energia com aplica&#231;&#227;o comercial desde os anos 2000, mas os projetos foram viabilizados gra&#231;as &#224; aplica&#231;&#227;o de mecanismos internacionais, incentivos tarif&#225;rios e linhas de financiamento. Como essa fonte se desdobrar&#225; na gera&#231;&#227;o de energia nos pr&#243;ximos anos em um cen&#225;rio com menos incentivos e com energias renov&#225;veis muito mais baratas que o biog&#225;s? &#201; isso que vamos discutir hoje.</p><h2>Desenvolvimento da ind&#250;stria de biog&#225;s</h2><p>O uso do biog&#225;s no Brasil come&#231;ou l&#225; atr&#225;s, nas d&#233;cadas de 70 e 80, com projetos bem pontuais em propriedades rurais, principalmente como forma de tratar res&#237;duos animais e gerar um pouco de energia ou calor localmente. Mas a coisa n&#227;o deslanchou por muito tempo, seja pela falta de tecnologia acess&#237;vel, pouca regula&#231;&#227;o ou at&#233; pelo baixo pre&#231;o da energia convencional. Foi s&#243; nos anos 2000 que o tema voltou a ganhar for&#231;a, com o avan&#231;o dos biodigestores, surgimento de pol&#237;ticas ambientais mais estruturadas e um novo olhar para o aproveitamento energ&#233;tico de res&#237;duos.</p><p>Nos &#250;ltimos 5 anos a gera&#231;&#227;o de biog&#225;s cresceu em m&#233;dia 21% ao ano, potencializada pelas oportunidades regulat&#243;rias e progresso da tecnologia. A cria&#231;&#227;o do RenovaBio, o marco legal do g&#225;s (Lei n&#186; 14.134/2021) e os incentivos fiscais e financeiros (como CBIOs e linhas do BNDES) colocaram o biog&#225;s e o biometano no radar de investidores e grandes empresas. O setor deixou de ser experimental e passou a ser estrat&#233;gico com muitos estudos para maior seguran&#231;a do setor el&#233;trico pela sua caracter&#237;stica de despachabilidade e capacidade de armazenamento.</p><h2>Fontes de gera&#231;&#227;o de biog&#225;s</h2><p>O biog&#225;s nasce de um processo anaer&#243;bico em que a decomposi&#231;&#227;o de mat&#233;ria org&#226;nica ocorre em ambientes sem oxig&#234;nio. Esse processo acontece naturalmente em lugares como p&#226;ntanos e aterros sanit&#225;rios, mas com os biodigestores, conseguimos controlar tudo: armazenar os res&#237;duos, acelerar a decomposi&#231;&#227;o e capturar o g&#225;s gerado. Isso abriu espa&#231;o para projetos mais eficientes, conectando diretamente o g&#225;s &#224; gera&#231;&#227;o de energia, aquecimento ou produ&#231;&#227;o de biometano.</p><p>Praticamente todo res&#237;duo org&#226;nico pode virar biog&#225;s: restos de comida, fezes de animais, esgoto, res&#237;duos agr&#237;colas e at&#233; lixo urbano. Mas na pr&#225;tica, o que mais se destacou at&#233; agora no Brasil foram tr&#234;s fontes principais:</p><ol><li><p><strong>Dejetos da suinocultura e bovinocultura</strong>, muito presentes no Sul e Centro-Oeste;</p></li><li><p><strong>Res&#237;duos da cana-de-a&#231;&#250;car</strong>, como vinha&#231;a e torta de filtro, comuns no Sudeste;</p></li><li><p><strong>Aterros sanit&#225;rios bem estruturados</strong>, principalmente em grandes centros urbanos.</p></li></ol><p>Essas fontes se destacam porque t&#234;m volume constante, custo de log&#237;stica vi&#225;vel e, no caso do agro, trazem retorno tamb&#233;m na gest&#227;o ambiental da propriedade. J&#225; os lix&#245;es, que n&#227;o t&#234;m controle t&#233;cnico sobre os res&#237;duos, acabam fora do jogo por n&#227;o garantirem produ&#231;&#227;o consistente de g&#225;s.</p><p>A imagem abaixo representa dados de 2023 das origens do biog&#225;s e seu uso final em valores percentuais:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png" width="1149" height="488" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:488,&quot;width&quot;:1149,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fi_o!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F209937ca-b090-4c61-8c01-edbdbe2de8fe_1149x488.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>CIBIOG&#193;S. Panorama do Biog&#225;s no Brasil em 2023</em></p><h2>Gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica</h2><p>Uma das aplica&#231;&#245;es mais diretas do biog&#225;s &#233; a gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica e t&#233;rmica. &#201; poss&#237;vel usar o g&#225;s diretamente em motogeradores, turbinas e caldeiras, transformando um passivo ambiental em energia &#250;til para consumo local ou inje&#231;&#227;o na rede. Esse modelo &#233; especialmente interessante em aterros sanit&#225;rios e agroind&#250;strias onde h&#225; gera&#231;&#227;o constante de res&#237;duos e demanda energ&#233;tica no mesmo local.</p><p>Ao longo das &#250;ltimas duas d&#233;cadas, os projetos de biog&#225;s no Brasil evolu&#237;ram para um cen&#225;rio de regula&#231;&#227;o mais claro e abertura de novos modelos de neg&#243;cio. Nos anos iniciais (2002&#8211;2008), o biog&#225;s ficou de fora de programas como o PROINFA, o que for&#231;ou os primeiros projetos a buscarem apoio via cr&#233;ditos de carbono, contratos bilaterais no mercado livre e o modelo de autoprodu&#231;&#227;o. A viabilidade financeira era uma realidade apenas em nichos, como no caso da UTE Bandeirantes, projeto de 22,2MW inaugurado em 2004 no Aterro Sanit&#225;rio Bandeirantes, at&#233; ent&#227;o o maior de S&#227;o Paulo. Foram investidos cerca de R$ 48 milh&#245;es e foi assinado um contrato bilateral no ACL com o banco Ita&#250; (inova&#231;&#227;o regulat&#243;ria na &#233;poca). A receita de cr&#233;ditos de carbono, os descontos nas tarifas de uso de rede e a isen&#231;&#227;o de encargos foram os principais incentivos indiretos para viabiliza&#231;&#227;o de projetos.</p><p>Os cr&#233;ditos de carbono eram autorizados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto, em que a redu&#231;&#227;o de metano era compensada em receita por cr&#233;ditos de carbono para os projetos aprovados. E ela chegava a representar a principal fonte de receita dos projetos, superando o valor de venda da energia.</p><p>Entre 2009 e 2015, o setor come&#231;ou a ganhar f&#244;lego com melhorias regulat&#243;rias. Em 2010 foi sancionada a Pol&#237;tica Nacional de Res&#237;duos S&#243;lidos (PNRS), determinando o fechamento de lix&#245;es e estimulando a destina&#231;&#227;o adequada de res&#237;duos. Embora a PNRS n&#227;o obrigue o aproveitamento energ&#233;tico do biog&#225;s, o maior rigor ambiental impulsionou aterros sanit&#225;rios modernos. Nessa &#233;poca, por&#233;m, o mercado de carbono sofreu abalos: a crise financeira global e as indefini&#231;&#245;es p&#243;s-Quioto reduziram drasticamente o valor dos cr&#233;ditos ap&#243;s 2012. Assim, novos projetos tiveram que se sustentar cada vez mais na venda de energia e em incentivos nacionais.</p><p>Pol&#237;ticas de financiamento foram fundamentais para viabilizar projetos nesse per&#237;odo. O Grupo Solv&#237; contou com financiamento do BNDES via fundo Clima para financiar os projetos em aterro sanit&#225;rio da UTE Termoverde Salvador de 19,7MW e da Biot&#233;rmica Recreio no RS com 8,5MW. Ambos com comercializa&#231;&#227;o de energia no mercado livre. E a UTE Termoverde Caieiras em SP inaugurou em 2016 a maior usina de biog&#225;s do Brasil com 29,5MW, viabilizada pelo enquadramento no REIDI (reduzindo custos tribut&#225;rios), financiamento do BNDES e benef&#237;cio de isen&#231;&#227;o de ICMS pelo estado de SP.</p><p>No setor agroindustrial, os projetos ainda eram incipientes nessa fase. A maior parte dos biodigestores em fazendas servia para queima do biog&#225;s ou cogera&#231;&#227;o local.</p><p>A partir de 2015 com a expans&#227;o da regula&#231;&#227;o de Gera&#231;&#227;o Distribu&#237;da, permitindo projetos de maior pot&#234;ncia instalada e inje&#231;&#227;o de energia para compensa&#231;&#227;o remota, muitos projetos foram destravados, principalmente no setor agro e em aterros sanit&#225;rios de pequeno porte.</p><p>Um marco hist&#243;rico para o setor foi a entrada do biog&#225;s nos leil&#245;es regulados de energia. Em abril de 2016, a UTE Bonfim, da Ra&#237;zen Geo, foi vencedora de leil&#227;o de energia nova com biog&#225;s de res&#237;duos da cana-de-a&#231;&#250;car. Com 20,9 MW de pot&#234;ncia outorgada e lance vencedor de cerca de R$ 251/MWh, a usina firmou um PPA de 25 anos iniciando gera&#231;&#227;o em 2021&#8203;. A partir de ent&#227;o, modelos como autoprodu&#231;&#227;o e PPAs de m&#233;dio prazo tamb&#233;m se tornaram frequentes.</p><p>Por fim, pol&#237;ticas recentes refor&#231;am o horizonte positivo para o biog&#225;s, mas trazem novos desafios para o seu uso para gera&#231;&#227;o de energia. O RenovaBio (Pol&#237;tica Nacional de Biocombust&#237;veis) publicado em 2017 incluiu o biog&#225;s/biometano como combust&#237;vel eleg&#237;vel a cr&#233;ditos de descarboniza&#231;&#227;o (CBIOs), melhorando a rentabilidade de projetos que optem por produzir biometano em vez de eletricidade, iniciando um novo ciclo de competi&#231;&#227;o para uso final do biog&#225;s.</p><p>O biometano como uso final do biog&#225;s apresenta o maior potencial de crescimento futuro, especialmente com a crescente demanda por combust&#237;veis renov&#225;veis para transporte pesado e industrial. A viabilidade financeira est&#225; melhorando com o aumento da escala dos projetos e pol&#237;ticas de incentivo, como o RenovaBio, e novos programas em discuss&#227;o. Ainda assim, a viabilidade financeira depende fortemente da escala e da proximidade com a infraestrutura de g&#225;s natural, com <em>payback</em> variando entre 4 e 7 anos. Falaremos em breve com mais detalhes sobre essa oportunidade.</p><h2>Uma an&#225;lise sobre retorno de investimento dos projetos hoje</h2><p>Agora vamos aos dias de hoje e analisar de forma resumida o retorno de investimento sobre projetos de gera&#231;&#227;o de energia de diferentes tamanhos.</p><p><strong>Projetos de pequeno porte (at&#233; 250 kW): </strong>normalmente s&#227;o de biodigestores em propriedades rurais. O investimento total aproximado ser&#225; de R$500 mil a R$1 milh&#227;o, com custo por kW de R$5.000 a R$10.000/kW, refletindo a aus&#234;ncia de escala. Os custos operacionais s&#227;o proporcionais, podendo atingir at&#233; 15% do investimento por ano. S&#227;o vi&#225;veis principalmente quando a energia &#233; usada para autoconsumo atrav&#233;s da gera&#231;&#227;o distribu&#237;da ou com substitui&#231;&#227;o de gerador a diesel. Com isso, a depender da distribuidora o <em>payback</em> simples ser&#225; entre 4 e 8 anos, com TIR real desalavancada podendo ultrapassar 20% em casos bem estruturados com tarifas elevadas ou ganhos adicionais como produ&#231;&#227;o de biofertilizante. Em modelos menos otimizados, a viabilidade pode ser comprometida.</p><p><strong>Projetos de m&#233;dio porte (250 kW a 2 MW): </strong>usinas em aterros regionais ou cons&#243;rcios de produtores, apresentam investimento entre R$1 milh&#227;o e R$5 milh&#245;es, com custo por kW em torno de R$4.000 a R$7.000. Com maior efici&#234;ncia e gera&#231;&#227;o, o custo operacional cai (R$60&#8211;120/MWh), e o <em>payback</em> simples varia entre 4 e 10 anos, dependendo principalmente da distribuidora de energia, benef&#237;cios de ICMS existente e da possibilidade de receitas adicionais (como tratamento de res&#237;duos). A TIR real desalavancada t&#237;pica considerando gera&#231;&#227;o distribu&#237;da atrav&#233;s de contratos de autoconsumo remoto ou gera&#231;&#227;o compartilhada gira entre 12% e 20% ao ano, sendo atrativa quando h&#225; contratos mais longos e em distribuidoras onde h&#225; menor satura&#231;&#227;o de aloca&#231;&#227;o de energia na GD.</p><p><strong>Projetos de grande porte (acima de 2 MW):</strong> como usinas em aterros metropolitanos ou plantas de biog&#225;s em usinas de cana, se beneficiam de economia de escala com CAPEX entre R$2.000 e R$4.500/kW e custos operacionais mais baixos (R$40&#8211;90/MWh). O investimento pode ultrapassar os R$20 milh&#245;es e apresenta maior desafio de comercializa&#231;&#227;o de energia, ultrapassando o limite da GD e enfrentando dificuldade de viabiliza&#231;&#227;o com tarifas no ACL. O <em>payback</em> varia entre 5 e 10 anos, e a TIR real desalavancada costuma ficar entre 10% e 16%, podendo ultrapassar 20% quando h&#225; incentivos ou monetiza&#231;&#227;o de subprodutos como CBIOs. No entanto, sem pre&#231;os de energia atrativos ou com CAPEX elevado, esses projetos enfrentam maior risco de n&#227;o alcan&#231;ar retorno compat&#237;vel com o capital investido.</p><p>Resumindo, projetos de pequeno e m&#233;dio porte viabilizam na Gera&#231;&#227;o Distribu&#237;da por usufruir do abatimento na conta de luz e devem continuar com viabilidade financeira interessante nos pr&#243;ximos anos. J&#225; projetos grandes podem buscar o ACL para negociar PPAs verdes sob medida. Uma estrat&#233;gia do setor para viabilizar projetos maiores tem sido combinar modalidades, por exemplo, produzir biometano para vender como combust&#237;vel e usar parte do biog&#225;s para gerar eletricidade via GD para consumo local, maximizando o aproveitamento econ&#244;mico.</p><h2>Tamanho do mercado e desafio da expans&#227;o</h2><p>O Brasil possui um potencial t&#233;cnico de produ&#231;&#227;o de biog&#225;s estimado em mais de 216 milh&#245;es de m&#179;/dia (como refer&#234;ncia o consumo total de g&#225;s natural hoje no Brasil &#233; de 52 milh&#245;es de m&#179;/dia) e hoje exploramos menos de 2% desse potencial. Juntas, as fontes agropecu&#225;rias e agroindustriais respondem por cerca de 95% do potencial total, o que posiciona o Brasil como uma pot&#234;ncia natural para o biog&#225;s.</p><p>Apesar do potencial enorme, o setor de biog&#225;s no Brasil ainda esbarra em alguns desafios. Do lado t&#233;cnico, ainda falta cadeia de fornecimento mais robusta e com solu&#231;&#245;es prontas, o que acaba gerando desafios para a engenharia e riscos na opera&#231;&#227;o. Financeiramente, os investimentos iniciais s&#227;o altos, o acesso a cr&#233;dito &#233; dif&#237;cil e, muitas vezes, o projeto s&#243; fecha a conta se conseguir ganhar tamb&#233;m com subprodutos, como biofertilizantes ou cr&#233;ditos de carbono. Na parte regulat&#243;ria, o cen&#225;rio ainda tem lacunas: burocracia no licenciamento, complexidade para comercializa&#231;&#227;o do biometano e pouco incentivo a biog&#225;s em leil&#245;es de energia. Al&#233;m disso, resta a quest&#227;o da infraestrutura pois muitos projetos est&#227;o longe de redes el&#233;tricas ou gasodutos, o que complica o escoamento e aumenta os custos. Ou seja, o setor tem muito potencial, mas trava no tamanho do nosso pa&#237;s e complexidade de expans&#227;o.</p><p>Ainda assim, o biog&#225;s oferece oportunidades claras para gera&#231;&#227;o de energia firme, complementando fontes intermitentes como solar e e&#243;lica, com destaque para uso em propriedades rurais, usinas agroindustriais e aterros sanit&#225;rios em grandes centros urbanos. Com o avan&#231;o regulat&#243;rio, os incentivos ao biometano e a tend&#234;ncia de descarboniza&#231;&#227;o, os projetos passam a ter acesso a novos mercados e receitas como CBIOs, biofertilizantes e combust&#237;veis verdes, ampliando a atratividade da cadeia do biog&#225;s, mas ao mesmo tempo aumentando a competi&#231;&#227;o para a aplica&#231;&#227;o de gera&#231;&#227;o de energia, que tem sido tratada em segundo plano nas iniciativas em andamento.</p><h2>Conclus&#227;o</h2><p>O cen&#225;rio da gera&#231;&#227;o de energia via biog&#225;s no Brasil &#233; de otimismo cauteloso. De um lado, existe um consenso sobre as oportunidades: potencial t&#233;cnico gigantesco, m&#250;ltiplos benef&#237;cios ambientais e econ&#244;micos, tecnologias dispon&#237;veis e uma converg&#234;ncia com agendas de sustentabilidade. Por outro lado, os desafios e gargalos que citamos ainda freiam um aproveitamento mais significativo.</p><p>Os diferentes modelos de neg&#243;cio (GD, mercado livre, leil&#245;es regulados) oferecem caminhos distintos, que podem ser combinados para dar robustez aos projetos. Na pr&#225;tica, cada regi&#227;o do pa&#237;s encontrar&#225; a f&#243;rmula mais adequada ao seu contexto, mas acreditamos que projetos de pequeno e m&#233;dio porte tendem a se beneficiar da evolu&#231;&#227;o t&#233;cnica do setor e projetos de maior porte das evolu&#231;&#245;es regulat&#243;rias e utiliza&#231;&#227;o de outras formas de uso do g&#225;s, como biometano.</p><p>Em resumo, o biog&#225;s no Brasil passou de promessa para realidade com crescimento de 8x na &#250;ltima d&#233;cada&#8203;, por&#233;m ainda engatinha frente ao potencial dispon&#237;vel. A viabilidade financeira &#233; pe&#231;a-chave. Portanto, os pr&#243;ximos anos exigir&#227;o um esfor&#231;o conjunto de inova&#231;&#227;o tecnol&#243;gica, arranjos criativos de financiamento e aprimoramento regulat&#243;rio (valorizando servi&#231;os ambientais), tal como est&#225; sendo promovido para produ&#231;&#227;o de biometano, como discutiremos adiante.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cenário Atual de Investimentos em Renováveis no Brasil]]></title><description><![CDATA[Como explicar o momento negativo em pleno pico de expans&#227;o das renov&#225;veis?]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/cenario-atual-de-investimentos-em</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/cenario-atual-de-investimentos-em</guid><dc:creator><![CDATA[Felipe Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 15 May 2025 18:14:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Resumo</strong></h3><p>Hoje explicamos porque a ind&#250;stria de renov&#225;veis no Brasil est&#225; em um momento de baixa e pessimismo ap&#243;s um grande ciclo de crescimento nos &#250;ltimos anos. Pre&#231;os baixos de energia, <em>curtailment</em>, pre&#231;os hor&#225;rios e regionais desfavor&#225;veis, juros altos e fim de incentivos explicam esse quadro. Mas o jogo pode mudar nos pr&#243;ximos anos com uma combina&#231;&#227;o de conjuntura mais favor&#225;vel, avan&#231;o incessante da tecnologia, novos modelos de neg&#243;cio e mudan&#231;as de estrat&#233;gia de expans&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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No mesmo per&#237;odo apenas 5 GW de t&#233;rmicas a combust&#237;veis f&#243;sseis e hidrel&#233;tricas (incluindo PCHs) se conectaram &#224; rede.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png" width="751" height="442" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:442,&quot;width&quot;:751,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UP_v!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6f35d8d-abff-402e-8659-5dbe2b41c111_751x442.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Capacidade Nova Conectada ao Sistema El&#233;trico Brasileiro em GW (GD Grande Porte &gt; 500 kW) Fonte: ANEEL An&#225;lise Clima Rent&#225;vel</em></p><p>Vivemos ent&#227;o um per&#237;odo de exuber&#226;ncia dos investimentos em energias renov&#225;veis, certo? N&#227;o &#233; o clima que se respira no setor, com empresas reduzindo planos de investimento, a&#231;&#245;es muito abaixo das m&#225;ximas hist&#243;ricas e foco crescente em efici&#234;ncia operacional vs. crescimento. O que explica esse momento negativo no setor? Como concili&#225;-lo com a domin&#226;ncia das renov&#225;veis que vimos acima? E o que pode fazer esse quadro mudar? S&#227;o perguntas que vamos buscar responder neste artigo.</p><h3><strong>Fim de um ciclo</strong></h3><p>O que estamos vivendo parece ser o fim da festa ou a ressaca de um grande ciclo de investimento em renov&#225;veis no Brasil. Observando no gr&#225;fico abaixo os montantes investidos em renov&#225;veis ano a ano das empresas listadas mais relevantes no setor, esse movimento se torna claro. Com exce&#231;&#227;o da Engie, as empresas do setor reduziram em muito o seu n&#237;vel de investimento em novos projetos em 2024. Mesmo os investimentos da Engie refletem decis&#245;es tomadas em outro ambiente: o tempo entre a decis&#227;o de investimento e a entrada em opera&#231;&#227;o comercial de uma grande usina e&#243;lica ou solar &#233; de 3 a 5 anos.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png" width="913" height="455" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:455,&quot;width&quot;:913,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hcl6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2dce01d3-7934-4522-bb5a-0ad7f69edd07_913x455.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Investimentos em Projetos de Gera&#231;&#227;o de Energia Renov&#225;vel em R$ milh&#245;es Fonte: Relat&#243;rios Anuais das Empresas - An&#225;lise Clima Rent&#225;vel (obs: Serena n&#227;o atuava com desenvolvimento em 2021)</em></p><p>Qual a explica&#231;&#227;o? Por um lado as renov&#225;veis foram v&#237;timas do pr&#243;prio sucesso: o seu crescimento acelerado (incluindo a GD) levou a uma sobreoferta estrutural no setor afetando pre&#231;os de curto prazo (ver gr&#225;fico do PLD abaixo) e longo prazo. Pre&#231;os baixos reduzem a atratividade de investimento em novas usinas, as quais precisam travar os pre&#231;os de energia no longo prazo para garantir a financiabilidade e um retorno m&#237;nimo para os acionistas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!uOyl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F67b9305b-94fe-45c3-876a-1fdcfe891e1c_886x487.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!uOyl!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F67b9305b-94fe-45c3-876a-1fdcfe891e1c_886x487.png 424w, 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Pre&#231;o de Liquida&#231;&#227;o de Diferen&#231;as (PLD) por submercado ano a ano (R$/MWh) Fonte: Electra Energy com dados obtidos na CCEE</em></p><p>Adicionalmente, o crescimento das renov&#225;veis tamb&#233;m trouxe consigo um problema que est&#225; se agravando: o <em>curtailment</em>. Com projetos e&#243;licos e solares muito concentrados no Nordeste, especialmente em algumas regi&#245;es espec&#237;ficas (como o Rio Grande do Norte e o interior da Bahia), o sistema de transmiss&#227;o n&#227;o est&#225; dando conta de escoar toda a energia gerada em determinados momentos, levando o ONS (Operador Nacional do Sistema) a restringir a gera&#231;&#227;o de usinas e&#243;licas e solares com frequ&#234;ncia. Os n&#250;meros s&#227;o impressionantes: a Engie reportou perda de 8% na gera&#231;&#227;o e&#243;lica e 16% na solar em 2024 (vs. 7% e 15% do mercado como um todo). Para a Serena o impacto foi de 5% (considerando apenas ativos no Nordeste) e para a Neoenergia de 6%. Na avalia&#231;&#227;o de novos investimentos, o<em> curtailment</em> &#233; algo extremamente danoso pelo impacto elevado e, para piorar, incerto por depender de uma multitude de fatores como expans&#227;o da rede de transmiss&#227;o, demanda de energia local, entrada de novos projetos, evolu&#231;&#245;es na regula&#231;&#227;o&#8230; &#201; extremamente desconfort&#225;vel para quem est&#225; financiando um novo projeto precificar um risco dessa magnitude, o que torna dif&#237;cil aprovar novos projetos nesse cen&#225;rio.</p><p>A concentra&#231;&#227;o de projetos no Nordeste e as limita&#231;&#245;es da rede de transmiss&#227;o tamb&#233;m levaram &#224; materializa&#231;&#227;o de um outro risco que j&#225; estava mapeado mas n&#227;o necessariamente precificado: o descolamento de submercado. Como vemos no gr&#225;fico de PLD acima, em 2025 o PLD no submercado no Nordeste caiu para menos da metade do PLD no Sudeste. Isso pode impactar diretamente as receitas dos projetos da regi&#227;o: no mercado livre algu&#233;m tem que arcar com essa diferen&#231;a (gerador ou consumidor) e em geral os contratos tendem a alocar esse risco ao gerador. Uma perman&#234;ncia prolongada desse diferencial de pre&#231;o pode afetar e muito a viabilidade de novos projetos no Nordeste.</p><p>Falando em pre&#231;os, outro fen&#244;meno causado pelo crescimento das renov&#225;veis tem sido motivo de preocupa&#231;&#227;o no setor: a varia&#231;&#227;o dos pre&#231;os ao longo do dia. Com o crescimento da oferta de energia solar, os pre&#231;os durante o dia t&#234;m ficado significativamente abaixo dos pre&#231;os no final da tarde e &#224; noite. Assim como o diferencial de submercado, no mercado livre, geradores ou consumidores t&#234;m que arcar com essa diferen&#231;a. Esse diferencial &#233; um problema que impacta projetos solares de gera&#231;&#227;o centralizada. Para e&#243;licas, que costumam gerar mais &#224; noite, pode ser at&#233; uma oportunidade.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png" width="886" height="490" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:490,&quot;width&quot;:886,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xhVt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F085198ed-6866-43bf-98ee-d0dab45f8809_886x490.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Pre&#231;o de Liquida&#231;&#227;o de Diferen&#231;as (PLD) hor&#225;rio na &#250;ltima semana (R$/MWh) Fonte: Electra Energy com dados obtidos na CCEE</em></p><p>O cen&#225;rio macro atual tamb&#233;m n&#227;o ajuda. Normalmente os <em>hurdles </em>(retornos m&#237;nimos exigidos por investidores) de projetos de longo prazo como gera&#231;&#227;o de energia s&#227;o definidos como um pr&#234;mio em rela&#231;&#227;o aos juros de longo prazo. Hoje a NTN-B 2035, por exemplo, est&#225; em IPCA+7,23%. H&#225; 3 anos atr&#225;s esse t&#237;tulo p&#250;blico estava precificado a IPCA+5,72% e h&#225; 5 anos atr&#225;s a IPCA+4,43%. 1,5%-3% a mais de retorno n&#227;o &#233; algo simples de se obter em um cen&#225;rio de pre&#231;os mais baixos, mesmo com a queda no CAPEX da energia solar.</p><p>Finalmente estamos vivendo o fim de um ciclo de &#8220;corrida do ouro&#8221; de transi&#231;&#227;o para um cen&#225;rio de menores subs&#237;dios. Na gera&#231;&#227;o centralizada, os projetos de energia renov&#225;vel se beneficiaram por muito tempo de descontos de 50% na TUSD/TUST tanto para o gerador quanto para o consumidor da energia, como explicamos na semana passada. No entanto, em 2021, uma lei colocou um prazo para que esse benef&#237;cio expirasse: apenas projetos com outorga protocolada em 12 meses ap&#243;s a publica&#231;&#227;o da lei preservariam o benef&#237;cio e depois teriam mais 48 meses para entrar em opera&#231;&#227;o. Isso levou muitas empresas do setor a correr para colocar projetos de p&#233; (esse prazo foi estendido em mais 36 meses em 2024). A perspectiva iminente de fim dos subs&#237;dios &#233; uma explica&#231;&#227;o para o forte ciclo de investimentos entre 2021-24. Esse ciclo de investimentos por sua vez aumentou os &#237;ndices de alavancagem das empresas do setor que est&#227;o passando por um processo natural de desalavancagem que exige mais disciplina na aprova&#231;&#227;o de novos investimentos. A Serena por exemplo passou de um pico de d&#237;vida l&#237;quida EBITDA de 6,8x no 2T de 2023 para 4,4x no 4T de 2024.</p><p>J&#225; na gera&#231;&#227;o distribu&#237;da, a Lei 14.300 (marco legal da GD) garantiu a compensa&#231;&#227;o integral da energia para projetos que protocolassem o pedido de conex&#227;o at&#233; jan/23 (projetos GD1 no linguajar da ind&#250;stria) com redu&#231;&#227;o gradual do valor compensado para projetos que solicitassem acesso depois disso (projetos GD2). Isso levou a uma corrida desenfreada de solicita&#231;&#227;o de pareceres de acesso de GD1. Como as distribuidoras demoraram muito para processar tantos pedidos de conex&#227;o e depois providenciar a infraestrutura para conex&#227;o dos projetos, muitos projetos GD1 de maior porte entraram em opera&#231;&#227;o em 2024 e 2025. Mas essa leva est&#225; acabando e quando falamos de projetos maiores para subloca&#231;&#227;o no modelo de autoconsumo remoto ou gera&#231;&#227;o compartilhada, poucas empresas est&#227;o vendo a conta fechar para GD2.</p><h3><strong>E agora?</strong></h3><p>Depois de descrever essa &#8220;tempestade perfeita&#8221; que desacelerou investimentos no setor, vem a quest&#227;o: e agora? O que pode fazer esse quadro mudar? Quais as tend&#234;ncias para os pr&#243;ximos anos? N&#227;o vamos cometer o erro de tentar adivinhar o futuro, mas lan&#231;ar algumas hip&#243;teses sobre o que pode mudar e que tipos de investimento em renov&#225;veis devem ganhar tra&#231;&#227;o.</p><p>Primeiramente vamos lembrar do &#243;bvio: a vida &#233; feita de ciclos e quest&#245;es conjunturais como pre&#231;os de energia e taxas de juro podem e, provavelmente, v&#227;o mudar. Apesar de existir uma tend&#234;ncia de longo prazo de queda do pre&#231;o da energia com o aumento da penetra&#231;&#227;o das renov&#225;veis (como j&#225; falamos por aqui), os baixos pre&#231;os dos &#250;ltimos anos podem ser uma anomalia causada por sobreoferta e momento hidrol&#243;gico relativamente favor&#225;vel. Os pre&#231;os dependem tamb&#233;m da evolu&#231;&#227;o da demanda, a qual &#233; uma combina&#231;&#227;o do avan&#231;o da eletrifica&#231;&#227;o e da taxa de crescimento econ&#244;mico. Um cen&#225;rio de crescimento mais favor&#225;vel especialmente pode ajudar bastante. Sobre taxas de juros, deixamos para os economistas se arriscarem a fazer previs&#245;es (sob sua conta e risco!).</p><p>Os problemas relacionados &#224; concentra&#231;&#227;o de projetos no Nordeste (<em>curtailment</em> e descolamento de submercado) nos parecem mais estruturais. Por um lado, essa quest&#227;o ser&#225; parcialmente endere&#231;ada pelo aumento da capacidade de escoamento para outras regi&#245;es via obras j&#225; licitadas. O ONS estima que a capacidade de exporta&#231;&#227;o de energia pelo Nordeste passar&#225; dos atuais 13,8 GW para 19,5 GW em 2030. Por outro lado, os geradores n&#227;o est&#227;o limitados a terem uma postura passiva e esperar que os problemas se resolvam sozinhos. Trazer carga nova para pr&#243;ximo da gera&#231;&#227;o como a Serena est&#225; fazendo com a implanta&#231;&#227;o de <em>data centers </em>junto &#224;s suas usinas (objetivo de 100 MW de capacidade computacional at&#233; o primeiro trimestre de 2026) &#233; uma forma de ser parte da solu&#231;&#227;o. Adicionar baterias a projetos e&#243;licos e solares &#233; outra forma de lidar com a quest&#227;o. Provavelmente veremos essas e outras solu&#231;&#245;es criativas para esse desafio. Adicionalmente, essas solu&#231;&#245;es tamb&#233;m ajudam a gerenciar melhor os pre&#231;os hor&#225;rios.</p><p>Os consumidores tamb&#233;m podem se movimentar levando demanda para regi&#245;es com pre&#231;os estruturalmente mais baixos. O Nordeste tem, assim, uma oportunidade de atrair a ind&#250;stria eletrointensiva na pr&#243;xima d&#233;cada. Na regi&#227;o, por exemplo, est&#227;o os principais projetos para converter energia el&#233;trica em hidrog&#234;nio e derivados para exporta&#231;&#227;o como o Hub de Hidrog&#234;nio Verde do Complexo de Pec&#233;m (Cear&#225;).</p><p>Outra forma de lidar com o excesso de concentra&#231;&#227;o no Nordeste &#233; investir em novos projetos nas regi&#245;es Sudeste e Sul, mais pr&#243;ximos dos grandes centros de consumo. Por exemplo, o recurso solar do oeste de S&#227;o Paulo &#233; cerca de 10% inferior ao sert&#227;o nordestino. Mas 10% a menos de gera&#231;&#227;o podem ser amplamente compensados pela diferen&#231;a de pre&#231;o. Em e&#243;licas, executivos do mercado com quem falamos relataram um interesse crescente em novos projetos e&#243;licos no Rio Grande do Sul, onde os fatores de capacidade s&#227;o 20-30% inferiores aos do Nordeste, mas o pre&#231;o capturado pode ser significativamente maior pela diferen&#231;a de submercado e perfil hor&#225;rio da gera&#231;&#227;o (com pico no in&#237;cio da noite). No longo prazo, e&#243;licas <em>offshore</em> no Sudeste podem come&#231;ar a fazer sentido se as diferen&#231;as regionais de pre&#231;o se intensificarem.</p><p>Olhando mais longe, h&#225; motivos para acreditar que vir&#227;o novos grandes ciclos de investimento em energia renov&#225;vel no Brasil. A tecnologia continua a avan&#231;ar e os custos a cair a taxas impressionantes (ver artigo sobre o futuro da energia solar). Por exemplo, o combo renov&#225;veis + baterias pode ser uma alternativa despach&#225;vel mais competitiva do que t&#233;rmicas a g&#225;s em n&#227;o muito tempo, como j&#225; acontece em alguns lugares do mundo. E n&#227;o temos d&#250;vida de que o futuro ser&#225; cada vez mais el&#233;trico com o avan&#231;o da eletrifica&#231;&#227;o dos transportes e ind&#250;stria e crescimento acelerado da demanda de energia el&#233;trica para processamento de dados. O Brasil tem caracter&#237;sticas favor&#225;veis para o crescimento das renov&#225;veis - recursos naturais de primeira linha, grande sistema el&#233;trico interligado, hidrel&#233;tricas atuando como baterias, pre&#231;o relativamente alto de combust&#237;veis f&#243;sseis - e apostamos que, superada a ressaca atual, a ind&#250;stria continuar&#225; superando expectativas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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Trabalhamos com renov&#225;veis h&#225; mais de 10 anos e, apesar de j&#225; termos estudado e vivido de perto a evolu&#231;&#227;o regulat&#243;ria e os incentivos &#224;s fontes limpas, mergulhar novamente nessa hist&#243;ria com o olhar de hoje foi uma oportunidade maravilhosa e esperamos poder compartilhar da melhor forma poss&#237;vel para voc&#234;s. Mas deixa de bl&#225; bl&#225; bl&#225;, e vamos ao texto de hoje.</p><p>Em 2001 tivemos um evento que acelerou a transforma&#231;&#227;o do setor el&#233;trico brasileiro: a crise do apag&#227;o. A combina&#231;&#227;o de falhas na gest&#227;o do setor com um per&#237;odo prolongado de seca levou a um racionamento de energia que durou 9 meses e foi o estopim para uma grande reforma do setor el&#233;trico e o in&#237;cio de um plano estruturado de diversifica&#231;&#227;o da matriz el&#233;trica. O primeiro grande marco dessa transforma&#231;&#227;o foi o PROINFA em 2002, primeiro programa estruturado para estimular as fontes alternativas de energia, na &#233;poca com foco em e&#243;lica, biomassa e PCHs.</p><p>Nos &#250;ltimos 20 anos, e&#243;licas, solares e outras fontes renov&#225;veis v&#234;m ganhando espa&#231;o, puxadas por avan&#231;os tecnol&#243;gicos e um conjunto de regula&#231;&#245;es que moldaram esse mercado. Neste post, vamos contar de forma resumida a hist&#243;ria da energia renov&#225;vel no Brasil, explicar como a regula&#231;&#227;o brasileira impulsionou as fontes renov&#225;veis, os principais modelos de incentivo usados ao longo do tempo, e por que isso criou uma s&#233;rie de oportunidades para quem investe, desenvolve ou consome energia limpa.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><h2><strong>Um pouco de hist&#243;ria e regula&#231;&#227;o</strong></h2><p>O desenvolvimento do setor el&#233;trico brasileiro tem caracter&#237;stica fortemente renov&#225;vel, com foco na expans&#227;o das hidrel&#233;tricas ao longo do s&#233;culo passado. No entanto, quando falamos aqui em energias renov&#225;veis, estamos nos referindo principalmente &#224;s fontes alternativas &#224;s hidrel&#233;tricas, como a e&#243;lica, a solar, a biomassa e as pequenas centrais hidrel&#233;tricas (PCHs). O pr&#243;prio nome do PROINFA j&#225; deixa isso claro: Programa de Incentivo &#224;s Fontes Alternativas de Energia El&#233;trica.</p><p>Cabe destacar que o setor j&#225; vinha se modernizando antes do apag&#227;o. Desde os anos 1980 e 90, PCHs (Pequenas Centrais Hidrel&#233;tricas) tinham incentivos regulat&#243;rios, principalmente relacionados a isen&#231;&#227;o de encargos e licenciamento ambiental simplificado. O setor sucroalcooleiro j&#225; praticava cogera&#231;&#227;o com baga&#231;o de cana h&#225; d&#233;cadas e, nos anos 90, o governo come&#231;ou a estimular o aproveitamento da biomassa por meio de acordos de efici&#234;ncia e linhas de financiamento do BNDES.</p><p>Outro marco importante ocorreu em 1995, com a publica&#231;&#227;o da legisla&#231;&#227;o que criou as figuras do consumidor livre e do autoprodutor de energia el&#233;trica, lan&#231;amento da pedra fundamental no caminho do mercado livre de energia no Brasil.</p><p>E tamb&#233;m em 1998, na primeira fase de reestrutura&#231;&#227;o do setor el&#233;trico, &#233; criado o ONS (Operador Nacional do Sistema El&#233;trico) para planejar e operar o SIN (Sistema Interligado Nacional), garantindo confiabilidade do fornecimento de energia a n&#237;vel nacional.</p><p>A crise energ&#233;tica que ocorreu em 2001 e seguiu at&#233; 2002 acelerou e abriu espa&#231;o para os principais marcos regulat&#243;rios que consolidaram as fontes alternativas como pe&#231;as estrat&#233;gicas no planejamento do setor el&#233;trico, na &#233;poca ainda sem o cunho ambiental como motiva&#231;&#227;o predominante.</p><p>Abaixo, reunimos os principais marcos regulat&#243;rios que moldaram o avan&#231;o das energias renov&#225;veis no Brasil at&#233; 2012:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png" width="513" height="706" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:706,&quot;width&quot;:513,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZHTq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe21eb074-2738-4bdf-9202-ee6268275ce7_513x706.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h2><strong>Energia renov&#225;vel &#233; incentivada</strong></h2><p>Conforme a linha do tempo acima, em 2002 o PROINFA foi criado como o primeiro programa estruturado de incentivo &#224;s chamadas fontes alternativas de energia. A meta inicial do programa era contratar 3.300 MW de pot&#234;ncia instalada, garantindo contratos de 20 anos com tarifa fixa para os geradores, por meio da Eletrobras.</p><p>O PROINFA oferecia uma s&#233;rie de incentivos, entre eles: contrata&#231;&#227;o direta, sem necessidade de leil&#227;o competitivo, e financiamento facilitado por meio do BNDES.</p><p>Ainda que tenha enfrentado desafios (como atrasos na implanta&#231;&#227;o e custo elevado das tarifas iniciais), os quais geram alguns problemas estruturais at&#233; hoje, o PROINFA criou um mercado inicial, reduzindo riscos e atraindo fabricantes e investidores para o setor de renov&#225;veis.</p><p>Dois anos depois, uma transforma&#231;&#227;o ainda mais ampla aconteceu com a reforma do setor el&#233;trico, que estruturou o modelo regulat&#243;rio vigente at&#233; hoje. Nela foram criados ou formalizados os principais agentes do setor:</p><ul><li><p>EPE (Empresa de Pesquisa Energ&#233;tica): respons&#225;vel pelo planejamento do setor.</p></li><li><p>ANEEL (Ag&#234;ncia Nacional de Energia El&#233;trica): reguladora que define regras e fiscaliza o funcionamento do setor.</p></li><li><p>MME (Minist&#233;rio de Minas e Energia): respons&#225;vel pela formula&#231;&#227;o da pol&#237;tica energ&#233;tica.</p></li><li><p>CCEE (C&#226;mara de Comercializa&#231;&#227;o de Energia El&#233;trica): ambiente institucional onde as transa&#231;&#245;es de energia s&#227;o registradas.</p></li></ul><p>Essa reforma tamb&#233;m dividiu o mercado em dois grandes ambientes:</p><ul><li><p>ACR (Ambiente de Contrata&#231;&#227;o Regulada): em que distribuidoras compram energia por meio de leil&#245;es p&#250;blicos com regras transparentes.</p></li><li><p>ACL (Ambiente de Contrata&#231;&#227;o Livre): onde consumidores com demanda m&#237;nima (na &#233;poca acima de 3 MW) podem comprar energia diretamente de geradores ou comercializadores, com liberdade para negociar pre&#231;o, prazo e condi&#231;&#245;es.</p></li></ul><p>Desde a estrutura&#231;&#227;o do ACL, houve uma diferencia&#231;&#227;o clara entre energia convencional proveniente de hidrel&#233;tricas ou t&#233;rmicas, e energia incentivada, originada de fontes renov&#225;veis como PCHs, biomassa, e&#243;lica e, mais recentemente, solar.</p><p>A energia incentivada passou a ter descontos de 50% &#224; 100% na tarifa de uso do sistema de distribui&#231;&#227;o (TUSD) pagos por geradores e consumidores, conhecidos como &#8220;descontos no fio&#8221;. E crit&#233;rios mais flex&#237;veis para migra&#231;&#227;o de consumidores ao ACL, com r&#233;gua de menor demanda para a migra&#231;&#227;o para consumo de fontes alternativas, a qual permanece at&#233; hoje.</p><p>Esses benef&#237;cios foram fundamentais para fomentar a expans&#227;o das renov&#225;veis fora do mercado regulado, criando um ambiente mais competitivo e atraente para empresas que buscavam previsibilidade de pre&#231;os, redu&#231;&#227;o de custos e metas de sustentabilidade.</p><blockquote><p>&#128161;<em>O desconto de TUSD para energia incentivada foi regulamentado ainda em 2002 e vem sendo mantido (com ajustes) at&#233; hoje, embora com sinaliza&#231;&#245;es recentes de revis&#227;o para novos projetos.</em></p></blockquote><h2><strong>Leil&#245;es de energia</strong></h2><p>O primeiro leil&#227;o de energia nova no novo modelo do setor foi realizado em dezembro de 2005. Na ocasi&#227;o, foram contratados cerca de 2.100 MW de capacidade instalada. Esse leil&#227;o, no entanto, ainda n&#227;o teve participa&#231;&#227;o relevante das fontes alternativas, sendo contratada majoritariamente energia convencional, com predomin&#226;ncia de hidrel&#233;tricas.</p><p>Em 2007, o governo organizou o primeiro leil&#227;o dedicado &#224;s fontes alternativas. O objetivo era estimular biomassa e PCHs. Nesse leil&#227;o, foram contratados cerca de 1.380 MW, sendo 61% de PCHs e 39% de biomassa.</p><p>Apesar de ter participado desse leil&#227;o, a energia e&#243;lica ainda enfrentava desafios regulat&#243;rios, t&#233;cnicos e de precifica&#231;&#227;o. O verdadeiro ponto de virada para a fonte ocorreu em 2009, com o primeiro leil&#227;o de energia exclusivo. Foram contratados cerca de 1.800 MW de capacidade instalada com pre&#231;os altamente competitivos, marcando o in&#237;cio do "boom e&#243;lico" no Brasil, especialmente no Nordeste, onde era poss&#237;vel encontrar os maiores fatores de capacidade (rela&#231;&#227;o entre a energia produzida e o m&#225;ximo possibilitado pela capacidade instalada).</p><p>Ainda nessa linha de evolu&#231;&#227;o, em 2011 foi sancionada lei que criou as chamadas deb&#234;ntures incentivadas. O instrumento permitiu que investidores pessoa f&#237;sica tivessem isen&#231;&#227;o de imposto de renda sobre os rendimentos de t&#237;tulos emitidos por projetos de infraestrutura priorit&#225;rios, incluindo energia renov&#225;vel. Essa pol&#237;tica teve forte impacto positivo na atra&#231;&#227;o de capital privado para projetos de energia limpa nos anos seguintes.</p><h2><strong>Boom da energia solar e gera&#231;&#227;o pr&#243;pria de energia</strong></h2><p>A partir de 2012, inicia-se uma nova fase na evolu&#231;&#227;o do setor, marcada por maior maturidade regulat&#243;ria e crescimento acelerado da energia solar, como ilustrado na linha do tempo a seguir:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FFhi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9ff2458f-4252-4a83-82db-288816880501_898x1166.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Em 2014, o Brasil realizou o primeiro leil&#227;o de energia com contrata&#231;&#227;o de solar fotovoltaica, marcando o in&#237;cio da fonte no mercado regulado. Foram contratados cerca de 890 MW com pre&#231;o m&#233;dio de R$ 215/MWh, valor ainda elevado na &#233;poca, refletindo os custos de uma ind&#250;stria nascente no pa&#237;s.</p><p>Para efeito de compara&#231;&#227;o, a energia e&#243;lica j&#225; vinha apresentando queda consistente de pre&#231;os nos leil&#245;es de energia:</p><ul><li><p>Em 2009, seu pre&#231;o m&#233;dio foi de R$ 148/MWh;</p></li><li><p>Em 2010, caiu para R$ 134/MWh;</p></li><li><p>E em 2011, atingiu apenas R$ 99/MWh.</p></li></ul><p>A solar fotovoltaica tamb&#233;m teve, em poucos anos, uma queda de pre&#231;os vertiginosa, consolidando a fonte como uma das mais competitivas da matriz:</p><ul><li><p>No Leil&#227;o de 2019, o pre&#231;o m&#233;dio da solar caiu para cerca de R$ 67/MWh</p></li><li><p>No Leil&#227;o A-6 de 2021, subiu para R$ 122/MWh, refletindo o impacto do d&#243;lar no CAPEX, entre outros fatores.</p></li></ul><p>Al&#233;m de refletir a evolu&#231;&#227;o da tecnologia, essa oferta agressiva nos &#250;ltimos dois leil&#245;es tamb&#233;m tinha objetivos estrat&#233;gicos: garantir acesso &#224; rede, aumentar a bancabilidade junto a financiadores, e aproveitar o crescimento do ACL para negociar o excedente a pre&#231;os mais atraentes.</p><p>A partir de 2017/18, uma nova tend&#234;ncia surgiu nos projetos de energia renov&#225;vel: estes passaram a depender cada vez menos da comercializa&#231;&#227;o da energia via leil&#245;es no ambiente regulado, passando a comercializar parte ou toda sua energia no mercado livre, em contratos bilaterais de longo prazo com grandes consumidores no modelo de autoprodu&#231;&#227;o de energia ou venda direta. Essa mudan&#231;a combinada a um aumento da participa&#231;&#227;o do mercado de capitais no financiamento de projetos (via deb&#234;ntures incentivadas, principalmente) tornou o setor menos dependente do planejamento centralizado do governo.</p><p>Como contamos em<a href="https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-da-energia-solar"> nosso artigo anterior sobre o futuro da energia solar</a>, os ganhos de escala, digitaliza&#231;&#227;o e evolu&#231;&#227;o da cadeia produtiva transformaram completamente o custo e a confiabilidade das renov&#225;veis. No caso da solar, o custo de instala&#231;&#227;o caiu mais de 80% em uma d&#233;cada.</p><h2><strong>Modelos de neg&#243;cios para gera&#231;&#227;o pr&#243;pria de energia</strong></h2><p>No segundo ciclo de evolu&#231;&#227;o regulat&#243;ria descrito acima, o modelo de autoprodu&#231;&#227;o ganhou for&#231;a e se expandiu rapidamente. A Autoprodu&#231;&#227;o &#233; quando um consumidor ou grupo de consumidores investe em uma usina (e&#243;lica, solar, PCH, etc.) para gerar a energia que consome, podendo operar via mercado livre (ACL). Vamos falar mais do modelo em outro post, mas &#224; medida que o setor foi se modernizando, as barreiras de entrada para o mercado livre diminu&#237;ram e as fontes renov&#225;veis se tornaram mais competitivas. Esse cen&#225;rio estimulou o crescimento acelerado da autoprodu&#231;&#227;o, especialmente entre grandes consumidores industriais e comerciais.</p><p>O modelo foi impulsionado por marcos regulat&#243;rios relevantes, como em 2016, quando foram definidos crit&#233;rios t&#233;cnicos para enquadramento como autoprodutor, e formalizadas regras e diferencia&#231;&#245;es no setor. Al&#233;m disso, a autoprodu&#231;&#227;o contou com incentivos fiscais importantes, como desconto no fio, possibilidade de compensa&#231;&#227;o de encargos setoriais e isen&#231;&#245;es espec&#237;ficas de ICMS em alguns estados.</p><p>Outro modelo de gera&#231;&#227;o pr&#243;pria que cresceu de forma significativa foi o da Gera&#231;&#227;o Distribu&#237;da (GD). Em 2012, com a publica&#231;&#227;o da Resolu&#231;&#227;o Normativa da ANEEL, consumidores brasileiros passaram a poder gerar sua pr&#243;pria energia, principalmente solar, utilizando o modelo de <em>net metering</em>, um sistema de compensa&#231;&#227;o entre a energia gerada localmente e a consumida da rede.</p><p>Em 2015, foi publicada resolu&#231;&#227;o que ampliou o escopo da GD, permitindo gera&#231;&#227;o remota de projetos de at&#233; 5 MW e criando a possibilidade de compartilhamento de cr&#233;ditos de energia entre diferentes consumidores por meio de cons&#243;rcios, cooperativas e condom&#237;nios solares. Esse &#250;ltimo foi popularizado, hoje em dia, como assinatura de energia solar.</p><p>Isso democratizou o acesso &#224; energia renov&#225;vel: mesmo consumidores que n&#227;o tinham espa&#231;o para gera&#231;&#227;o local ou que n&#227;o atendiam os requisitos do mercado livre puderam se tornar produtores e reduzir seus custos energ&#233;ticos.</p><p>A partir de 2022, inicia-se uma transi&#231;&#227;o gradual de redu&#231;&#227;o de subs&#237;dios &#224; gera&#231;&#227;o pr&#243;pria de energia. A publica&#231;&#227;o do Marco Legal da Gera&#231;&#227;o Distribu&#237;da trouxe novas regras para o sistema de compensa&#231;&#227;o de energia, garantindo a manuten&#231;&#227;o dos benef&#237;cios at&#233; 2045 para quem instalou sistemas at&#233; janeiro de 2023, mas reduzindo gradualmente os incentivos para novos projetos (que passaram a n&#227;o compensar 100% do valor da energia gerada).</p><p>Al&#233;m disso, tamb&#233;m em 2022, a ANEEL definiu os crit&#233;rios de manuten&#231;&#227;o de descontos no fio para projetos de autoprodu&#231;&#227;o, com prazos e limites que visam equilibrar o benef&#237;cio fiscal com a sustentabilidade econ&#244;mica do setor.</p><h2><strong>Agora vamos falar de capacidade</strong></h2><p>O crescimento acelerado da GD, da autoprodu&#231;&#227;o e do mercado livre de energia fez com que as renov&#225;veis superassem em muito as proje&#231;&#245;es de crescimento de 10-15 anos atr&#225;s. Diferente dos leil&#245;es centralizados, que permitem controle sobre o volume contratado, localiza&#231;&#227;o e perfil das usinas, a expans&#227;o menos coordenada da gera&#231;&#227;o pr&#243;pria e do mercado livre trouxe novos desafios operacionais, entre eles:</p><ul><li><p>Dificuldade de escoamento da energia gerada, devido &#224; limita&#231;&#227;o das redes de transmiss&#227;o e distribui&#231;&#227;o;</p></li><li><p>Impactos no pre&#231;o de energia em determinados hor&#225;rios e regi&#245;es;</p></li><li><p>Imprevisibilidade na gera&#231;&#227;o em raz&#227;o do aumento da participa&#231;&#227;o de fontes chamadas n&#227;o despach&#225;veis, ou seja, que n&#227;o podem ser ligadas ou desligadas sob comando do operador (como solar e e&#243;lica), ao contr&#225;rio de hidrel&#233;tricas com reservat&#243;rios ou termel&#233;tricas.</p></li></ul><p>Esse cen&#225;rio intensificou a ocorr&#234;ncia de <em>curtailment</em>, evento que ocorre quando a gera&#231;&#227;o &#233; reduzida ou interrompida por falta de capacidade de escoamento. O problema j&#225; traz para os geradores impacto financeiro de bilh&#245;es de reais em gera&#231;&#227;o "perdida" em &#225;reas como o norte de Minas Gerais e o Nordeste, justamente onde as fontes renov&#225;veis mais cresceram.</p><p>Para mitigar o desafio de imprevisibilidade da gera&#231;&#227;o das fontes renov&#225;veis, o setor passou a discutir e implementar os leil&#245;es de capacidade, cujo foco &#233; contratar pot&#234;ncia (MW), ou seja, a garantia de entrega de energia sob demanda, e n&#227;o apenas a energia efetivamente gerada (MWh).</p><p>O primeiro leil&#227;o de capacidade foi realizado em 2021, e marcou uma mudan&#231;a estrutural importante. Esse tipo de contrata&#231;&#227;o valoriza fontes que contribuem para a estabilidade do sistema, como t&#233;rmicas flex&#237;veis, hidrel&#233;tricas com reservat&#243;rio, e, futuramente, sistemas de armazenamento de energia.</p><p>Essa &#233; uma conversa para outro post, mas n&#227;o podemos falar de renov&#225;veis e n&#227;o citar a oportunidade de implantar projetos de armazenamento de energia, os quais trar&#227;o seguran&#231;a para o setor e ajudar&#227;o geradores e consumidores a lidar com o desafio de precifica&#231;&#227;o hor&#225;ria da energia, que j&#225; est&#225; vigente no mercado livre.</p><h2><strong>Evolu&#231;&#227;o da regula&#231;&#227;o</strong></h2><p>As evolu&#231;&#245;es seguintes da regula&#231;&#227;o ser&#227;o cada vez mais direcionadas ao aumento da confiabilidade do sistema e acesso de energia livre para todo consumidor.</p><p>Com o aumento da participa&#231;&#227;o de renov&#225;veis, cada vez mais fortes pelo aumento de viabilidade financeira mesmo sem incentivos com motiva&#231;&#245;es ambientais, ter um modelo sustent&#225;vel de inser&#231;&#227;o de baterias e fontes de demanda flex&#237;veis ser&#225; fundamental para manter a curva de crescimento acentuada.</p><p>E o movimento de abertura do mercado livre realizado em 2019 e depois em 2023 para mais consumidores, &#233; uma tend&#234;ncia que deve continuar at&#233; abertura total a partir de 2027. Essa abertura propiciar&#225; novos desafios na opera&#231;&#227;o do setor de energia e complexidade na avalia&#231;&#227;o de projetos de energia renov&#225;vel e armazenamento. Adoramos isso e come&#231;aremos a tratar de modelos que est&#227;o sendo adotados em outros pa&#237;ses e que devem ser uma tend&#234;ncia no Brasil para que investidores possam aproveitar as maiores oportunidades.</p><h2><strong>Conclus&#227;o: o Brasil tem a faca, o queijo e o sol na m&#227;o</strong></h2><p>Com abund&#226;ncia de recursos naturais, estrutura regulat&#243;ria amadurecida e uma base tecnol&#243;gica em ascens&#227;o, o Brasil tem tudo para ser um protagonista global na transi&#231;&#227;o energ&#233;tica.</p><p>Para investidores, empreendedores e consumidores, as oportunidades j&#225; est&#227;o batendo &#224; porta, seja atrav&#233;s de gera&#231;&#227;o pr&#243;pria, de novos modelos de neg&#243;cio ou de ativos financeiros ligados &#224; energia limpa.</p><p>E aqui no Clima Rent&#225;vel, seguiremos de olho nessas oportunidades. Nos pr&#243;ximos textos, vamos explorar temas que come&#231;amos a falar por aqui, como fundos de investimento em infraestrutura, armazenamento de energia, novos desafios da gera&#231;&#227;o distribu&#237;da e autoprodu&#231;&#227;o, e abertura do mercado livre de energia. At&#233; breve.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O futuro da energia solar]]></title><description><![CDATA[At&#233; onde a energia do sol pode chegar?]]></description><link>https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-da-energia-solar</link><guid isPermaLink="false">https://www.climarentavel.com.br/p/o-futuro-da-energia-solar</guid><dc:creator><![CDATA[Felipe Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Apr 2025 17:20:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p><p>A energia solar &#233; uma hist&#243;ria de sucesso nos &#250;ltimos 20 anos: com o seu custo caindo dramaticamente, tornou-se a tecnologia dominante para novos projetos de gera&#231;&#227;o de energia no mundo. Entretanto esse sucesso tem um custo: com o aumento da penetra&#231;&#227;o da energia solar o seu valor para a rede el&#233;trica tende a decrescer. S&#227;o necess&#225;rias novas tecnologias de c&#233;lulas fotovoltaicas para que a energia solar continue competitiva, assim como evolu&#231;&#245;es na rede el&#233;trica e no armazenamento de energia. Finalmente tecnologias disruptivas buscam levar a energia solar para outros setores, convertendo diretamente a energia solar em combust&#237;veis &#250;teis para a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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Inicialmente a energia solar fotovoltaica foi utilizada como uma solu&#231;&#227;o para gerar energia para sat&#233;lites, onde efici&#234;ncia e confiabilidade eram considera&#231;&#245;es muito mais importantes do que o custo.</p><p>Nos &#250;ltimos 20 anos, no entanto, a energia solar deixou de ser uma tecnologia &#8220;bonitinha&#8221; que parava de p&#233; economicamente apenas com subs&#237;dios pesados para se tornar uma tecnologia dominante de gera&#231;&#227;o de energia, representando mais de 70% da capacidade total adicionada em 2024 no mundo (451 GW ou 32 Itaipus).</p><p>Esse sucesso tem tudo a ver com o conceito de curvas de experi&#234;ncia: custos unit&#225;rios caem &#224; medida que a produ&#231;&#227;o acumulada de um determinado produto cresce. E isso aconteceu de forma dram&#225;tica para a energia solar fotovoltaica nos &#250;ltimos 15 anos, mais do que para qualquer outra tecnologia de gera&#231;&#227;o de energia renov&#225;vel. O gr&#225;fico abaixo mostra os custos de instala&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o da capacidade instalada acumulada (em escala logar&#237;tmica): vemos que a inclina&#231;&#227;o da curva, ou seja, o ritmo da queda de custos da energia solar fotovoltaica &#224; medida que a capacidade instalada dobra &#233; maior do que para as outras tecnologias. O n&#250;mero &#233; impressionante: a cada vez que a capacidade instalada dobra, os custos caem em 1/3. E essa tend&#234;ncia n&#227;o desacelerou com o tempo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jiQb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png" width="762" height="581" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1c8eed7f-b293-43af-b259-48ee537a166a_762x581.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:581,&quot;width&quot;:762,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;A graph of a solar power\n\nAI-generated content may be incorrect.&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="A graph of a solar power

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Um conjunto de fatores explica esse fen&#244;meno: (i) avan&#231;os tecnol&#243;gicos que tornaram os paineis mais eficientes (efici&#234;ncia &#233; o percentual da energia vinda do sol convertida em energia el&#233;trica); (ii) as economias de escala da produ&#231;&#227;o de bilh&#245;es de unidades de um item relativamente padronizado (o painel solar); (iii) evolu&#231;&#245;es incrementais nas diversas etapas de fabrica&#231;&#227;o de um painel solar e (iv) queda dos demais custos (al&#233;m do painel) de um projeto solar, como, por exemplo, via m&#233;todos de instala&#231;&#227;o mais eficientes e custo de capital decrescente &#224; medida que investidores se tornaram mais confort&#225;veis com os riscos da tecnologia.</p><p><strong>O pre&#231;o do sucesso: valor decrescente</strong></p><p>Mas nem tudo s&#227;o flores nessa trajet&#243;ria brilhante (desculpa, n&#227;o resisti) da energia solar. A tecnologia se tornou v&#237;tima do pr&#243;prio sucesso j&#225; que o valor de cada kWh adicional de gera&#231;&#227;o para a rede el&#233;trica tende a ser decrescente. Isso ocorre principalmente porque a energia solar n&#227;o &#233; despach&#225;vel (ou seja, a gera&#231;&#227;o de energia n&#227;o pode ser controlada e depende da disponibilidade do recurso solar) e os sistemas solares geram energia apenas durante o dia. Assim, com o aumento da penetra&#231;&#227;o da energia solar, durante o dia temos um excesso de gera&#231;&#227;o, levando a uma queda no pre&#231;o da energia solar. Por outro lado, nas primeiras horas da noite, temos o desafio de compensar a n&#227;o gera&#231;&#227;o de energia solar com outras fontes, especialmente fontes caras como t&#233;rmicas flex&#237;veis, para suprir o pico de demanda. Isso gera desafios operacionais e pre&#231;os elevados nesse hor&#225;rio do dia.</p><p>O gr&#225;fico abaixo mostra o que aconteceu na Espanha com o aumento da penetra&#231;&#227;o de energia solar (que saiu de menos de 10% da gera&#231;&#227;o em 2019 para 25% no 2T de 2024): o pre&#231;o da energia solar caiu para 60% do pre&#231;o m&#233;dio do mercado em 2024. Na vis&#227;o hora-a-hora, a situa&#231;&#227;o &#233; ainda mais dram&#225;tica: em 15% do tempo em 2024 o pre&#231;o foi zero devido ao excesso de gera&#231;&#227;o de energia renov&#225;vel.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png" width="850" height="303" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:303,&quot;width&quot;:850,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;A graph of a number of bars\n\nAI-generated content may be incorrect.&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="A graph of a number of bars

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AI-generated content may be incorrect." srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Prt4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd137a47d-24f9-421f-97d9-88f199391045_850x303.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Pre&#231;o m&#233;dio recebido por usinas solares e e&#243;licas vs. m&#233;dia do mercado Fonte: Banco de Espa&#241;a - The impact of renewable energies on wholesale electricity prices</em></p><p>Trajet&#243;rias semelhantes podem ser encontradas em outros locais com alta penetra&#231;&#227;o de energia renov&#225;vel como a Calif&#243;rnia, a Alemanha e a Austr&#225;lia. No Brasil, os pre&#231;os hor&#225;rios aplic&#225;veis ao mercado livre come&#231;am a seguir um padr&#227;o semelhante, apesar do efeito ainda n&#227;o ser dram&#225;tico.</p><p>Alguns autores chegam a extrapolar essa tend&#234;ncia para chegar &#224; conclus&#227;o de que no futuro o custo marginal da energia ser&#225; zero com o avan&#231;o da energia solar e elaboram sobre as implica&#231;&#245;es de ter &#8220;energia de gra&#231;a&#8221;. Essa conclus&#227;o ignora a necessidade de repagar os investimentos nas usinas solares e outros investimentos na rede. Vamos ter sim energia de gra&#231;a em alguns momentos, que cargas flex&#237;veis v&#227;o conseguir aproveitar. Mas &#233; imposs&#237;vel um sistema baseado em altos investimentos em infraestrutura f&#237;sica se viabilizar com pre&#231;o zero em grande parte do tempo.</p><p>Outro problema relacionado ao crescimento das energias renov&#225;veis por aqui &#233; o <em>curtailment</em>, a redu&#231;&#227;o (ou corte total) na gera&#231;&#227;o imposta pelo operador por falta de capacidade de escoamento (porque as linhas de transmiss&#227;o existentes n&#227;o s&#227;o suficientes para levar toda a energia gerada at&#233; os consumidores). Esses cortes est&#227;o impactando de forma dram&#225;tica os retornos de ativos renov&#225;veis: h&#225; alguns anos, ningu&#233;m previa que haveria cortes na magnitude dos que est&#227;o ocorrendo.</p><p><strong>Solu&#231;&#245;es estruturais: redes mais flex&#237;veis e inteligentes</strong></p><p>Ent&#227;o, se nada mudar, temos uma maldi&#231;&#227;o da energia solar: &#224; medida que a penetra&#231;&#227;o aumenta, o valor cai, o que, al&#233;m de causar distor&#231;&#245;es nos mercados de energia, reduz o incentivo para a instala&#231;&#227;o de novos sistemas solares.</p><p>Parte da solu&#231;&#227;o envolve mudan&#231;as regulat&#243;rias e novos recursos no mercado de energia para criar demanda nos per&#237;odos de maior gera&#231;&#227;o solar e reduzir a demanda quando o sol n&#227;o est&#225; brilhando. A solu&#231;&#227;o mais direta para esse problema s&#227;o as baterias, que podem absorver a energia solar durante o dia e injet&#225;-la na rede durante a noite. Como vamos ver em artigos posteriores do Clima Rent&#225;vel, essa solu&#231;&#227;o est&#225; se tornando cada vez mais vi&#225;vel &#224; medida que os custos de baterias de &#237;on-l&#237;tio seguem uma curva de experi&#234;ncia semelhante &#224; energia solar.</p><p>Outras solu&#231;&#245;es envolvem mudan&#231;as na din&#226;mica do mercado como, por exemplo, aplicar pre&#231;os hor&#225;rios a todos os consumidores, incentivando um comportamento mais alinhado com as necessidades do sistema. Novas linhas de transmiss&#227;o para levar a energia para regi&#245;es menos ensolaradas e demandas flex&#237;veis (por exemplo um carro el&#233;trico que pode escolher quando carregar) tamb&#233;m s&#227;o formas de lidar com o problema. De forma mais estrutural novas fontes de demandas relevantes como a produ&#231;&#227;o de hidrog&#234;nio via eletr&#243;lise tamb&#233;m podem ajudar a solucionar essa equa&#231;&#227;o.</p><p><strong>O futuro da tecnologia solar fotovoltaica</strong></p><p>Dito tudo isso, dificilmente ser&#225; poss&#237;vel anular totalmente a maldi&#231;&#227;o da eros&#227;o do valor com o crescimento da energia solar. E isso coloca a tecnologia em uma corrida desafiadora: os custos precisam cair t&#227;o ou mais r&#225;pido do que o valor de energia. As trajet&#243;rias de redu&#231;&#227;o de custo parecem indicar um caminho, mas isso n&#227;o &#233; autom&#225;tico, envolve avan&#231;os nas tecnologias de produ&#231;&#227;o e dos pr&#243;prios paineis solares. Ser&#225; que chegamos em um limite de redu&#231;&#227;o de custos e a inclina&#231;&#227;o da curva de experi&#234;ncia vai come&#231;ar a cair?</p><p>Falando de paineis solares, temos uma tecnologia extremamente dominante no mercado que s&#227;o os paineis de sil&#237;cio, fabricados em escala gigantesca, especialmente na China. Inova&#231;&#245;es sucessivas foram tornando-os mais baratos e eficientes. Um exemplo de avan&#231;o recente s&#227;o os paineis bifaciais (que absorvem energia tamb&#233;m pela parte de tr&#225;s do painel) e j&#225; representam 50% dos paineis instalados no mundo (IRENA, n&#250;mero de 2024). Esse e outros avan&#231;os levaram a efici&#234;ncia m&#233;dia dos paineis instalados (% da energia solar incidente efetivamente convertida em eletricidade) de menos de 15% em 2010 para 21% em 2021, al&#233;m de se tornarem 93% mais baratos.</p><p>No entanto, a tecnologia de paineis &#224; base de sil&#237;cio est&#225; come&#231;ando a esbarrar em limites f&#237;sicos. Para entender o porqu&#234;, vamos a uma breve e simplificada explica&#231;&#227;o sobre o princ&#237;pio de funcionamento de um painel solar. Paineis solares s&#227;o compostos de materiais semicondutores cujos &#225;tomos liberam seus el&#233;trons ao absorverem f&#243;tons (part&#237;culas de luz), criando uma corrente el&#233;trica, ou seja, convertendo a energia do f&#243;ton em energia el&#233;trica. Mas, como costuma acontecer em fen&#244;menos qu&#226;nticos, existe uma quantidade fixa de energia para que o el&#233;tron de um material seja liberado (&#8220;gap de energia&#8221;). Se o f&#243;ton que chega &#224; c&#233;lula solar tiver menos energia do que esse m&#237;nimo, ele n&#227;o ser&#225; absorvido. Se o f&#243;ton tiver mais energia que esse m&#237;nimo, o excesso ser&#225; desperdi&#231;ado na forma de calor. Como a energia de um f&#243;ton depende da sua frequ&#234;ncia e na luz do sol h&#225; f&#243;tons de diversas frequ&#234;ncias, qualquer material desperdi&#231;a parte da energia, seja de f&#243;tons com energia insuficiente para liberar um el&#233;tron, seja de f&#243;tons com energia excessiva, a qual &#233; dissipada na forma de calor. Isso permite calcular a efici&#234;ncia m&#225;xima te&#243;rica de convers&#227;o da luz solar, que para o sil&#237;cio &#233; de 33,7%.</p><p>Os paineis de sil&#237;cio mais eficientes hoje no mercado chegam a efici&#234;ncias de 24% se aproximando da efici&#234;ncia te&#243;rica (que nunca ser&#225; atingida j&#225; que h&#225; perdas inevit&#225;veis no processo). Para ir al&#233;m, novos materiais ou combina&#231;&#227;o de materiais s&#227;o necess&#225;rios. As perovskitas s&#227;o a nova classe de materiais em est&#225;gio de desenvolvimento mais avan&#231;ado. Perovskitas s&#227;o materiais com um determinado tipo de estrutura cristalina, que podem combinar mol&#233;culas org&#226;nicas e inorg&#226;nicas. Elas apresentam as seguintes vantagens em rela&#231;&#227;o a outras alternativas:</p><p>&#183; Gap de energia ajust&#225;vel, proporcionando efici&#234;ncias possivelmente superiores ao sil&#237;cio ao combinar diferentes camadas com gaps de energia diferentes</p><p>&#183; Material flex&#237;vel produzido a baixas temperaturas, o qual pode ser depositado em diferentes tipos de superf&#237;cies (imagine rolos ou tintas fotovoltaicas para cobrir fachadas de pr&#233;dios por exemplo)</p><p>&#183; Mat&#233;rias-primas de baixo custo como pol&#237;meros</p><p>O grande limitador das perovskitas at&#233; o momento era a baixa durabilidade, mas com diversos centros de pesquisa e empresas trabalhando nesse tema, este desafio parece solucion&#225;vel. A tecnologia acabou de atingir um marco importante: a startup Oxford PV (que tem esse nome porque foi fundada por pesquisadores da universidade hom&#244;nima) anunciou recentemente que entregou a um cliente os primeiros paineis que combinam camadas de perovskita e sil&#237;cio, chegando &#224; efici&#234;ncia de 24,5%. Provavelmente veremos nos pr&#243;ximos anos mais paineis combinando camadas de diferentes materiais levando a efici&#234;ncia para novos patamares.</p><p>Al&#233;m das perovskitas, outras tecnologias alternativas est&#227;o sendo desenvolvidas, apesar de estarem em est&#225;gios mais preliminares. Dentre elas, temos c&#233;lulas solares org&#226;nicas (leves, n&#227;o t&#243;xicas, vers&#225;teis e flex&#237;veis) e c&#233;lulas de pontos qu&#226;nticos (com gaps de energia ajust&#225;veis na escala nanom&#233;trica, permitindo atingir altos n&#237;veis de efici&#234;ncia ao combinar materiais). Com a evolu&#231;&#227;o da tecnologia das c&#233;lulas, provavelmente a energia fotovoltaica ser&#225; ainda mais competitiva e onipresente no futuro.</p><p><strong>Pensando fora da caixa (ou do painel solar)</strong></p><p>A energia solar n&#227;o se resume aos paineis solares fotovoltaicos. A energia solar t&#233;rmica, por exemplo, &#233; bem estabelecida como meio de aquecimento de &#225;gua para usos residenciais e sendo estudada como alternativa para processos industriais e dessaliniza&#231;&#227;o da &#225;gua.</p><p>Na rede el&#233;trica, a energia solar concentrada &#233; uma tecnologia j&#225; implementada em larga escala. Na sua principal configura&#231;&#227;o, espelhos espalhados sobre uma superf&#237;cie enorme direcionam a luz solar para um &#250;nico ponto para aquecer um fluido que gira uma turbina. &#201; uma tecnologia atualmente quase 3 vezes mais cara do que o solar fotovoltaico, mas com uma vantagem importante: ela permite o armazenamento da energia no fluido para que a usina gere energia durante &#224; noite quando o seu valor &#233; potencialmente muito maior. Mesmo com essa vantagem, a sua implementa&#231;&#227;o tem sido bem t&#237;mida, com apenas um projeto entrando em opera&#231;&#227;o no mundo em 2023 (nos Emirados &#193;rabes Unidos).</p><p>Outras tecnologias mais disruptivas em desenvolvimento envolvem a produ&#231;&#227;o de combust&#237;veis como o hidrog&#234;nio a partir da energia solar sem a necessidade de gera&#231;&#227;o de energia el&#233;trica. Uma dessas tecnologias recebeu o nome de fotoss&#237;ntese artificial (por emular em parte o que as plantas fazem) e emprega semicondutores especiais (fotoeletrodos) para dividir diretamente a &#225;gua em hidrog&#234;nio e oxig&#234;nio sob luz solar. Este hidrog&#234;nio pode ser utilizado para descarbonizar setores dif&#237;ceis de eletrificar como a ind&#250;stria pesada e transporte a&#233;reo, mar&#237;timo e rodovi&#225;rio de longa dist&#226;ncia. Outras tecnologias em desenvolvimento s&#227;o ainda mais disruptivas e buscam obter combust&#237;veis l&#237;quidos de ampla utiliza&#231;&#227;o (gasolina, etanol etc.), alguns utilizando bact&#233;rias especiais modificadas geneticamente.</p><p>Essas tecnologias ainda parecem um futuro distante mas s&#227;o fundamentais para chegarmos a um mundo de fato dominado pela energia solar. Lembre-se que eletricidade e calor representam apenas 23% das emiss&#245;es globais e as solu&#231;&#245;es acima s&#227;o fundamentais para a energia solar ser uma pe&#231;a chave do quebra-cabe&#231;a para atacar as emiss&#245;es do setor de transportes (15%) e ind&#250;stria (24%).</p><p>Finalmente, h&#225; d&#233;cadas se estuda o potencial da tecnologia de energia solar espacial, que utiliza grandes coletores solares em &#243;rbita para absorver a energia solar e transmiti-la para a Terra por meio de micro-ondas ou lasers absorvidos por uma esta&#231;&#227;o coletora e convertidos em eletricidade. No espa&#231;o a energia solar pode ser produzida continuamente e evita as perdas atmosf&#233;ricas. A redu&#231;&#227;o do custo de lan&#231;amentos (com empresas como SpaceX desenvolvendo foguetes reutiliz&#225;veis) reativou o interesse na tecnologia. A Ag&#234;ncia Espacial Japonesa, por exemplo, conduz um programa de longa data para a tecnologia e tem a ambi&#231;&#227;o de realizar uma demonstra&#231;&#227;o em &#243;rbita. Mas ainda restam in&#250;meros desafios tecnol&#243;gicos para que essa solu&#231;&#227;o digna de fic&#231;&#227;o cient&#237;fica se torne realidade.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>A domin&#226;ncia da energia solar fotovoltaica nos investimentos no setor el&#233;trico n&#227;o parece amea&#231;ada no curto prazo, principalmente porque os custos continuam caindo em ritmo acelerado o suficiente para compensar a perda de valor. Mas para atender grande parte das nossas necessidades energ&#233;ticas no futuro precisamos de muito mais flexibilidade e capacidade de armazenamento na rede el&#233;trica e a capacidade de produzir combust&#237;veis para transportes e ind&#250;stria de forma competitiva a partir da energia solar.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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Somos empreendedores e investidores com carreiras dedicadas &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica e economia de baixo carbono. Nosso objetivo &#233; trazer conte&#250;do relevante para investidores, executivos e empreendedores na linha de frente da descarboniza&#231;&#227;o, fazendo uma curadoria de tend&#234;ncias e an&#225;lises originais. Estamos atentos ao que est&#225; acontecendo no mundo e traremos uma perspectiva voltada ao Brasil.</p><h3><strong>Resumo</strong></h3><p>No nosso primeiro texto, falamos sobre as emiss&#245;es de gases de efeito estufa e de onde elas v&#234;m. Agora, &#233; hora de olhar para o que o mundo tem feito com essa informa&#231;&#227;o, ou seja, as metas de sustentabilidade e como elas est&#227;o mexendo com a economia e abrindo novas oportunidades de neg&#243;cio.</p><p>N&#227;o vamos entrar aqui nos detalhes dos impactos clim&#225;ticos, mas &#233; bom lembrar: foi justamente a preocupa&#231;&#227;o com esses impactos que fez o mundo se mexer. Foi da&#237; que surgiram os estudos e os acordos internacionais que deram origem &#224;s metas de sustentabilidade que conhecemos hoje.</p><p>Pode parecer um assunto meio t&#233;cnico ou pol&#237;tico &#224; primeira vista, mas a verdade &#233; que entender essas metas &#233; fundamental para quem quer se preparar para o futuro e aproveitar as oportunidades que ele traz. Por isso, antes de falar diretamente dos neg&#243;cios que est&#227;o nascendo nesse novo cen&#225;rio (chegaremos l&#225;, prometo!), vamos colocar os pingos nos is.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3><strong>Introdu&#231;&#227;o</strong></h3><p>Nos &#250;ltimos anos, termos como Net Zero, ODS, ESG e COP ganharam espa&#231;o no vocabul&#225;rio de empresas, governos e investidores. Em 2015, dois marcos importantes ajudaram a consolidar esse movimento: a ado&#231;&#227;o dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent&#225;vel (ODS) pela ONU e o Acordo de Paris na COP21, que estabeleceu metas globais para conter o aquecimento do planeta. A partir desses acordos, intensificaram-se as pol&#237;ticas para a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica com o objetivo de atingir emiss&#245;es l&#237;quidas zero (Net Zero) at&#233; 2050, al&#233;m do fortalecimento das metas corporativas baseadas em crit&#233;rios ESG (ambientais, sociais e de governan&#231;a).</p><blockquote><p><em>&#128161;A COP se chama Confer&#234;ncia das Partes e acontece todos os anos desde 1995, com exce&#231;&#227;o de 2020, quando a confer&#234;ncia foi adiada devido &#224; pandemia da COVID-19. A COP21 foi a vig&#233;sima primeira Confer&#234;ncia.</em></p></blockquote><p>O ESG ganhou grande destaque entre 2018 e 2022, per&#237;odo em que a preocupa&#231;&#227;o global com as mudan&#231;as clim&#225;ticas foi incorporada de forma intensa pela iniciativa privada. Nesse contexto, o alinhamento &#224;s metas passou a ser visto n&#227;o s&#243; como um diferencial competitivo, mas tamb&#233;m como um fator relevante na avalia&#231;&#227;o de mercado das empresas. Sem entrar no m&#233;rito das metodologias utilizadas para mensurar esse valor, entendemos que, quando se trata da descarboniza&#231;&#227;o, o foco das empresas deve ir al&#233;m da imagem institucional. H&#225;, de fato, oportunidades concretas de neg&#243;cio ao se olhar de forma estrat&#233;gica para o &#8220;E&#8221; da sigla - o pilar ambiental. A ado&#231;&#227;o de pr&#225;ticas mais sustent&#225;veis pode gerar retorno financeiro real, seja por meio do acesso facilitado a capital, da valoriza&#231;&#227;o perante consumidores e parceiros, ou do aproveitamento de novas oportunidades regulat&#243;rias com alto potencial de retorno sobre investimento. Mais do que reputa&#231;&#227;o, trata-se de construir rentabilidade com base em inova&#231;&#227;o e efici&#234;ncia ambiental, algo que, inclusive, pode e deve ser demonstrado nos relat&#243;rios anuais e indicadores de desempenho das empresas.</p><h3><strong>Metas globais e pol&#237;ticas nacionais</strong></h3><p>Podemos enxergar as metas de sustentabilidade como uma b&#250;ssola que orienta governos em suas pol&#237;ticas nacionais que se desdobram em &#225;reas espec&#237;ficas e depois em segmentos. Uma vis&#227;o simplificada da hierarquia dessas metas segue pode ser vista no fluxograma abaixo:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg" width="959" height="313" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:313,&quot;width&quot;:959,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!w2Fv!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3750ca15-a8fd-4891-a1f0-ce31a8a6e534_959x313.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Fluxograma de Desdobramento das Metas de Sustentabilidade</em></p><p>As principais metas globais relacionadas &#224; sustentabilidade est&#227;o hoje fortemente ancoradas nos compromissos assumidos no Acordo de Paris (COP21), que estabeleceu objetivos clim&#225;ticos ambiciosos para conter o aquecimento global. Esses compromissos ser&#227;o revisitados e atualizados na pr&#243;xima Confer&#234;ncia das Partes (COP30), que acontecer&#225; no Brasil em novembro de 2025.</p><p>Embora definidos em processos distintos, os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&#225;vel (ODS) e o Acordo de Paris s&#227;o complementares e interdependentes. O avan&#231;o nas metas clim&#225;ticas contribui diretamente para o cumprimento de diversos ODS, especialmente aqueles que envolvem a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica. Os ODS com maior rela&#231;&#227;o direta com a descarboniza&#231;&#227;o s&#227;o:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png" width="959" height="313" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:313,&quot;width&quot;:959,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NfdD!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27e58989-9606-483c-8079-c89914581206_959x313.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Blocos de ODS relacionados diretamente a descarboniza&#231;&#227;o. Fonte: Unicef.org</em></p><p>Para entender como as metas globais influenciam as decis&#245;es nacionais e, posteriormente, os neg&#243;cios, &#233; essencial observar como essas metas se traduzem em compromissos concretos e pol&#237;ticas p&#250;blicas. A principal meta global da COP21 foi limitar o aumento da temperatura m&#233;dia global a menos de 2&#176;C acima dos n&#237;veis pr&#233;-industriais. Para isso, os pa&#237;ses definiram suas pr&#243;prias metas por meio das chamadas <em>Contribui&#231;&#245;es Nacionalmente Determinadas</em> (NDCs, na sigla em ingl&#234;s), que detalham os compromissos individuais de redu&#231;&#227;o de emiss&#245;es.</p><p>O Brasil comprometeu-se a reduzir em 37% suas emiss&#245;es de gases de efeito estufa at&#233; 2025 e em 43% at&#233; 2030, ambas em rela&#231;&#227;o aos n&#237;veis de 2005. E ainda se comprometeu com as seguintes metas quantitativas relacionadas a descarboniza&#231;&#227;o:</p><ul><li><p>Reflorestar 12 milh&#245;es de hectares at&#233; 2030;</p></li><li><p>Recuperar 15 milh&#245;es de hectares de pastagens degradadas;</p></li><li><p>Eliminar o desmatamento ilegal na Amaz&#244;nia at&#233; 2030;</p></li></ul><ul><li><p>Aumentar a participa&#231;&#227;o de fontes renov&#225;veis (exceto h&#237;drica) para 33% da matriz energ&#233;tica total at&#233; 2030;</p></li><li><p>Garantir que a bioenergia sustent&#225;vel represente cerca de 18% da matriz energ&#233;tica total;</p></li><li><p>Aumentar a participa&#231;&#227;o de energias solar, e&#243;lica e biomassa na matriz el&#233;trica para 23% at&#233; 2030.</p></li></ul><p>Esses compromissos resultaram em uma s&#233;rie de pol&#237;ticas e marcos regulat&#243;rios, como:</p><ul><li><p><strong>A Pol&#237;tica Nacional sobre Mudan&#231;a do Clima (PNMC)</strong>, que estabelece diretrizes para mitiga&#231;&#227;o e adapta&#231;&#227;o &#224;s mudan&#231;as clim&#225;ticas;</p></li><li><p><strong>A regula&#231;&#227;o do mercado de carbono</strong>, com iniciativas em andamento para estruturar um mercado regulado no pa&#237;s &#8212; a lei n&#176; 15.042 publicada em 2024 prop&#245;e um sistema brasileiro de com&#233;rcio de emiss&#245;es;</p></li><li><p><strong>Programas setoriais</strong>, como o RenovaBio no setor de biocombust&#237;veis, que &#233; uma pol&#237;tica que cria metas anuais de descarboniza&#231;&#227;o e fomenta a emiss&#227;o de cr&#233;ditos por biocombust&#237;veis (CBIOs) resultando em est&#237;mulo ao investimento em produ&#231;&#227;o sustent&#225;vel.</p></li></ul><p>Essas pol&#237;ticas derivadas dos compromissos internacionais s&#227;o traduzidas em regula&#231;&#245;es e incentivos governamentais que impactam diretamente as empresas. Elas passam a adotar metas corporativas alinhadas &#224;s exig&#234;ncias regulat&#243;rias e, muitas vezes, antecipam tend&#234;ncias globais como forma de diferencia&#231;&#227;o competitiva. Al&#233;m disso, surgem novos modelos de neg&#243;cio, como consultorias em carbono, mesas de trading desses certificados, certifica&#231;&#245;es ESG e comercializa&#231;&#227;o de cr&#233;ditos ambientais.</p><h3><strong>Metas corporativas</strong></h3><p>No setor empresarial, o desdobramento das metas ocorre atrav&#233;s de grupos e a&#231;&#245;es espec&#237;ficas. Um que se destaca &#233; o B20, grupo que re&#250;ne lideran&#231;as empresariais de todos os pa&#237;ses do G20. Foi criado em 2010 como uma plataforma para que empresas, federa&#231;&#245;es industriais e associa&#231;&#245;es empresariais contribuam com recomenda&#231;&#245;es concretas de pol&#237;ticas p&#250;blicas aos l&#237;deres das maiores economias do mundo. A cada ano, o pa&#237;s que assume a presid&#234;ncia do G20 tamb&#233;m lidera o B20, o que em 2024 e 2025 est&#225; a cargo do Brasil. Ele conta com a participa&#231;&#227;o de grandes empresas globais e nacionais, como Petrobras, Natura, Ita&#250;, Microsoft, Siemens e BlackRock, al&#233;m de institui&#231;&#245;es como a CNI e FIESP. Seu principal objetivo &#233; traduzir os grandes temas globais em propostas pr&#225;ticas de pol&#237;tica econ&#244;mica, regulat&#243;ria e comercial, com foco em inclus&#227;o, sustentabilidade, inova&#231;&#227;o e competitividade.</p><p>O B20 tem papel essencial na tradu&#231;&#227;o dos compromissos da COP em recomenda&#231;&#245;es pr&#225;ticas de mercado no contexto da descarboniza&#231;&#227;o:</p><ul><li><p>Promove a vis&#227;o de que a&#231;&#245;es clim&#225;ticas s&#227;o oportunidades econ&#244;micas.</p></li><li><p>Defende estrat&#233;gias de transi&#231;&#227;o energ&#233;tica justa, com metas claras e retorno sobre investimento.</p></li><li><p>Apoia o desenvolvimento de mercados de carbono, finan&#231;as verdes e tecnologias limpas.</p></li><li><p>Incentiva regula&#231;&#245;es e pol&#237;ticas que estimulem a inova&#231;&#227;o e a competitividade sustent&#225;vel.</p></li></ul><p>Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada como um tema perif&#233;rico, restrito a relat&#243;rios institucionais e refor&#231;o da reputa&#231;&#227;o corporativa. Hoje, ela &#233; relevante no posicionamento para empresas se beneficiarem das pol&#237;ticas p&#250;blicas, terem maior atratividade para talentos e conquistarem a prefer&#234;ncia de consumidores. Exemplos n&#227;o faltam:</p><ul><li><p>A Unilever ampliou sua margem em mercados emergentes com linhas sustent&#225;veis de higiene e alimentos.</p></li><li><p>A Natura integrou m&#233;tricas ambientais ao seu modelo de gest&#227;o e aumentou seu valor percebido globalmente.</p></li><li><p>A Tesla n&#227;o s&#243; capturou incentivos p&#250;blicos, como criou uma nova l&#243;gica de mercado para mobilidade e armazenamento de energia.</p></li></ul><p>Ao final, acreditamos que toda meta ambiciosa cria lacunas, e onde existem lacunas, surgem oportunidades. Metas globais de sustentabilidade e descarboniza&#231;&#227;o n&#227;o s&#227;o apenas compromissos &#233;ticos ou clim&#225;ticos, mas tamb&#233;m pontos de partida para inova&#231;&#227;o e gera&#231;&#227;o de valor.</p><h3><strong>Novos modelos de neg&#243;cio</strong></h3><p>A converg&#234;ncia entre tecnologia, finan&#231;as e sustentabilidade est&#225; se intensificando. Hoje, bancos, fundos de investimento e at&#233; empresas tradicionais est&#227;o direcionando recursos para solu&#231;&#245;es que alinham retorno financeiro com impacto ambiental positivo. Esse movimento &#233; impulsionado por um crescimento expressivo na disponibilidade de capital verde, fruto tanto da press&#227;o de investidores institucionais quanto de incentivos estatais. Governos ao redor do mundo t&#234;m adotado pol&#237;ticas p&#250;blicas e instrumentos regulat&#243;rios que orientam o mercado financeiro a canalizar recursos para iniciativas alinhadas &#224;s metas clim&#225;ticas. Um exemplo &#233; a SFDR (<em>Sustainable Finance Disclosure Regulation</em>) da Uni&#227;o Europeia, que exige que fundos classifiquem e divulguem com transpar&#234;ncia o grau de sustentabilidade de seus ativos, distinguindo aqueles que apenas consideram fatores ESG em seu artigo 8 dos que t&#234;m como objetivo principal o impacto ambiental ou social positivo no seu artigo 9.</p><p>No Brasil, esse movimento tamb&#233;m avan&#231;a. A CVM, por meio da Resolu&#231;&#227;o 175/2023 e da Instru&#231;&#227;o CVM 59/2021, vem promovendo maior clareza sobre como os fundos de investimento devem divulgar suas estrat&#233;gias ESG. Ao exigir maior consist&#234;ncia nas informa&#231;&#245;es, o regulador brasileiro busca aumentar a confian&#231;a do investidor e estimular a aloca&#231;&#227;o de recursos em ativos sustent&#225;veis.</p><p>Para as empresas, esse novo contexto representa uma janela concreta de oportunidades. No Brasil, iniciativas como o FIP Amaz&#244;nia e o Fundo Clima BNDES mostram como recursos p&#250;blicos e privados est&#227;o sendo mobilizados para financiar solu&#231;&#245;es com impacto ambiental positivo. Outro exemplo recente &#233; o fundo clim&#225;tico estruturado pela Vinci Partners, que atraiu grandes investidores internacionais em uma capta&#231;&#227;o de R$ 2 bilh&#245;es para apoiar projetos voltados &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, gest&#227;o de res&#237;duos e agricultura de baixo carbono com enquadramento do fundo no artigo 9 do SFDR. Empresas como a Ambipar, que captou via deb&#234;ntures sustent&#225;veis para projetos de log&#237;stica reversa, tamb&#233;m demonstram como a estrutura&#231;&#227;o financeira com foco clim&#225;tico pode gerar valor real, acesso a capital de longo prazo e fortalecimento da imagem institucional.</p><p>Algumas frentes que t&#234;m atra&#237;do inova&#231;&#227;o e capital e falaremos mais em detalhe em pr&#243;ximas postagens:</p><ul><li><p><strong>Energia limpa e armazenamento</strong>: solar, e&#243;lica, baterias e hidrog&#234;nio verde.</p></li><li><p><strong>Gest&#227;o h&#237;drica e efici&#234;ncia energ&#233;tica</strong>: solu&#231;&#245;es industriais, smart grids, Internet das Coisas (IoT).</p></li><li><p><strong>Rastreabilidade de cadeias produtivas</strong>: plataformas digitais, blockchain, APIs ESG.</p></li><li><p><strong>Carbono e cr&#233;ditos ambientais</strong>: agricultura regenerativa, cr&#233;ditos de carbono, prote&#231;&#227;o de florestas e reflorestamento.</p></li><li><p><strong>Economia circular e res&#237;duos</strong>: log&#237;stica reversa, compostagem, reuso de materiais.</p></li><li><p><strong>Tecnologias para monitoramento e compliance ESG</strong>: desde IA at&#233; plataformas SaaS para gest&#227;o de indicadores.</p></li></ul><h3><strong>Conclus&#227;o</strong></h3><p>Ainda enfrentamos muitos desafios, e proteger o Planeta exige metas ambiciosas. No entanto, para que essas metas sejam realmente efetivas, &#233; preciso avan&#231;ar em diversas frentes. Entre elas, destaca-se a necessidade de maior converg&#234;ncia regulat&#243;ria e a defini&#231;&#227;o de crit&#233;rios ESG mais claros e padronizados. A atual falta de m&#233;tricas consistentes e reconhecidas globalmente abre espa&#231;o para distor&#231;&#245;es &#8212; como pol&#237;ticas p&#250;blicas influenciadas por interesses particulares ou sinaliza&#231;&#245;es econ&#244;micas equivocadas. Al&#233;m disso, &#233; essencial fortalecer o monitoramento e a transpar&#234;ncia no cumprimento dos objetivos estabelecidos, por meio de indicadores bem definidos e amplamente audit&#225;veis.</p><p>O futuro n&#227;o &#233; mais sobre escolher entre rentabilidade e impacto. O que est&#225; em jogo &#233; como alinhar prop&#243;sito, estrat&#233;gia e performance, e quem conseguir&#225; liderar essa a transi&#231;&#227;o para uma economia de baixa carbono.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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As emiss&#245;es v&#227;o muito al&#233;m do setor el&#233;trico, que representa menos de 20% das emiss&#245;es globais. Outros setores como transportes, edif&#237;cios, agropecu&#225;ria e ind&#250;stria s&#227;o contribuidores importantes para as emiss&#245;es globais e descarboniza-los envolve uma ampla gama de tecnologias e transforma&#231;&#245;es econ&#244;micas. O Brasil tem um perfil de emiss&#245;es bem diferentes da m&#233;dia global, j&#225; que mais da metade das emiss&#245;es vem do campo: sejam provenientes de atividades agropecu&#225;rias ou do desmatamento.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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E a&#237; est&#225; uma gigantesca oportunidade de neg&#243;cios, j&#225; que, em uma economia de mercado, a atua&#231;&#227;o das empresas em qualquer grande transforma&#231;&#227;o &#233; fundamental.</p><p>Esse blog n&#227;o vai entrar nos detalhes da vasta e complexa ci&#234;ncia do clima, mas focar nas oportunidades de neg&#243;cio que a t&#227;o necess&#225;ria transi&#231;&#227;o para uma economia de baixo carbono traz consigo. E como existem muitos neg&#243;cios rent&#225;veis que promovem essa transi&#231;&#227;o, detalharemos os fundamentos cient&#237;ficos, panorama regulat&#243;rio e modelos de neg&#243;cio. Se voc&#234; n&#227;o acredita no aquecimento global ou acredita que ele n&#227;o &#233; provocado pelas a&#231;&#245;es humanas, ainda assim essa transi&#231;&#227;o vai impactar o seu neg&#243;cio, porque governos, sociedade civil, empreendedores, grandes empresas e investidores est&#227;o trabalhando nessa transforma&#231;&#227;o econ&#244;mica. E estamos falando em uma transforma&#231;&#227;o que mexe nos alicerces da nossa economia, transformando a nossa infraestrutura energ&#233;tica, o uso da terra, os meios de transporte e as constru&#231;&#245;es onde vivemos e trabalhamos.</p><p><strong>Emiss&#245;es: o que s&#227;o</strong></p><p>O g&#225;s carb&#244;nico (CO<sub>2</sub>) faz parte do ciclo natural da vida no planeta Terra: quando respiramos emitimos CO<sub>2</sub> e as plantas absorvem CO<sub>2 </sub>na fotoss&#237;ntese. Contudo, para fins de contribui&#231;&#227;o &#224;s mudan&#231;as clim&#225;ticas, contabilizamos as emiss&#245;es provocadas pela a&#231;&#227;o humana. Estas emiss&#245;es n&#227;o se limitam ao CO<sub>2</sub>, j&#225; que outros gases como o metano (CH<sub>4</sub>) e o di&#243;xido de nitrog&#234;nio (N<sub>2</sub>0) tamb&#233;m contribuem para o efeito estufa. O gr&#225;fico abaixo mostra que o CO<sub>2 </sub>(azul e amarelo no gr&#225;fico) &#233; respons&#225;vel por cerca de 75% das emiss&#245;es l&#237;quidas (descontando CO<sub>2 </sub>absorvido por atividades humanas) e o metano (laranja) por cerca de 18%. Para normalizar a influ&#234;ncia de diferentes gases no efeito estufa, considerando que alguns t&#234;m um impacto muito maior do que outros por tonelada na atmosfera, os cientistas do clima criaram o conceito de emiss&#245;es de CO<sub>2 </sub>equivalente (CO<sub>2 </sub>eq).</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png" width="1128" height="397" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:397,&quot;width&quot;:1128,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XIff!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34cbde55-44d1-409e-ae76-e8622a083505_1128x397.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Evolu&#231;&#227;o das emiss&#245;es globais por g&#225;s (1990-2019)</em></p><p><em>Fonte: IPCC - Working Group III contribution to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change</em></p><p>E quanto emitimos por ano? Chegamos em 2019 a 59 Gt/ano, ou 59 bilh&#245;es de toneladas de CO<sub>2 </sub>equivalente por ano. &#201; um n&#250;mero t&#227;o grande que perde um pouco o significado, ent&#227;o vamos coloc&#225;-lo em perspectiva: o mundo produz cerca de 5 bilh&#245;es de toneladas de petr&#243;leo por ano. Ent&#227;o toda a produ&#231;&#227;o de uma ind&#250;stria gigantesca como a do petr&#243;leo representa menos de 10% da nossa produ&#231;&#227;o anual de CO<sub>2</sub>.</p><p><strong>De onde vem as emiss&#245;es?</strong></p><p>Para entender o desafio de mitiga&#231;&#227;o do aquecimento global (em posts futuros falaremos de mitiga&#231;&#227;o vs. adapta&#231;&#227;o) &#233; fundamental mapear as atividades humanas que geram as emiss&#245;es. O gr&#225;fico abaixo quebra as emiss&#245;es globais pelo setor em que s&#227;o geradas de duas formas: (i) emiss&#245;es diretas: considera o setor onde as emiss&#245;es efetivamente acontecem; (ii) emiss&#245;es diretas e indiretas: considera o setor que consome a energia e calor que geram as emiss&#245;es (essencialmente edif&#237;cios e ind&#250;stria).</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2X_3!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3f9b464-b6b8-41e0-9ff8-6f9d9b8e7e78_1181x757.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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Isso mostra que as renov&#225;veis por si s&#243; n&#227;o v&#227;o resolver o desafio do aquecimento global. Parte da solu&#231;&#227;o est&#225; em levar essas tecnologias para outros setores por meio da eletrifica&#231;&#227;o ou combust&#237;veis de fonte renov&#225;vel como o hidrog&#234;nio verde. Mas outra parte importante depende de inova&#231;&#227;o tecnol&#243;gica e transforma&#231;&#245;es econ&#244;micas em outros setores.</p></li><li><p>A parte verdinha do gr&#225;fico mostra um dos desafios mais complexos da transi&#231;&#227;o para uma economia de baixo carbono. As emiss&#245;es de agricultura, florestas e outros usos da terra, AFOLU na sigla em ingl&#234;s, representam quase &#188; do desafio. Nesse grupo entram emiss&#245;es de atividades agr&#237;colas e pecu&#225;rias (como os 5% da fermenta&#231;&#227;o ent&#233;rica, as emiss&#245;es de metano do sistema digestivo dos bois) e emiss&#245;es de uso da terra e mudan&#231;as de uso da terra e florestas (LULUCF), uma categoria que &#233; composta predominantemente pelo desmatamento. Um ponto que chama aten&#231;&#227;o &#233; a incerteza na medi&#231;&#227;o dessas emiss&#245;es: enquanto a faixa de incerteza das emiss&#245;es provenientes de combust&#237;veis f&#243;sseis &#233; de +-10%, a incerteza nas emiss&#245;es LULUCF &#233; de +-70%!</p></li><li><p>Existem v&#225;rias formas de agrupar as emiss&#245;es para mostrar o impacto de uma determinada atividade econ&#244;mica: por exemplo, se somarmos as emiss&#245;es da produ&#231;&#227;o de cimento e a&#231;o para a constru&#231;&#227;o civil, edif&#237;cios representam 20% das emiss&#245;es globais, mostrando a import&#226;ncia das decis&#245;es relacionadas aos nossos pr&#233;dios e casas para o clima.</p></li><li><p>Uma fonte de emiss&#245;es relevante e pouco comentada s&#227;o as chamadas emiss&#245;es fugitivas da ind&#250;stria de petr&#243;leo &amp; g&#225;s (4,4% das emiss&#245;es globais). A principal causa s&#227;o vazamentos de metano na cadeia de produ&#231;&#227;o e transporte de petr&#243;leo e g&#225;s natural. Voltando ao ponto da incerteza, essas emiss&#245;es tamb&#233;m s&#227;o dif&#237;ceis de determinar com precis&#227;o, sendo o intervalo de confian&#231;a de +-30%.</p></li></ul><p><strong>Brasil vs. Mundo</strong></p><p>Para comparar as emiss&#245;es do Brasil com as do restante do mundo, utilizamos dados da <em>Climate Watch</em>, uma fonte diferente da dos gr&#225;ficos anteriores (relat&#243;rio do IPCC - <em>Intergovernmental Panel on Climate Change</em> de 2022). Voc&#234;s podem observar que a quebra &#233; um pouco diferente e magnitude das emiss&#245;es relacionadas &#224; mudan&#231;a do uso da terra bem menor (lembra da incerteza gigantesca sobre esses dados?). No entanto, direcionalmente conseguimos entender que o nosso perfil de emiss&#245;es &#233; bem diferente da m&#233;dia global:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Shno!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd0190cba-4414-4d09-87e1-46a2f9f8f00a_1166x804.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Shno!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd0190cba-4414-4d09-87e1-46a2f9f8f00a_1166x804.png 424w, 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stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>Emiss&#245;es por setor gerador</em></p><p><em>Fonte: Climate Watch (<a href="https://www.climatewatchdata.org/ghg-emissions?end_year=2021&amp;start_year=1990">https://www.climatewatchdata.org/ghg-emissions?end_year=2021&amp;start_year=1990</a>) / An&#225;lise: Clima Rent&#225;vel</em></p><p>Como vemos no gr&#225;fico, o setor de eletricidade/calor &#233; pouco representativo nas emiss&#245;es brasileiras devido &#224; nossa matriz el&#233;trica muito mais limpa do que a m&#233;dia global. Entretanto, a agropecu&#225;ria (35%) e mudan&#231;as no uso da terra/florestas (26%), essencialmente o desmatamento, representam juntos 61% das nossas emiss&#245;es. Por um lado, esses n&#250;meros mostram a for&#231;a da nossa agropecu&#225;ria: o Brasil tem, por exemplo, o segundo maior rebanho bovino do mundo, o que explica mais de 60% das nossas emiss&#245;es provenientes da agropecu&#225;ria. Por outro lado, eles tamb&#233;m revelam a trag&#233;dia do desmatamento da Amaz&#244;nia e de outros biomas, que &#233; ao mesmo tempo o nosso maior problema e a maior oportunidade de redu&#231;&#227;o de emiss&#245;es. O setor florestal &#233; inclusive um dos poucos que &#8220;joga nas duas pontas&#8221;: sendo um contribuidor para emiss&#245;es no desmatamento, mas absorvendo carbono (as famosas emiss&#245;es negativas) em caso de reflorestamento. A remo&#231;&#227;o de carbono por vegeta&#231;&#227;o secund&#225;ria e em &#225;reas protegidas j&#225; compensa cerca de &#8532; das emiss&#245;es do desmatamento no Brasil.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong></p><p>A diversidade das fontes de emiss&#227;o de gases de efeito estufa mostra que o desafio de mitiga&#231;&#227;o do aquecimento global envolve todos os setores da economia, indo muito al&#233;m do setor energ&#233;tico. No Brasil em particular &#233; no campo (agropecu&#225;ria e florestas) que est&#227;o os maiores desafios e oportunidades.</p><p>Como especialistas do setor energ&#233;tico, vamos dar uma aten&#231;&#227;o especial nesse blog &#224;s tecnologias e modelos de neg&#243;cio que est&#227;o tornando o setor el&#233;trico mais sustent&#225;vel e como a eletrifica&#231;&#227;o e &#8220;combust&#237;veis verdes&#8221; s&#227;o a chave para descarbonizar a ind&#250;stria, os transportes e os edif&#237;cios. Mas tamb&#233;m traremos perspectivas e oportunidades de outros setores da economia que fazem parte dessa trama complexa e fascinante da economia de baixo carbono.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.climarentavel.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Clima Rent&#225;vel! 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